domingo, 7 de setembro de 2014

Ponta Porã Linha do tempo: Causos e lendas do folclore da fronteira. Hospital Santa Isabel nos tempos de Secundino.

*Yhulds Giovani Pereira Bueno

   Fronteira de tantas histórias de épocas passadas, distintas e cercadas de acontecimentos, mas sempre rodeados fatos incomuns, se comparados aos dias de hoje.

   Causos são contos repassados de pai para filho, de uma geração para outra geração, contado na roda de amigos tomando um bom chimarrão (mate) ou um saboroso tereré, causo é contado com um ar de mistério, mas preservando a verdade da lenda e respeitando sempre a memória cultural das famílias fronteiriças.

   Causo (conto) ou lenda já era utilizada pelos povos antigos de outras eras, para repassar seus conhecimentos suas histórias e assim seguir mantendo sempre viva suas origens e crenças. Vamos abordar um de muitos causos que são contados pelos antigos na região de fronteira.

   Hospital Santa Isabel se localizava onde hoje está instalado o CRE Centro Regional de Especialidades Drº João Kayatt entre os cruzamentos da Rua Guia Lopes e Rua Felisberto Marques. Em outras épocas o Hospital Santa Isabel era o porto seguro daqueles que necessitavam de tratamento médico, mas nem sempre todos conseguiam se curar de suas enfermidades, e óbitos ocorriam neste local, sempre gerando muita historia de aparições e ruídos pelos corredores, isso contado pelo povo em outros tempos.

   De acordo com relatos de quem conviveu escutando esses causos, Secundino era um senhor que trabalhava no Hospital Santa Isabel uma figura um tanto folclórica pelos seus hábitos, atitudes e jeito de falar, dentre suas várias atribuições, uma em especial chamava atenção, o senhor Secundino tinha a responsabilidade de cuidar dos corpos (defuntos), levando os mesmos até a capela mortuária (necrotério) para ser preparado para o sepultamento, neste período histórico essa capela mortuária se localizava ao lado do hospital, a mesma era de madeira, hoje neste local existe uma capela mortuária de material (alvenaria). 

   Para chegar até a capela mortuária tinha que fazer uma grande volta por fora do hospital, como neste tempo pouca iluminação existia, Secundino preferia fazer um caminho mais curto, que era por dentro do hospital, mas no final do corredor existia uma janela e não uma porta de ligação com a capela mortuária, impedindo que algo passasse por ali, mas para Secundino isso não era empecilho, pois ele segundo a história (causo) repassado amarrava os defuntos e passava os mesmo pela janela, isso gerou muitas historias na época, pois quem eventualmente por ali passava e observava tal acontecimento no meio da escuridão, logo imaginava que o defunto estava pulando a janela, não diferente os enfermeiros e médicos que não conheciam as proezas de Secundino, se assustava quando se deparava com tais fatos um tanto fora do comum, mas para os médicos destes tempos como: Dr° José Issa, Drº Nery Azanbuja, Drº Teixeira, Drº José de Simone, e demais médicos da época (in memorian), estes fatos  não era novidade e nem assustadores se tratando de Secundino, figura caricata na sua maneira de se portar.

Foto arquivo família Puléo: Dº Joaquim Teixeira médico renomado em seu tempo na fronteira e sua esposa Felícia Arguelho Teixeira.

   Um causo um tanto atípico dentre tantos chamou atenção, conta história se é verdade a mesma está gravada no imaginário dos populares vivos destes tempos, que certa vez um óbito ocorreu e o corpo que não fora identificado por ninguém, o mesmo seria enterrado como de costume nesses casos como indigente (pessoa não identificada), Secundino era responsável por levar os corpos ao cemitério, esses eram levados de carroça (veículo puxado à tração animal) nesses tempos, como já era tarde e a noite já estava chegando, Secundino saiu às pressas o caminho era longo e cheio de curvas, e além de tudo existia nesses tempos onde hoje se localizam Rua General Ozório, Rua Calógeras e travessa Rua Dep. Aral Moreira, uma imensa erosão (buraco) muito íngreme com um pequeno córrego, chamado nesses tempos de terra de ninguém, era rodeado de mata e poucas casas, esse buraco dificultava a travessia da carroça, como o cemitério Cristo Rei se localiza na Rua Rio Branco e Rua Cosme Damião (o mesmo permanece no mesmo local até os dias de hoje), era muito longe com um grande vassoural (planta nativa da região) e guavira (planta frutífera nativa da região).

  O caminho era longo pela dificuldade naqueles tempos, mas Secundino não queria perder a hora, pois para completar o tempo estava fechando e isso significa chuva na certa, o desespero de Secundino fora tal que quando contornava o buraco bem na encosta no mesmo para atalhar caminho o caixão com defunto dentro caiu e deslizou ladeira a baixo, Secundino em meios a trovoadas, chuvas e os solavancos da carroça nem percebeu que perdera o caixão com defunto, só percebendo o que tinha ocorrido quando chegou ao cemitério, pois lá se encontrava o zelador da época o senhor conhecido de todos como por seu Dindin, que logo foi questionando Secundino onde estava o caixão e o defunto que seria enterrado.

   Secundino voltou ao hospital e relatou o acontecido, como já era noite e estava chovendo o caixão e o defunto só seriam procurados pela manhã, segue causo que até ajuda do quartel (exército) fora solicitado e disponibilizaram alguns soldados para as buscas, populares da época também ajudaram para localizar o caixão.

