domingo, 17 de agosto de 2014

Ponta Porã Linha do tempo: Memórias culturais, históricas e desportivas da fronteira. O Fim do Campo da Figueira e inicio da modernidade fronteiriça.

Yhulds Giovani Pereira Bueno

  Para compreendermos o presente precisamos analisar o passado, viajando no tempo resgatando momentos épicos, que ficaram gravados nas memórias de tantos cidadãos da região de fronteira, que antes de nós em seu tempo ajudaram e muitos ainda ajudam a construir a história da política e do desporto, deixando sua marca na história fronteiriça.

   Vamos resgatar uma fração histórica política e desportiva da região de fronteira de outras épocas distintas, onde neste período se realizavam as disputas entre equipes renomadas da região fronteiriça no extinto campo da figueira. Já um tanto esquecidas ou desconhecidas nos dias atuais pelas novas gerações.

Arquivo pessoal de Adão Bueno: Ponta Porã Esporte Clube, equipe campeã do campeonato municipal de 1963, no antigo “estádio” campo da figueira, o mesmo era localizado onde hoje se encontra construído o prédio da atual sede da Prefeitura Municipal de Ponta Porã, jogadores presentes nessa época: Adão Bueno, Omenélio (Hélio Bueno), Lobão, Nicolau Quintana, Rui, Lacuna, também estavam presentes Wilson Monteiro, Cacho entre tantos outros saudosos atletas deste tempo, registrado nesta foto épica.

   Década de 60, Ponta Porã uma pequena cidade do interior do então Estado de Mato Grosso, como de costume nestes tempos os torneios, competições municipais e regionais eram realizadas no campo municipal da figueira que se localizava onde hoje se encontra o atual Paço Municipal (Prédio da Prefeitura Municipal de Ponta Porã) e a Escola Estadual Joaquim Murtinho, entre as ruas Antonio João e General Ozório tendo como travessas a Rua Guia Lopes que passa em frente da entrada principal da Prefeitura e Rua Sete de Setembro na travessa que se localiza de fundo da Prefeitura, em frente à praça, Vale ressaltar que nesta época ambas as estruturas não existiam, sendo este local e toda sua extensão pertencia ao campo da figueira.
   Por que campo da figueira? O nome fora dado nestes tempos, por existir duas imensas figueiras nesse local, tais árvores monumentais e antigas que faziam parte do desenvolvimento histórico da cidade, por servir de ponto de referencia a tropeiros e viajantes.

Arquivo pessoal Adão Bueno: Equipe renomada do Ponta Porã, com altetas que fizeram historia em seu tempo. Erve Roncatt, Roberval Roncatti, Betolino Bueno, Saturnino, Elídio, Quintana, Omenélio Bueno, entre outros grandes atletas deste tempo