   Pois não fora fácil achar o defunto fujão no meio da chirca (planta daninha) e da mata, que pelo jeito teimara em ser sepultado como indigente, ficando assim mais um entre tantos causos do Secundino na região, hoje já esquecido pelas décadas e novas gerações, mas sempre vivo na memória do povo de outras épocas saudosas da nossa região de fronteira.

   O resgate de eventos históricos, causos ou lendas é uma forma de manter viva na lembrança momentos que de uma maneira ou outra marcaram uma época.

Pesquisador: Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor da Rede Coordenador Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ponta Porã Linha do Tempo: Memória histórica e cultural do cotidiano da fronteira. A Dama do Castelinho.

*Yhulds Giovani Pereira Bueno.

   Quando se fala em histórias, seja ela causo ou lenda que tenha no seu enredo algum mistério, é comum que as pessoas geralmente pensem que tal história seja de fantasma, que tem nela terror, pois para muitos, terror e mistério andam juntos sempre, claro que nem sempre o causo de mistério tem alguma assombração no meio de sua história, mas o assustador é tudo que foge do comum, e de certa forma de arrepios quando o fato é lembrado.

Foto de Albert Braud, 1926 – Publicada no livro um Homem de Seu Tempo, uma biografia de Aral Moreira de Luiz Alfredo M. Magalhães “quartel do corpo de polícia militar”. O mesmo foi utilizado como cadeia por muitos anos.


   O castelinho é um prédio histórico da região fronteiriça, localizado na cidade de Ponta Porã, Mato Grosso do sul, construído na década de 40 para abrigar o governo do novo Território Federal de Ponta Porã, um Território Federal brasileiro em 13 de setembro de 1943, conforme o Decreto-lei n.º 5 812, do governo de Getúlio Vargas.


   O território foi extinto em 18 de SET. de 1946  pela Constituição de 1946, e reincorporado ao então estado de Mato Grosso.

   Atualmente a área do antigo território de Ponta Porã faz parte do estado de Mato Grosso do Sul situado na região de fronteira que faz divisa com a cidade de (Pedro Juan Caballero Capital do Departamento de Amambay situada no país vizinho Paraguay). Vale ressaltar que seu governador durante os três anos de existência do Território de Ponta Porã foi o Militar Ramiro Noronha .

   Com o fim do Território Federal, o castelinho passou a ser utilizado como quartel e (cadeia), para abrigar os prisioneiros da região fronteiriça, que futuramente dependendo do grau de periculosidade eram encaminhados nesses tempos para a Capital Cuiabá ou a cidade de Campo Grande.

   No fim da década de 50 a Linha da férrea da Noroeste do Brasil já estava em pleno funcionamento na região de fronteira, tendo como sua última parada a cidade de Ponta Porã.

   No local uma grande estrutura que compunha toda área da estação ferroviária com: Entrada principal com saguão e bilheteria, plataforma de embarque e desembarque, depósitos de mercadorias, mas afastada outras estruturas que serviam para armazenamentos de grãos entre outras mercadorias.

Foto arquivo Lourdes Aparecida Teixeira: Vista aérea da esplanada da NOB-Noroeste do Brasil, na imagem aparece em destaque à estação ferroviária a casa dos ferroviários, o castelinho que servia de quartel da PM e presidio atrás dele a casa onde morava a senhora Lourdes A. Teixeira, que pertencia a NOB, ao fundo o prédio da primeira empresa de mate solúvel da América “MATEX” ao lado o cemitério Cristo Reis. Uma Ponta Porã pequena no inicio de sua urbanização, década de 60.

   A estrutura de manutenção ou oficina de máquinas se localizava mais ao centro da área destina a estação ferroviária e próximo de tal estrutura se localizava a P.A. (Pernoite e Alimentação), uma espécie de ponto de apoio aos funcionários da Noroeste, que tinham que ficar muitos dias para realizar seus trabalhos, dentro desta P.A. existia uma grande estrutura que era a área do restaurante para os funcionários, onde os mesmos realizavam suas refeições diárias, neste tempo um casal prestava serviço para Noroeste do Brasil, sendo eles responsáveis para preparar as refeições dos empregados dos diversos setores, o rodízio de pessoal era constante e necessário para manter a grande estrutura que era na época a NOB - Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

   Segue relato de moradores da região, que nestes tempos poucas casas existiam por estes lados da cidade conhecida como vila áurea e “Peguaho” que significa em tupi guarani (lugar distante), a rotina seguia normalmente, nesses tempos, mas um acontecimento trágico mudou a rotina da Noroeste de Ponta Porã, no início da década de 60, um assassinato fora do comum estarreceu a fronteira nesses tempos, a mulher que fazia as refeições dos funcionários da Noroeste marata seu marido, com enumeras facadas, como de costume os criminosos eram levados ao castelinho para prestar depoimento e ficar em cárcere (preso), não fora diferente com a mulher, que foi conduzida até o castelinho para prestar depoimento e contar o acontecido.

   Muito se especulou sobre o que levou a tal fatídico e sinistro desfecho, de um relacionamento que para quem observara na época aparentemente de um casal normal, claro que tinham suas diferenças conjugais.
Nos dias e semanas que se passaram, muitos foram os curiosos, que visitavam o castelinho para observar a mulher que ficara em cárcere, e hora ou outra aparecia na grade da janela. Apelidada pela população local como “Dama do castelinho”, fato ficou conhecido pela região fronteiriça, por ser a primeira mulher presa em tal local.

   Segue história do fato, que a mesma ficava horas olhando pela grade da janela, sem esboçar uma única palavra, em certo momento proferia um grito assustador misturado com choro e lamento, por vezes passava mal, e chamava se o médico para realizar atendimento a tal Dama. Remorso, arrependimento, medo, isso somente ela poderia responder.
Imagem divulgação colhida o site: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1646992
Tal estrutura em meados da década de 1940 foi utilizada para alojar o corpo da guarda do Território Federal no Estado Novo do Presidente Getúlio Vargas e o Governador do Território o Militar Coronel Ramiro Noronha, depois por longa data como quartel do Batalhão da polícia Militar e cadeia, atualmente encontra-se em total estado de abandono e sem nenhuma manutenção.

   Anos se passaram e tal história ficou gravada na memória dos moradores mais antigos da região, que acreditam que tal “Dama” habita o castelinho em ruinas, e quem passa em frente de tal estrutura no fim de tarde, pode escutar os lamentos e ver o vulto da dama observando o horizonte pela grade da janela, basta acreditar, mas na dúvida, poucos querem se arriscar a passar em frente da estrutura depois do entardecer.
Admirar fatos históricos, causos e lendas, e respeitar a cultura popular de uma região, a história de um povo é sua maior riqueza.

Pesquisador e historiador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor da Rede Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ponta Porã Linha do tempo: Memórias da aviação da fronteira. O primeiro avião e a criação do Aeroclube de Ponta Porã através do programa Federal “Deem Asas ao Brasil”.

·         Yhulds Giovani Pereira Bueno
“Criei um aparelho para unir a humanidade, não para destruí-la.” Alberto Santos Dumont (1873-1932).
Ao longo da evolução histórica o desejo de voar está presente na humanidade, pode se dizer que tal fato seja proveniente desde os tempos pré-históricos, quando os homens observavam os pássaros neste período evolutivo.
Existem muitos registros e narrativas históricas de aventureiros que se arriscarão a voar, sendo esses mal sucedidos, o mais famoso ”Ìcaro” (mitologia Grega), que juntamente com seu pai Dédalo construiu asas artificiais a partir da cera, mel de abelhas e penas de gaivota para fugir de sua prisão.
Antes da fuga, Dédalo alertou ao filho que não voasse muito perto do sol, para não derreter suas asas, mas Ícaro não obedeceu a seu pai, e pôs-se voar próximo ao sol, suas asas derreteram com o calor e Ìcaro acabou caindo no mar Egeu.
Séculos se passaram ao decorrer dos milênios, até que o primeiro aviador no dia 
23 de outubro de 1906, neste dia uma centenas de pessoas se aglomeravam no campo de Bagatelle, em Paris, para observar um imponente aeroplano branco, essa engenhoca fora construída com asas feitas de pipas-caixas e um motor de 50 cavalos-vapor, uma façanha para estes tempo.

De pé, em um cesto entre as asas, estava um homem elegantemente vestido, muito conhecido de todos por suas prodigiosas façanhas aéreas em balões e dirigíveis. Alberto Santos-Dumont tentava tornar-se o primeiro homem do mundo a voar em avião, este fato fora registrado e perpetuado sendo Alberto Santos Dumont o pai da aviação brasileira, reconhecido no mundo como um dos mais brilhantes em seu tempo, dentro das diversas invenções, destaca-se também a adaptação do relógio de pulso, para facilitar aos pilotos ver as horas.
O primeiro avião em Ponta Porã que se tem notícia foi registrado por Elpídio Reis em seu livro Polca churrasco e chimarrão, 1981. “As populações de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero não conheciam avião. Certo dia de 31, ou 32, lá pelas dez da manhã surgiu no ar vindo da capital do Paraguai um avião, que hoje chamaríamos de teco-teco”.
Foi registrado pelo autor, que os moradores de ambas as cidades saíram para ver o que estava acontecendo, o avião sobrevoou por alguns minutos, descendo no campo de futebol que neste período histórico se localizava ao lado do Quartel do Exército de Pedro Juan Caballero Paraguai, quem se encorajou foi no local para observar, “ver o bicho de perto”.
“Eu, menino, também fui. Quando chegamos ao local onde o avião se achava, soldados paraguaios o guardavam formando uma fila que hoje chamamos de cordão de isolamento. Vimos àquela raridade a certa distância. À tarde, por volta das três horas, o avião levantou voo para dar um show muito especial. Pôs-se a sobrevoar as duas cidades fazendo no ar a mais incríveis piruetas” REIS, Elpídio, 1981. P. 106.

Segundo relato, o piloto era alemão, fora aviador combatente da primeira “Guerra Mundial”, creio eu que muito provavelmente veio observar a imensidão de terras, essas sempre foram grande atrativo a estrangeiros para investimentos na agropecuária na região fronteiriça, entre outros negócios da época, isso se explica a quantidade de imigrantes descendentes de alemães na fronteira. Depois deste acontecimento épico, aviadores começaram a surgir na região de fronteira muitos deles filhos de Ponta Porã. 

Foto divulgação: Irmãos Cardoso aviadores filhos ilustres de Ponta Porã, da esquerda para direita; Arsênio, Ezaul Filho, Arlindo, Heitor, Elidio e Aral. Na década de 40 o Presidente da época Getúlio Vargas cria o programa “Deem Asas ao Brasil” este programa tinha finalidade única de formar pilotos para aviação brasileira, entre eles os famosos “irmãos Cardoso”, Sendo eles heróis proporcionou a sua mãe Srª Aurora Icassatti Cardoso, receber a medalha do Mérito de Santos Dumont em 1964 com o título de “Mãe dos Aviadores”, noticiada no jornal Ultima Hora e publicada no livro Um Século de Histórias de Ramão Ney Magalhães. 2013.