   O campo era área destinada a eventos esportivos, (prática de desportos futebol de gramado) o mesmo era cercado por taboas de aproximadamente dois metros de altura, que rodeava todo o quarteirão, a parte interna existia uma cerca que separava o gramado (campo) das arquibancadas, e das torcidas, que neste tempo defendia com alma e paixão suas equipes de coração, com gritos e rimas para atacar o adversário e defender sua equipe, quase sempre um entrevero (discussão, briga) surgia, mas a turma do “deixa disso” e terminava com tal confusão, mas se fosse decisão segundo relatos de quem viveu e participou nesses tempos, podia ter certeza que o entrevero (brigas) seria grande, pois como a cerca que separava a torcida dos atletas era baixa facilitava ora ou outra um torcedor mais entusiasmado dar uns cascudos (tapas) no atleta da equipe adversária, por esse acontecimento os atletas evitavam passar perto da cerca quando estavam jogando para não levar os tais cascudos (tapas), mas tudo com maior respeito e discrição, respeitando as senhoras e senhoritas que também nestes tempos, acompanhadas de seus familiares assistiam aos jogos, onde palavrões eram proibidos, e depois dos jogos tudo voltava à normalidade e as diferenças ficavam no gramado, para ser resolvidas no próximo jogo, pois os mais entusiasmados eram conduzidos gentilmente até a saída do campo pelos “fundilhos do calção”, isso em outra época distinta de uma Ponta Porã de outrora.
   O portão de entrada se localizava em baixo da antiga figueira centenária da prefeitura, que rachou devido a sua idade, peso e adversidades naturais, que contribuíram para sua extinção.
Nestes tempos os campeonatos municipais e regionais tinham disputas acirradas entre as equipes, que tinham jogadores renomados a nível nacional e internacional já que também chamavam jogadores do país vizinho Paraguai, para reforçar o elenco, podendo ser citados: o centro avante Hélio Bueno ou Omenélio jogador renomado tendo jogado em equipes de renome do futebol paulista e vindo se aposentar no Ubiratan de dourados, atacante camisa dez Roberto da Cruz Urizar (Acostinha) atleta e desportista renomado tendo jogado nos anos áureos do América do Rio de Janeiro, Os irmãos Roncatti sendo eles: (meia) Roberval, atacante Erve e meia Ademar, Adão Bueno político e desportista que na juventude jogou em times de renome da região fronteiriça e também de equipes renomadas na época de São Paulo, Os irmãos Sargento Aníbal e Sargento Joel, Atacante Aristides Bobadilha que jogou em equipes da região e de renome do interior paulista, futuramente formando se professor de Educação Física e sendo ele o autor do gol inaugural do futuro estádio Aral Moreira, zagueiro Tio Quarenta, Zagueiro Davi Campagnolli, Lobão Quintanda, o goleiro Dario, os irmãos Nene e Rodrigo Lageano, Fininho, meia Alicate, meia Tolonto, o Goleiro Bertolino Bueno, Picolé, o goleiro Eraldo Azambuja, Ético Azambuja, ponta direita Nicolau Quintana, Ponta esquerda Raul, zagueiro Ortiz, ponta esquerda Dinho Costa Ribeiro, Goleiro Árido Rodrigues ou Tarzan, goleiro Jairo Portela, Atacante Arguelho, Goleiro Caveira, Sargento Simbaldo, tantos outros que passaram pelo gramado do campo da figueira e deixaram saudade.
   As principais equipes da fronteira eram: Ponta Porã que tinha como proprietário o senhor Sebastião Roncatti ou Tião, Comercial do senhor Ezat Jeorges , Internacional do senhor Geraldo Costa Ribeiro, Guararapes Do senhores Aníbal e Joel, Operário do Teteco e da cidade de Pedro Juan Caballero Paraguai as equipes: Dois de Maio, Aquidaban e Obrero. 
   Nesses tempos na lembrança de muitos fronteiriços existiam duas figuras um tanto folclóricas da época por serem torcedores um tanto fanáticos, o senhor Belmiro Albuquerque que defendia a equipe do Internacional e o senhor Honorato Campagnolli que defendia a equipe do Comercial, segue relato de quem presenciou tais eventos esportivos na fronteira, que o campo da figueira lotava não só para ver o jogo entre a equipe do Internacional contra a equipe do Comercial, mas também pra ver e escutar os dois torcedores fanáticos defendendo suas equipes se atacando e proferindo insultos um contra o outro, até o termino do jogo, o fato curioso e que depois ambos saiam abraçados e dando gargalhadas.

Arquivo pessoal de Sigird Pockel de Faria: Turma de Formando de 1959, Ginasio Estadual São Francisco de Assis- Ponta Porã MS.

  Segue outro fato pitoresco que acontecia no campo da figueira, quando ocorria o confronto esportivo entre as equipes do Ginásio São Francisco e Colégio Paroquial São José, no qual o grito de guerra entre as torcidas formadas por alunos das entidades estudantis, que utilizavam a mesma rima dependendo de quem estava ganhando, a rima era da seguinte forma: Aço, aço, aço São Francisco é um “Pichaço” e osso, osso, osso São José é um colosso, se a equipe do São José estava ganhando se fosse ao contrario logo invertia a rima Aço, aço, Aço São José é um “Pichaço”, e osso, osso, osso São Francisco é um colosso, muito diferente dos dias atuais.