Foto arquivo pessoal de Luiz Alfredo Marques Magalhães, publicado no livro Um Homem de Seu Tempo 2011. Membros do Aero Clube de Ponta Porã, ao fundo o castelinho. 1945.
O inicio da aviação em Ponta Porã se deu em sete de setembro de 1941 com a fundação do aeroclube da cidade, através do programa do Governo Federal “Deem Asas ao Brasil”, o local era onde hoje se encontra a área da estação ferroviária e o castelinho (prédio histórico da cidade). O aeroclube contava nesta época com duas aeronaves, as mesmas foram doadas pelo Governo Federal. 

Foto arquivo de Srª Elza Mendes Golçalves 1941: publicado no livro Um Homem de Seu Tempo 2011 de Luiz Alfredo Marques Magalhães, nesta imagem épica registrou um momento histórico para região fronteiriça, “O jornalista Assis Chateaubriand discursa na solenidade de entrega de aviões em Campanário. Na foto ainda estão Juan Baptista Ayala, Ministro plenipotenciário do Paraguai, Ester Mendes Gonçalves, sobrinha de Franscisco Mendes Gonçalves, Oswaldo Euclides de Souza Aranha, ministro das Relações exteriores, Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro da Aeronáutica, e pradinho do “Piper” Don Francisco, nome do sócio fundador da Cia. Mate Laranjeira, Francisco Mendes Gonçalves”. MAGALHÃES.  Luiz A. Marques


Arquivo pessoal de Luiz A. M. Magalhães: “A linha da fronteira no ano de 1945, em destaque no circulo vermelho Pharmacia Estrela inaugurada em 1926 ao lado o funcionou o Cine Palma fundado pelo espanhol Estebán Palma, depois foi adquirido pelo carioca João Vayres, que o transformou no Bar e Cine Brasil. em fotografia feita por Leon Torossian a bordo de um avião de Athamaryl Saldanha”. MAGALHÃES. 2011.
Relembrar fatos históricos que de alguma maneira contribuíram para o desenvolvimento da região de fronteira em seu tempo e proporcionar aos cidadãos o conhecimento de acontecimentos épicos que marcaram uma geração.

Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação, membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.









quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Ponta Porã Linha do tempo: Causos e lendas do folclore da fronteira, o violeiro


* Yhulds Giovani Pereira Bueno.



   Causo é estória, algo contado em beira de uma bela fogueira onde todos estão sentados em troncos de árvores, causo pode até ser uma lenda, mais é baseada em fatos vividos por pessoas simples da lida do campo do interior de outros tempos, onde a crença era diferente respeitada, causo é assunto de fim de noite com a família ou de reunião de amigos, o fato é que acredita quem quer, mas na dúvida ninguém paga para ver se é verdade ou não só mais um causo da região.

   Essa é a lenda de um violeiro que andou nessa fronteira há muito tempo atrás, homem bem apessoado de fino trato como se dizia antigamente, época que para escutar uma boa música tinha que convidar ou ir onde tinha um bom tocador de violão, quem tinha essa habilidade musical era muito requisitado, em reuniões e festas, pois rádio nesse tempo na fronteira não existia, nem ao menos luz elétrica havia nesses tempos, a luz era o do sol ou da lua, mas Dom Alejandro segundo relatos de quem cresceu escutando suas façanhas cercadas de mistérios tinha esse talento, além dos demais tocadores de viola ou violão, elegante e galanteador, por esse motivo dezenas de pessoas se reuniam ao seu redor, mas quem dele um pouco conhecia através de causos contados, conta sua estória há muito tempo esquecida na fronteira. Vamos fazer um resgate de um destes causos cercados de fatos intrigantes.

   Dom Alejandro quando novo aprendeu tocar violão, mas conta lenda que repentinamente ele se tornou um exímio tocador de violão e também aprendeu outros atributos, entre eles, de ler a sorte e adivinhar o futuro, esses feitos em outros tempos eram cercados de mistérios algo que muitos preferiam não comentar.
O fato que ele fazia nesses tempos muito sucesso na fronteira, tanto do lado do Brasil em Ponta Porã que era uma pequena vila, de poucas casas e Pedro Juan Caballero que tinha uma vida social, mas agitada, ele também era chamado para tocar nas campanhas (estâncias ou fazendas) naqueles tempos, ninguém nem mesmo a família soube ao certo como ele adquiriu tanto conhecimento em áreas um tanto ocultas, e ninguém se atrevia a perguntar mesmo por que ele não falava a respeito e só realizava a leitura de sorte ou futuro quando queria e de quem ele queria, ou seja, nem todos tinham o privilegio de ser atendido por Dom Alejandro.

   Mas o mistério seria parcialmente desvendado quando, certo dia ele foi contratado para tocar, a festa seria em uma fazenda distante o trajeto era feito em lombo de cavalo por picadas, atravessando caraguatá (fruta) e chirca (planta erva daninha) lugar também de muitos espinhos de uma longa distância, para não ir só ele convidou outros dois amigos que às vezes o acompanhava nos bailes da região, o contratante que segundo a lenda era um homem misterioso chegara ao anoitecer, todo de vestimenta preta e um belo cavalo com detalhes de prata, veio ao seu encontro para acompanha-lo, após o longo trajeto tarde da noite chegaram ao local da festa, conta a história: a casa que era grande sem janelas no meio da mata, quando chegaram a casa estava vazia o dono misterioso então ditou as regras, comece a tocar quando o primeiro galo cantar, o galo branco, continue tocando e cantando até o segundo galo cantar, o galo vermelho e você terá uma surpresa quando o terceiro galo cantar, o galo preto.