                Imagem da fachada da antiga Escola Paroquial São José, década de 60, entrada que se localizava na Avenida Brasil.

   O fim do campo da figueira na década de 70 se deu pelo fato que no local do campo seria construído o novo prédio da prefeitura, por que o antigo, que se localizava na Avenida Brasil onde hoje funciona a Casa dos Conselhos, já se encontrava pequeno naqueles tempos, e o Governo do Estado que tinha como seu governador Pedro Pedrossian tinha a intenção de usar uma parte do local do campo da figueira para a construção de uma grande escola de estrutura além do comum para época, Hoje Escola Estadual Joaquim Murtinho.

Prédio da Prefeitura municipal de Ponta Porã-MS, construção iniciada na Gestão do Prefeito da época Aires Marques sua estrutura lembra a letra “AM” que gerou polêmica neste período histórico do desenvolvimento de Ponta Porã, por lembrar as iniciais da letra de “Aires Marques”, que se defendeu do equivoco dizendo que AM do Prédio Municipal era de "Administração Municipal" , isso em outras épocas. foto década de 90.

   Segue relato de um fato curioso, quando iniciou a construção e finalização do atual Paço Municipal o então prédio da prefeitura de Ponta Porã pelo então prefeito visionário da época Aires Marques que tanto contribuiu para o progresso e desenvolvimento da região fronteiriça, o mesmo gerou certa confusão os então na época opositores estavam inquietos com tal arquitetura que tinha o formato da Letra A e Letra M, que tais políticos de oposição tinham como Aires Marques, e não aceitava que tal prédio fora construído com essa intenção, em sua defesa com toda sua sabedoria e inteligência de político experiente e visionário nestes tempos, o então prefeito Aires Marques em seu discurso disse que tais senhores cometiam um grande engano ao achar que o prédio da prefeitura seria uma homenagem a ele Aires Marques, pois o prédio na verdade representado pela letra A e letra M seria em referencia que ali naquele local era a então nova Administração Municipal, para o povo por que além do paço Municipal o mesmo seria composto de um jardim e uma praça popular, calando se assim ate o mais cético opositor, e arrancando aplausos de todos os presentes, esse era Aires Marques, político popular que adentrava as casas, caminhava pelos bairros arrancando sorrisos e proporcionando alegrias a população fronteiriça de outras épocas. 
   As mudanças se fazem necessárias o progresso é uma ferramenta que vem auxiliar o desenvolvimento sócio econômico, politico e cultural de uma região.
   O que se deve deixar em ressalva, que não necessariamente uma nação precisa esquecer sua origem para traçar novos caminhos, uma nação precisa aprender com os pioneiros do passado que desbravaram as fronteiras para dar seguimento no desenvolvimento que tanto lutaram para acontecer. 
  
  Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor Coordenador da Rede Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.




sábado, 16 de agosto de 2014

Analisando fatos históricos do cotidiano fronteiriço.

  Quando se fala em fronteira logo vem à mente de muitos saudosistas de outras épocas a distinta fronteira de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, onde para estar em outro país, bastam atravessar a rua, duas nações cercadas de várias culturas e uma vasta diversidade de povos, oriundos das mais diversas localidades do mundo e do Brasil, que chegam aqui acreditando nesta fronteira que sempre recebe seus visitantes de braços abertos.

  Vamos fazer uma breve viajem no tempo retornando ao que seria o inicio legal de Ponta Porã que foi criado pela Lei n° 617 de 18/07/1912, nesse período esse pequeno município de 32 quadras conforme mapa distrital feito na época pelo senhor Antonio Fernando de Medeiros, o traçado foi registrado de 12 de julho de 1902, este mapa da cidade foi publicado na edição de Luiz Alfredo Marques Magalhães no livro Convivendo na Fronteira (2012). 