   Dom Alejandro estranhando o fato concordou já imaginando o que poderia acontecer, ao escutar o canto do galo começaram a tocar e cantar, o estranho é que convidados ali não tinha nem barulho de pessoas, Dom Alejandro temeroso sussurrou para seus companheiros vamos tocar só musicas sacras amigos!  Quando começaram a tocar eis que o homem misterioso gritou ao fundo, que pensam que estão fazendo! Parem, e toque outra música, essa não! Exclamou o homem que estranhamente mudara de forma, seus pés e suas mãos tinha a forma de pé de galos com três dedos os “três cantos”, assustados os três violeiros perceberam que uma movimentação estranha acontecia, eis que de repente o salão estava cheio de pessoas um tanto esquisitas, com a mesma forma do tal homem, o dono veio ao meio do salão olhando a Dom Alejandro exclamou quero que leia minha sorte! E adivinhe meu futuro! E diga quem eu sou! Rapidamente dom Alejandro começou a tocar novamente a música sacra como nunca tinha tocado, seus amigos o acompanharam mesmo assustados com que acontecia, eis que a fúria tomou conta do salão, até que um grito ensurdecedor acompanhado de um clarão, e despareceram como se nada tivesse acontecido, segundo contam Dom Alejandro e seus amigos continuaram cantando no meio da mata, e foram encontrados dias depois saindo do caraguatá. Contaram o acontecido a todos da região.

   Passou os anos, até que em certo dia um homem pela fronteira andava a procurar Dom Alejandro, perguntando onde poderia encontra-lo, esse homem alto todo de vestimenta preta montado em um belo cavalo com detalhes prateados de voz grave e olhar intimidador, é fato que o homem encontrou Dom Alejandro e segundo o causo contado por quem cresceu ouvindo essa lenda que o homem novamente pediu para ele ler sua sorte, adivinhar seu futuro e dizer quem ele era, o mistério segue que os dois ficaram trancados dentro da sala da casa de Dom Alejandro que pedira para sua mãe sair e esperar do lado de fora, e o que se ouvia era o homem exclamando leia ou devolva o que é meu e Dom Alejandro dizendo eu não leio e nem adivinho sorte de ninguém e muito menos de você, nunca mais.

   Depois deste acontecimento pegou tudo que tinha colocou em uma caixa e seguiu em direção à mata, sabe-se que ele enterrou seus segredos dentro daquela caixa em algum lugar desta fronteira, em baixo da raiz de uma grande figueira, sua mãe curiosa para saber o que o filho faria com a caixa o seguiu, ao perceber Dom Alejandro olhou para mãe e disse mãe nunca mexa ou queira saber o que tem aqui dentro, esqueça esse local se quiser teu filho vivo e salvo, depois disso nunca mais tocou como antes e seu encanto se acabou. Se for verdade ou não, muitos daquele tempo diziam que ele tinha feito um pacto, e quando foi cobrado ele quebrou o pacto e por isso foi tirado dele tudo que tinha.

   A lenda do violeiro foi passada de geração a geração, um tanto esquecida nos dias de hoje, lembradas por poucos descendentes destas épocas distintas de nossa fronteira, onde hoje pouco espaço tem para os causos de outros tempos, onde a fé o respeito eram virtudes a serem preservados. Lembrar-se do passado e preservar o futuro.

Pesquisador: Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor da Rede Municipal de Educação. Membro da diretoria executiva e do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Ponta Porã Linha do Tempo: Semana Farroupilha o seu surgimento dentro do tradicionalismo gaúcho.

*Yhulds Giovani Pereira Bueno.

 "O movimento tradicional foi criado para ser um movimento. Não é um estanque, parado, fixo" Paixão Côrtes

   Segundo pesquisadores e historiadores que buscam analisar os fatos que envolvem esta grandiosa comemoração cercada de muita festa, envolvendo todos os tradicionalistas da cultura gaucha dentre eles pode ser citado o tradicionalista João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, que em seu livro Origem da Semana Farroupilha - Primórdios do Tradicionalismo Gaúcho (1994) relata que, ao contrário do que se costuma pensar.


João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, nasceu em Santana do Livramento em 12 de Julho de 1927, folclorista, compositor, radialista e pesquisador do tradicionalismo gaúcho "Segundo o folclorista, somado a outros estados e países, o MTG une mais de 8 milhões de pessoas" Fonte http://g1.globo.com/. 

   “O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) não surgiu depois da Revolução Farroupilha, em 1846, mas teve sua origem em iniciativas do Grêmio Estudantil da Escola Júlio de Castilhos (Julinho), em Porto Alegre, na primeira quinzena de setembro de 1947”.

   Seguindo seu relato para entender a semana farroupilha e os motivos para preservar o legado dos antepassados, a entidade estudantil fundou o seu Departamento de Tradições Gaúchas, representado por diversos alunos com trajes característicos e montado em pingos (cavalo).

   No dia 7 de setembro daquele ano, antes de ser extinto o Fogo da Pátria, os cavaleiros desse departamento transportaram até o velho casarão do Julinho uma centelha de fogo, que ficaria acesa até dia 20 de setembro.
No período de 7 a 20 de setembro passou a ser realizada a chamada Ronda Gaúcha e, no seu decorrer, foram promovidos diversos eventos sobre temas regionais e folclóricos, o primeiro a presidir o DTG foi o próprio Paixão Cortês, entre as atividades estabelecidas pelo departamento a principal de cultivar as tradições gaúchas, dentre elas: bailes, concursos de danças, trajes típicos, fotografia, literatura, desenho, publicação de artigos no jornal do Julinho, palestras com intelectuais e provas campeiras.