Desenho de Antonio Fernando de Medeiros confeccionado em 12 de julho de 1902, publicado no livro de Luiz Alfredo Marques Magalhães, Convivendo na fronteira 2012.

  Este mapa histórico mostra uma cidade pequena com quatro avenidas principais e nove cruzamentos, o que se observa que os nomes originais das ruas foram mudando conforme os anos, exemplo da Avenida Brasil que neste período se chamava General Costa Marques outro fato curioso é que onde hoje se localiza a Rua sete de setembro que anteriormente se chamava Miranda em algumas quadras e Couto Magalhães nas demais, em especial nesta Rua Miranda neste quarteirão segundo o mapa de 1902 existia a praça da liberdade neste local hoje se encontra o Banco Bradesco entre outras lojas e comércios. Segundo informações do mapa o cemitério se localizava próximo à área que hoje pertence ao quartel do 11º RC MEC, mostrando desta forma que o mesmo foi transladado de lugar posteriormente.
  O quartel da PM se localizava ao final do prolongamento da Rua General Ozorio, nesta mesma região existia entre a Rua Antonio João e General Costa Marques, hoje Avenida Brasil uma praça, curiosamente ao longo dos anos distintas Ruas de Ponta Porã não mudaram de nome, permanecendo até os dias de hoje com seus nomes iniciais sendo elas: Rua Antonio João, Rua General Ozório e Rua Guia Lopez. 
  Onde hoje é a Rua Internacional neste período que o mapa foi elaborado tinha um prolongamento chamado de Rua Rio-grandense, desta forma mostrando homenagem aos colonizadores do Sul, pois em certo ponto da Rua Antonio João existia um prolongamento denominado Rua São Borja, seguindo as informações do mapa está rua se localizava onde hoje é a Rua Baltazar Saldanha e Dep. Aral Moreira.
  Doze anos após a elaboração de deste mapa foi autorizado mediante lei à criação do município de Ponta Porã, em 101 anos de emancipação política a “Princesinha dos Ervais” vem se desenvolvendo passando por vários períodos sócio-políticos e econômicos do Brasil, muito bem retratados no livro de Elpídio Reis, Ponta Porã Polca Churrasco e Chimarrão (1981), mencionando que nem todas as famílias que chegavam de vários lugares do sul e da Argentina preferiam se fixar do lado brasileiro, preferindo o lado paraguaio por ser mais desenvolvido montando suas lojas de comercio de produtos que vinham da capital paraguaia Assunção por ser mais próxima, pois do lado brasileiro a distancia entre a fronteira e São Pulo centro comercial brasileiro é de 1300 km tornando assim inviável na época a disputa entre os produtos do Paraguai que vinham de 360 km, como nesse período não se tinha estrutura de estradas do lado brasileiro o crescimento era bem menor em Ponta Porã do que em Pedro Juan Caballero, sem contar que o Paraguai se abastecia de produtos vindos da Europa dificultando muito a concorrência, não é de hoje que a oferta do país vizinho é mais atrativa.
  É relatado também que escolas só havia do lado paraguaio porque era lá que o desenvolvimento maior acontecia enquanto do lado do Brasil tudo era muito mais difícil, comenta também, a respeito da amizade e boa vizinhança entre a população das duas cidades, que rendeu segundo o autor, em 1946 o primeiro lugar uma classificação essa épica, realizada pela ONU, “foi aponta como exemplo de fronteira ideal”. Isso em outros tempos saudosos da fronteira.
    “Assim, enquanto o lado paraguaio progredia, centralizando o comercio da região, o lado brasileiro tinha apenas um posto de cobrança de impostos sobre o comercio feito com erva-mate e também para não deixar que mercadorias compradas no Paraguai, com finalidade comercial, passassem para o Brasil” Reis. Elpidio – Ponta Porã polca Churrasco e Chimarrão.  p. 57.
  Sempre foi um luta dos cidadãos de Ponta Porã, uma melhor abertura comercial para a região de fronteira considerando a sua distinta peculiaridade. O que se percebe destes fatos históricos relatados que as lutas de um passado nem tão distante por todos aqueles que se fixaram aqui na fronteira ainda persiste nos dias atuais, uma abertura comercial a tão sonhada “Zona de Livre Comercio”. Que ajudaria grandemente no maior desenvolvimento socioeconômico da fronteira em especial a cidade de Ponta Porã.
Elpidio ressalta a importância em outros tempos da Empresa Mate Laranjeira, que com certeza teve uma contribuição direta para o desenvolvimento da região de fronteira, disto não se tem duvidas, desbravando trilhando caminhos que facilitaram a entrada de novos colonos a Ponta Porã. 
  Conhecer sua história e uma forma de reverenciar todos aqueles que de alguma forma contribuíram para o surgimento e desenvolvimento de nossa cidade e região. Viva a todos da fronteira sem distinção.