Fonte: http://www.paginadogaucho.com.br/pers/paixaopelosul-02.htm, arquivo Pessoal/ZH: Em setembro de 1948, o primeiro piquete de cavaleiros do 35 CTG saia às ruas de Porto Alegre para conduzir a Chama Crioula. Paixão Côrtes (D) está acompanhado de José Laerte Vieira Simch (E) e de Antônio Cândido da Silva Neto (C).

   Pode se dizer que graças a esse pioneirismo dentre tantos outros é que o tradicionalismo da cultura gaucha se espalhou pelo Brasil e pelo mundo com eventos Nacionais, Regionais e Estaduais. Nos meios tradicionalistas se afirma que o Gaúcho não é unicamente o indivíduo natural do Estado do Rio Grande do Sul.

   O Gaúcho é considerado o homem cavaleiro dos Pampas das Américas, que recebe na Argentina, Uruguai e no Brasil o nome de Gaúcho, no Chile de Guaso, na Venezuela de Ilanero e no México Charroe.

   O Gaúcho é o vaqueiro, é o homem ligado ao campo e nas tradições, ele que inicialmente era simplesmente um caçador, tornou-se um verdadeiro protetor do tradicionalismo. Hoje o Gaúcho além de tudo isso é um representante fiel das tradições da maneira simples de viver representado pela família, amizade e cultura.

Fonte: http://www.paginadogaucho.com.br/pers/paixaopelosul-02.htm, arquivo Pessoal/ZH: Em 1958, durante a temporada que passou em Paris, Paixão (de chapéu) e Zé Gomes (E) participaram de programa na televisão francesa

   E fato que todo grupo social, toda a nação, tem sua própria escala de valores, e essa escala que torna os povos espalhados pelo mundo distintos entre si, como acontece com o tradicionalismo gaúcho no Brasil e no mundo, por ter uma escala de valores muito característica os tradicionalistas gaúchos cultuam os valores da tradição muito mais focados, mas deve se, fazer saber que tradição cada Estado e região do país têm a sua e todas devem ser respeitadas e apreciadas de forma a manter sempre viva a cultura de valores no Brasil. E viva a semana Farroupilha!
 

Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação. Membro da diretoria executiva e do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.

Ponta Porã Linha do tempo: Memórias desportivas da fronteira. Equipe Feminina do Athenas Esporte Clube. “As meninas de ouro”.

*Yhulds Giovani Pereira Bueno.


Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro. “Herodoto”.

   Para compreendermos o presente precisamos realizar uma análise de fatos do passado, pois a história parece ser muitas vezes ensinada como um constante crescente de progresso, isto é, o passado tende a ser concebido como deficitário como atrasado em relação ao presente.

   Resgatar tais fatos, estes gravados nas memórias de tantos cidadãos da região fronteiriça, que em seu tempo puderam vivenciar situações que direta e indiretamente contribuíram para a evolução sociopolítica, cultural e desportiva de Ponta Porã. Permite compreender certas conquistas atuais, podendo ser citada a liberdade e maior participação das mulheres em eventos desportivos que antes era somente permitido a homens, estas lutas que se iniciaram no passado, hoje permite a novas gerações desfrutar livremente destas conquistas.

   Realizando uma retrospectiva de eventos históricos, voltamos ao ano de 1965. O Brasil estava em plena ditadura militar, não diferente a fronteira de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero vivenciava esse estilo de Governo e suas influências na sociedade, refletindo na maneira comportamental das pessoas.

   Nos grandes centros brasileiros, como em vários lugares espalhados pelo mundo, muitos manifestos ocorriam em busca de direitos nos mais variados níveis sociais, a população sempre estava em busca de maior participação nas politicas sociais, de poder exercer um papel maior no desenvolvimento sócio cultural, nesses embalos, as mulheres também estavam sempre buscando sua participação mais efetiva dentro da sociedade, direitos iguais em uma sociedade que na época era puramente machista, se hoje as mulheres e a população em geral tem uma maior participação, liberdade sem censura, pode se dizer que isso acontece graças ao pioneirismo de tantos em outros tempos, que através de suas atitudes visionárias quebram paradigmas e tabus em busca de realizar seus ideais.


   Vamos realizar um resgate deste período através do relato de quem participou efetivamente como atleta desta equipe feminina do Athenas Esporte Clube. A senhora Vergínia Cuevas Pereira.

Arquivo pessoal de Vergínia Cuevas Pereira: Alunas do Colégio Paroquial São José, meados da década de 60 séc. XX. Turma do 4º ano primário juntamente com a professora freira, irmã Margarida Maria.

   A Senhora Vergínia relembra que o “Athenas” fora criado no ano de 1965, uma equipe de futebol de salão feminino formada por alunas do Colégio Paroquial São José com idade entre 15 e 16 anos, o idealizador dessa façanha nesses tempos foi o professor Isaac Borges Capillé ou como era chamado carinhosamente por todos como professor (borjinho) isso devido a sua estatura, “borjinho” desportista, sendo membro atuante da Liga Desportiva Municipal de Ponta Porã, como no meio sócio político da fronteira, figura pública respeitada por todos em seu tempo, fora ele o idealizador da letra do hino de Ponta Porã. 

Imagem da fachada da antiga Escola Paroquial São José, década de 60, entrada que se localizava na Avenida Brasil.

   Com o apoio da direção da escola que nessa época tinha como diretor o Padre Thomaz e treinadas por um dos melhores atletas desses tempos da região fronteiriça, conhecido por “careca”. 


Arquivo pessoal de Gilberto Amarilha: Francisco Brandão ou “Chico Bera”, Gilberto Amarilha ”Giba” e Careca década de 70.

   A Equipe do Athenas Esporte Clube treinava na quadra que se localizava nesse tempo na área reservada para práticas esportivas no fundo do Colégio Paroquial São José, onde hoje se encontra as quadras de esportes da Escola Mace & São José, na divisa com as dependências da Igreja Matriz São José, era uma quadra pequena nesses tempos rodeada com arquibancadas de madeira, os treinos ocorriam durante o dia, pois se tratando de moças todo cuidado tinha que ser tomado, o uniforme era short vermelho e camiseta branca estilo regata (sem mangas) com símbolo da equipe bordado, a senhora Vergínia ressalta que a aluna de nome Telma irmã do desportista da época conhecido pelo apelido de “Tetéco”, esse fora fundador da equipe do Operário Esporte Clube da região de fronteira. Telma que incentivou as demais meninas a participar da equipe que estava sendo formada pelo professor “Borjinho”, como nesses tempos uma equipe feminina era algo inusitado, fora do padrão moral e cultural da sociedade, a mesma causaria um grande alvoroço na região. A senhora Vergínia relembra de alguns nomes, como da Giselda Brandão, Joana de Souza Lima e da própria Telma.

   A senhora Vergínia segue relembrando que em época de jogo a quadra ficava sempre cheia para assistir os jogos, que tinham como adversárias as equipes do país vizinho Paraguai principalmente de Pedro Juan Caballero, cidades vizinhas da região fronteiriça e da cidade de Campo Grande, em suas lembranças à senhora “Vergínia” menciona com saudosismo que a equipe do Athenas nunca perdeu um jogo que participou, pode ser que tenha sido pela presença sempre cativa do Padre Thomaz, que nunca deixava de ir a aos jogos das meninas do Athenas tendo sempre a mão um grande e belo terço.

   Padre Thomaz sempre incentivou a prática desportiva principalmente a equipe feminina, sempre exigindo respeito de quem comparecia para assistir os jogos, outro grande incentivador que participava dos jogos o Padre Pedro.

   Esse pioneirismo deu inicio a uma série de eventos e práticas desportivas voltadas ao público feminino na região fronteiriça. Um fato ficou gravado em sua memória, foi o fim da equipe do Athenas se deu segundo relato da senhora Vergínia quando a equipe fora convidada para participar de um campeonato na cidade de Penápolis Estado de São Paulo, para isso as atletas deveriam ter autorização dos pais ou responsáveis e do Juiz da comarca de Ponta Porã, aconteceu que o Juiz da época não deferiu a favor da viajem das meninas alegando que as mesmas eram menores, e a prática deste esporte traria prejuízos como varizes e formas físicas um tanto masculinas as meninas, por esse motivo o professor Isaac Borges Capillé “Borjinho” (in memórian), não teve alternativa a não ser terminar com a equipe para evitar conflitos com os contras da época, mas outras já estavam sendo criadas na cidade e região.

   Graças a essas pioneiras do Athenas Esporte Clube em seu tempo que de certa forma abriu portas, incentivando outras a participarem de esportes que antes era exclusivo do universo masculino.
Fico feliz em poder resgatar esse fato, e mencionar uma das protagonistas desta equipe do Athenas, minha mãe Verginia Cuevas Pereira, que tenho um grande orgulho de ser filho e sempre seguir minha vida através de seus ensinamentos.

Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO: Memórias históricas desportivas da região fronteiriça. CRI-Clube Recreativo Itamarati na era do futebol do salão Sul-mato-grossense.

·         Yhulds Giovani Pereira Bueno.

Foto: arquivo pessoal Srº Adão Bueno, equipe campeã da Copa Morena.
   Viajando através da memória desportiva, faremos um resgate de um pequeno fragmento histórico da nossa fronteira.

   Quem viveu na década de 1980 e gostava de assistir um bom Futebol de Salão, nome dado na época para o esporte que hoje e conhecido como Futsal, vai resgatar de suas memórias a grande equipe do CRI da então famosa fazenda Itamarati, que foi na década de 1980 um polo pioneiro da agricultura brasileira em cultivo no cerrado, situada no nosso estado de Mato Grosso do Sul na região de fronteira dentro dos limites no município de Ponta Porã, iniciativa do empresário empreendedor Olacyr Francisco de Moraes.

   O surgimento desta equipe se deu nesse período por incentivo do engenheiro responsável e administrador da Fazenda Itamarati na época Drº Nomura, amante do desporto apaixonado por um bom Futebol de Salão, Palmeirense de coração, tendo jogado nas equipes de base do clube no estado de São Paulo na sua juventude. 

Foto: Arquivo pessoal de Eliane Nomura Ramos. Drº Alberto Keiti Nomura e Olacyr Francisco de Moraes

   O convite foi feito para o srº Adão Bueno desportista para ser o técnico da equipe da Fazenda Itamarati, com autonomia de buscar jovens talentos como também atletas renomados para compor esta equipe que marcou história dentro e fora de Mato Grosso do Sul disputando campeonatos e se consagrando vitorioso em muitas disputas realizadas ao longo do tempo.