  A fronteira pós-guerra do “Paraguai” foi muito procurada, era um grande atrativo as vastas terras aqui existentes, durante a sua histórica destaca se o 11º Regimento de Cavalaria sendo comandado por Eurico Gaspar Dutra que foi o décimo sexto presidente do Brasil no período de 31.01.1946 a 31.01.1951, na atualidade o “11ºRC. MEC” em homenagem a tal celebre figura nacional denomina-se “Marechal Eurico Gaspar Dutra”, 

                               Fonte imagem da web divulgação. Campeonato de hipismo de 1943, realizado no 11º RC.


                          Fonte imagens da web divulgação. Nesta foto: Construção do Pavilhão de comando do 11º RC 1941.

  Em 1919 é criado em Ponta Porã o 11º RC (Regimento de Cavalaria) e instalado no ano seguinte, sendo seu primeiro Comandante o Capitão Hipólito Paes Campos.


Ponta Porã Linha do Tempo: Capitão João Antônio da Trindade. Raízes históricas e culturais, memórias da formação fronteiriça e seu primeiro fundador.

  
  História o causo e a lenda, para que os mesmos possam existir, precisa ser feita de pessoas, “homens e mulheres” que se tornam personagens de suas narrativas em seu tempo, de maneira a contribuírem no desenvolvimento econômico, social, cultural e político de sua cidade, região e país.
  Ponta Porã, fronteira de histórias épicas registradas na memória histórica nacional, marcadas por fatos cercados de mistérios, alguns já perdidos no tempo, outros relatados por pesquisadores, historiadores e escritores, de pessoas que aqui fixaram sua morada, como também de descendentes que cresceram ouvido essas histórias da criação de nossa cidade de nossa rica fronteira da “Princesinha dos Ervais”.
  Através de levantamentos históricos de Ponta Porã, muitos levam o credito de pioneiro e fundador da fronteira, mas vamos realizar uma retrospectiva da linha do tempo histórica, para resgatar fatos que identifiquem as raízes da formação desta região fronteiriça.

Imagem publicada no livro de Marco Rossi, Ponta Porã 100 anos, 2012. Fonte: Mapa imagens da formação territorial brasileira, Fundação Odebrecht, Rio de Janeiro, 1993. Mapa de 1798 da região em que dois séculos depois nasceria à cidade de Ponta 
 Porã.

  Um dos primeiros fatos histórico registrado ocorreu no ano de 1777, quando uma expedição militar enviada pelo imperador chegou a esta região, tendo como objetivo de explorar o solo, conhecer e mapear de forma mais precisa a extensão e todas as riquezas que aqui existiam, assim poderiam conhecer sua dimensão com uma maior precisão, um fator que chamava a atenção seria o potencial na quantidade de matas e futuras terras para cultivo que esta região teria.
  Quase um século após esta expedição no ano de 1862 chegou o grupo do tenente militar Antônio João Ribeiro que tinha como objetivo fixar um forte na cabeceira do rio “Dourados” por ser este local estratégico, hoje esta região é o município de Antônio João, para neste local especifico ser erguida a famosa Colônia Militar dos Dourados que foi destruída durante a guerra da tríplice aliança ficando este fato marcado na história.


Fonte Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, publicado no livro de Marco Rossi, Ponta Porã 100 anos. Reprodução da Fazenda Santo Tomaz de meados de 1934, feita por Antonio Gonçalves, Resultado da medição que ampliou Os limites do município de Ponta Porã, agregando as terras pertencentes à antiga Companhia Mate Larengeiras, área consolidadas trocadas por terras próximas a Campanário. 

  Seguindo a linha do tempo histórica de nossa fronteira que teve muitos colonizadores exploradores da erva mate tentando se fixar na região o mais famoso o Tomáz Larangeiras detentor de imensas porções de terras, contribuiu com o desenvolvimento, Tomáz Larangeiras explora e industrializava a erva-mate em Ponta Porã e exporta para Argentina, mas também era alvo de críticas por manter um grande monopólio em torno da exploração de erva mate neste período histórico.

Fonte: Imagem da web. Vista aérea da Laguna Porã, década de 50. 

  No ano de 1880 chega à região o senhor Alferes Nazareth, um militar que vem com a missão de comandante e ergue seu acampamento junto à lagoa do Paraguai (Laguna Porã), onde hoje é a cidade de Pedro Juan Caballero, o senhor Nazareth veio com sua esposa, fato este que gerou então o nascimento do primeiro Pontaporanense de nome Boaventura Nazareth, nascido segundo registro no dia 14 de julho de 1881, o mesmo só pode ser registrado no cartório de Nioaque a 250 km de distância de Ponta Porã, por ser lá o local com cartório mais próximo.
  Segundo levantamento histórico muito bem relatado no livro de Elpidio Reis Ponta Porã Polca Churrasco e Chimarrão de 1981, o primeiro a se fixar na cidade em 1892, foi o capitão João Antônio da Trindade, carioca natural da capital Rio de Janeiro, veterano da guerra da tríplice aliança um herói reconhecido a nível nacional principalmente por ter participado na campanha militar da Retirada da Laguna.
  O senhor Trindade se fixou na cidade de Ponta Porã com sua família, foi ele o primeiro morador que realmente se estabeleceu no local onde efetivamente se formou a cidade de Ponta Porã e mencionado segundo registro do historiador entre outros pesquisadores e escritores da época, que neste período, somente existia fixo no local um posto fiscal que tinha a incumbência de arrecadar impostos referentes à exploração de erva mate, o responsável por tal posto fiscal era o senhor Emílio Calhau.
  Segundo relatos da época o inicio do povoamento de Ponta Porã foi à região de periferia onde é mencionado que existia um vasto brejo sendo este um grande atoleiro de fato quase impenetrável, hoje o mesmo não existe mais nem a mata virgem que existia próximo deste brejo na região norte o que limitava essa área era a cabeceira do córrego São João e ao Sul a cabeceira o córrego Estevão, próximo dos marcos feito em madeira, esta de lei, que indicavam o limite da linha divisória com Paraguai.

Foto arquivo pessoal de Maria Guarani Kaiowá Barcellos: João Antonio da Trindade (Capitão), primeiro morador efetivo da região de Ponta Porã. Segundo informações de historiadores um dos heróis da retirada da Laguna, sendo o primeiro juiz de paz de Ponta Porã, era considerado um dos homens mais cultos da região, morou na cidade até seu falecimento em 11 de novembro de 1920.

  Este distinto morador Senhor João Antonio da Trindade faleceu em Ponta Porã em 11 de novembro de 1920 segundo informações de seus descendentes e de historiadores e mencionado no livro de Elpídio Reis, o senhor Trindade era considerado em sua época um homem mais culto existente na cidade, desta forma cabia a ele um papel fundamental no desenvolvimento sócio-político cultural na pequena cidade que estava começando a se constituir de forma mais efetiva e menos transitória de seus moradores no perímetro urbano.
 Arquivo pessoal de Maria Guarani Kaiowá Barcellos:  Bisavô de Maria Guarani Kaiowá Barcellos Júlio Alfredo Mangini, primeiro professor de Ponta Porã.