   O Srº Adão Bueno já era nome conhecido no desporto da fronteira por longa data membro da LDMPP liga amadora de desporto de Ponta Porã, como também dirigente e técnico de equipes de renome dentro e fora do município de fronteira, atuando também com equipes do lado paraguaio, com esse Curriculum e vasta bagagem, despertou interesse do Drº Nomura que queria formar uma equipe competitiva levando o nome do grupo Itamarati principalmente da Itasul aos quatro cantos do Brasil.

Arquivo pessoal Adão Bueno, equipe campeã da IV Copa Morena 1982.

   O primeiro grande feito da equipe de futebol de salão da Itamarati foi ter se consagrado campeã da IV Copa Morena em 1982, campeonato esse com um sabor fronteiriço, pois a grande final emocionante e ainda viva na memória de quem teve o privilegio de assistir como também fazer parte deste momento épico, que foi televisionada pela emissora TV Morena na capital Campo Grande uma final onde duas equipes da fronteira disputavam o titulo de melhor do Estado, CRI Itamarati e Ponta Porã.

   Cada equipe com seu elenco de fazer inveja a qualquer técnico de seleção brasileira com nomes de peso, jogadores de primeira linha, conhecidos em todos os meios desportivos da época.

   O Srº Adão Bueno se lembra de todos os fatos e acontecimentos desta data vívido em sua memória esse embate futebolístico histórico, onde no primeiro tempo de jogo a equipe de Ponta Porã ganhava de 2 gols de diferença, no intervalo o repórter esportivo perguntou a Adão Bueno e agora o que você vai fazer? Calmamente Adão Bueno respondeu: empatar e virar esse placar ao meu favor desacreditando que tal fato pudesse ocorrer, o repórter e comentaristas fizeram suas tirinhas.

   Hoje passado 32 anos Srº Adão Bueno revela os bastidores desse momento esportivo, no vestiário acalmando seus atletas após ter estudado a grande equipe adversária de Ponta Porã e perceber suas falhas, conversou com cada jogador mudando sua tática muito pouco realizada na época por ter uma forma diferenciada.

   A tática tinha como método principal realizar a rotatividade dos atletas, jogando sem jogador fixo em quadra algo corriqueiro para quem entende de futebol de salão sabe o funcionamento do fixo, alas e pivô, mudando fazendo os jogadores se revezarem em quadra e pedindo a cada jogador que mudasse a forma de chutar a gol, ou seja, se te marcarem á direita chute com a esquerda eles não vão esperar você fazer isto, invertendo totalmente e confundindo a marcação do adversário, segue relembrando o Srº Adão Bueno.

  Não foi fácil, mas impossível também não seria, e no segundo tempo uma virada histórica aconteceu, 4 gols selaram o destino de Ponta Porã, que tinha em seu elenco jogadores renomados como: Carrocine, Juan Vilhalba e os Irmãos Vegas, entre outros que compunham a equipe de Ponta Porã, quem foi desta época vai relembrar desses grandes atletas e o técnico dessa fabulosa equipe de Ponta Porã era o então saudoso Roberto Urizar (Acostinha) nome consagrado no Desporto  fronteiriço e no Estado.

   O CRI ITAMARATI consagrou-se Campeã da 4ª edição da copa morena, algo inédito, com gols que foram declarados pela mídia como pinturas, tal foram suas conclusões em quadra, foi dado então o primeiro passo para levar o nome desta equipe antes não muito acreditada, como uma equipe de renome e peso dentro das quadras, realizando excursões fora do estado, jogando contra equipes de renomes no Brasil como: Tachinha, Citrosuco, Uracam, Palmeiras, Corinthians consagrando-se campeão e ganhado todos os jogos realizados.
Chamando atenção de muitos esportistas da época, Itamarati virou sinônimo de bom futebol de salão, esses fatos históricos todos registrados e comprovados com documentos e reportagens da época, ressalta o Srº Adão Bueno, lembrando saudoso desta época, mas com orgulho de ter escrito juntamente com tantos outros seu nome na história esportiva de Mato Grosso do Sul.

   Srº Adão Bueno lembra com carinho de seus atletas como: Vírginio, Cezar, Reinaldo Colmam, Darinho, Carlinhos bagaço, Carlitos goleiro, Chico, Ortiz, Azunil e Juvenal.

   A equipe da Fazenda Itamarati, CRI, repetiu o feito conseguindo dois títulos da Copa Morena, a fase da equipe se estendeu por longa data na década de 80. Consagrando se campeão do campeonato Estado de Mato Grosso do Sul.


Arquivo pessoal João Augusto Franco: Foto histórica Equipe campeã da Eximporã que disputou a final com Aparecida do Taboado, a disputa finalizou nos pênaltis. A equipe de aparecida tinha em seu elenco neste período jogadores que eram de seleção brasileira, mas a equipe do Eximporã tinha jogadores de renome do Paraguai e Brasil como: Flávio Kayat, Salinas, Pelego, Coque, entre outros jogadores renomados da época.


e
 Arquivo pessoal de Adão Bueno: Equipe de veteranos (máster) de Ponta Porã em meados da década de 60 



Arquivo pessoal de Adão Bueno: Recorte de jornal reportagem, ano 1976 do torneio realizado em Ponta Porã Pela LDMPP-Liga Desportiva Municipal de Ponta Porã, Adão Bueno técnico da referida equipe.



Arquivo pessoal de Adão Bueno: Recorte de jornal reportagem da época anos 70 séc. XX, do torneio realizado em Ponta Porã Pela LDMPP-Liga Desportiva Municipal de Ponta Porã, Adão Bueno técnico da referida equipe


Arquivo pessoal Adão Bueno: Equipe do São Paulo muito conhecida nos gramados da região fronteiriça




    Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação, membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.