Arquivo Pessoal de Maria Guarani Kaiowa Barcellos: Dona Olimpia, bisavó de Maria Guarani, esposa de Julio Alfredo Mangini, considerado o primeiro professor de Ponta Porã, Dona Olimpia era filha de João Antonio da Trindade que é considerado o primeiro morador da região onde hoje é Ponta Porã, foi o primeiro Juiz de Paz da cidade.

  Contudo não podemos creditar ao senhor Trindade o título de primeiro morador dentre tantos outros que por aqui passaram, mas que fique claro que ele adotou a fronteira como seu porto seguro sua última parada, o que podemos dizer e que Ponta Porã vem evoluindo, crescendo ao decorrer das décadas através de sua população oriunda de várias partes do Brasil e de outros lugares do mundo.
  Que seja registrado que o senhor Trindade indiscutivelmente foi o primeiro a se fixar e a contribuir na formação da cidade, sua dedicação contribuiu grandemente para o desenvolvimento desta região.
Resgatar fatos épicos de uma região é respeitar todos os pioneiros que deixaram suas marcas na história para ser contada.

Pesquisador: Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS. 

Ponta Porã Linha do Tempo: De vilarejo a distrito. A lenta evolução de Ponta Porã na virada do XIX, início do século XX na região fronteiriça.


  “Agora tire o chapéu tamo chegando no céu, é aqui meu Mato Grosso, este gigante colosso...Hélio Serejo, Canto Caboclo”.
  No período histórico que foi vilarejo, o lado brasileiro recebia o mesmo nome da vila existente no lado paraguaio, ambas se chamavam “Punta Porã”.
“Aconteceu que o lado paraguaio acabou recebendo o nome oficial de Pedro Juan Caballero, em homenagem a um dos libertadores do Paraguai”. Elpidio Reis. 1981.
  Com as escolha de um novo nome do lado paraguaio para a distinta cidade irmã,  no lado do Brasil o nome de “Punta Porã” abrasileirou se para “Ponta Porã” desta forma cada local seguiu rumo ao seu desenvolvimento, que visivelmente era bem melhor e mais atrativo na cidade do país vizinho de acordo com relatos  de pesquisadores da época.
  Os problemas evoluem ou permanecem? Para tentar compreender o presente temos que analisar os fatos do passado através de escritores de outras épocas, que sensibilizados e preocupados com os problemas existentes no pequeno vilarejo do lado brasileiro, relatavam estes eventos do cotidiano de uma fronteira da virada do século XIX.
A falta de garantias nesta parte da fronteira era completa, pela ausência de autoridades. Desde a retirada do destacamento comandado pelo Alferes Nazareth a zona ficou entregue à sua própria sorte”. ROSA, apud. REIS. ELPIDIO. 1981 p. 61.
  No ano de 1897 chega a Ponta Porã o militar Francisco Marcos Tupy Serejo, sendo ele major do exército, um legitimo veterano da guerra da “Tríplice Aliança” ou “Guerra do Paraguai” o mesmo fora incumbido de um destacamento neste período histórico de 20 soldados (praças) e um sargento pertencentes ao 7º Regimento de Cavalaria, ficaram sobre o comando do Major Serejo integrantes “praças” da milícia do Estado, dentro de suas atribuições estava à administração da Agência Fiscal, para que o mesmo realiza se a devida cobrança dos impostos devidos sobre a exportação da erva-mate para o Paraguai e impedir de forma efetiva o contrabando na região de fronteira, este fato histórico fora publicado no livro de Elpídio Reis Polca churrasco e chimarrão de 1981.
  Na virada do século em 10 de abril de 1900 através da resolução de nº 255, o Governo do Estado cria a Paróquia de Ponta Porã, sendo neste período nomeado o militar João Antônio da Trindade, capitão, o mesmo um dos heróis da “Retirada da Laguna”, exerceu a função que o cargo lhe atribuía por doze anos, tendo como escrivães, sucessivamente, os cidadãos da época Orcílio Freire, Júlio Alfredo Mangini e Policarpo de Ávila.

Foto arquivo pessoal de Maria Guarani Kaiowá Barcellos: João Antônio da Trindade (Capitão), primeiro morador da região de Ponta Porã chegando a meados de 1892. Segundo informações de historiadores um dos heróis da retirada da Laguna, foi o primeiro juiz de paz de Ponta Porã, era considerado um dos homens mais cultos da região, morou na cidade até seu falecimento em 11 de novembro de 1920.

  A primeira Escola Mista de Ponta Porã foi cria da com a Lei Nº 294 de 11 de abril de 1901, sendo nomeado como professor o senhor Júlio Alfredo Mangini.

   

Arquivo pessoal de Maria Guarani Kaiowá Barcellos: Seu Bisavô Júlio Alfredo Mangini, primeiro professor da região fronteiriça, português residente em Ponta Porã naturalizado brasileiro, pela grande naturalização concedida pela República e 1889.


Arquivo Pessoal de Maria Guarani Kaiowa Barcellos: Dona Olímpia, bisavó de Maria Guarani, esposa de Júlio Alfredo Mangini, considerado o primeiro professor de Ponta Porã, Dona Olímpia era filha de João Antônio da Trindade que é considerado o primeiro morador a se fixar na região onde hoje é Ponta Porã.
  
  Ponta Porã neste período histórico de sua formação estava subordinada à jurisdição da Comarca de Nioaque, posteriormente vinculando se ao Distrito Policial de Bela Vista, quando foi criado o Município de Bela Vista. A evolução de Ponta Porã foi lenta, sendo uma pequena sede de um Distrito de Paz da região, em sua localidade existia somente uma pequena escola, que era única na extensão da faixa de fronteira.
  A população de Ponta Porã teve um relativo aumento conforme a chegada das caravanas de famílias oriundas do Rio Grande do Sul que se fixavam na região, segundo levantamentos publicados pelo pesquisador e escritor Elpídio Reis.
  Desta forma percebemos que ao longo do povoamento da região, muitos viajantes passaram por essa fronteira, a exemplo da família Ribeiro, Vargas, Silva e Bueno, um destes migrantes o patriarca Roberto da Silva Bueno juntamente com sua esposa Maria Rodrigues e filhos, um deles o senhor Gumercindo Bueno, outra família era composta por Zeferino Vargas e sua esposa Bernadina Ribeiro, que viajavam com seus filhos e filhas uma delas Ramona Ribeiro Vargas, ambas as famílias oriundas do Rio Grande do Sul em especial de São Borja, os mesmos eram integrantes destas comitivas e tropeiros que chegavam e partiam da região, tais famílias tinham como parada final a região de Rincão de Julho próximo a Sanga Puitã (que significa córrego vermelho) e Rio Verde do Sul que se localiza próximo a Taji (tagy), e a antiga Colônia Dutra, hoje Município de Aral Moreira, como demais localidades da região.

Foto de 1919 de Luiz Alfredo M. Magalhães. Publicada no livro um Homem de Seu Tempo, uma biografia de Aral Moreira, “intensa movimentação das carretas ervateiras”. Isso se deu no início do século na região fronteiriça, onde muitos desbravadores oriundos das mais diversas localidades e regiões do Brasil, principalmente do Sul do país, iniciaram seus cultivos e criações, nas estancias (fazendas) que estavam se formando na fronteira.

  Dificuldades e problemas existem há milênios, e sempre irá existir, o que devemos aprender com os pioneiros do passado, que dentro de suas lutas, ter a sabedoria de criar soluções práticas para tais empecilhos que prejudiquem o desenvolvimento e o crescimento de uma cidade e região. Viver o presente pensar no futuro, mas nunca se esquecer do passado assim se faz uma nação forte, pois um povo sem memória é um povo sem história.


Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federias). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação, membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.