quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ponta Porã Linha do Tempo:



Ponta Porã Linha do Tempo: Foto Arquivo da Família Rodrigues (Francisco Rodrigues in memoriam). Acervo de Carlos Morel. Francisco Rodrigues e sua esposa Joaquina Rodrigues, recebendo uma foto como lembrança do seu filho Adriano Rodrigues, que neste período histórico tinha 11 anos de idade. imagem de 1945.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ponta Porã Linha do Tempo. Há 37 anos o sonho dos gaúchos tradicionalistas fronteiriços se realizava, surgia o CTG-Querência da Saudade na região.

·         Yhulds Giovani Pereira Bueno.


“Em matéria de Clube, Ponta Porã tem, desde 1978, um que merece referência especial: é o Centro de Tradições Gaúchas – Querência da Saudade e que já nasceu vitorioso. Fundado por um grupo de gaúchos e filhos de gaúchos, logo no primeiro ano o CTG começou a construção de uma sede campestre em terreno localizado a 6 km do centro da cidade, com 1500m² de área construída, onde já se acham prontos: salão restaurante, gabinete médico, sanitários, cozinhas, etc...” ELPIDIO REIS, Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 128


Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto do fim da década de 70 CTG Querência da Saudade em destaque da esquerda para direita, Sebastião Roncatti e sua esposa Diomar Roncatti, de chapéu e bigode Alberi Venâncio posteiro da época, Godofredo Sady Bueno (in memoriam) um dos sócios fundadores do clube e sua esposa Deidamia Amarilha Godoy, em frente ao tradicional do bolicho do cocho velho.

Ponta Porã cidade fronteiriça carinhosamente apelidada como “Princesinha dos Ervais”, de histórias marcadas por fatos ricamente relatados por historiadores e escritores sul mato-grossenses, com Elpídio Reis, e de inúmeras pessoas que aqui fixaram sua morada, como também de descendentes que aqui cresceram, escutando e repassando essas histórias da criação de nossa cidade de nossa rica fronteira.


Arquivo pessoal Deidamia Amarilha Godoy: Baile Realizado no salão Paroquial São José Ponta Porã 1977, o referido baile foi para formalizar a composição, formação e construção do CTG Querência da saudade de Ponta Porã, com seus primeiros sócios fundadores. Em destaque na foto, Sebastião Silva e sua esposa Diomar Roncatt ladeado de Godofredo Sady Bueno (in memoriam) e Sua Esposa Deidamia Amarilha Godoy.

“Começam a chegar a Mato Grosso as comitivas do Rio Grande do sul, as causas dessa epopeia. Terminada a guerra do Paraguai, em 1870, a zona sul de Mato Grosso se tornara conhecida pelos componentes da coluna do general Câmara, que operou nas cordilheiras de Amambaí e Maracaju, na sua fase final. Feita a desmobilização, os que regressaram à sua província natal Rio Grande do Sul levaram a notícia de que aqui existiam campos devolutos, próprios para criação de gado, e imensas matas virgens, onde se encontrava a erva-mate nativa.” ELPIDIO REIS, Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 49.


Foto Arquivo da Família Rodrigues (Francisco Rodrigues in memoriam).  Acervo de Carlos Morel. Dom Rodrigues uruguaio trajado com vestimentas típicas da época (pilcha), patriarca da família Rodrigues pioneira na formação de fazendas estâncias ervateiras na região fronteiriça na virada do século XIX.

No fim do século XIX e início do século XX, neste período histórico da região fronteiriça ocorreu uma grande migração do sul do país principalmente do Rio Grande do Sul, “gaúchos”, que juntamente com as comitivas e tropeiros, vieram em busca de novas oportunidades existentes na imensidão de terras de Mato Grosso, isso se deu principalmente por fatos ocorridos no seu estado, à revolução de 1893 a 1895, entre elementos do que defendiam as causas do Partido Federalista e defensores das causas do Partido Republicano, este fato contribuiu para uma grande saída em massa do estado do Rio Grande do Sul, para fugir deste conflito várias famílias sulistas migraram para a região de fronteira. Vale ressaltar que o Partido Republicano saiu vitorioso neste conflito.

Os colonos gaúchos, por longos anos trabalharam a terra, muitas pastagens foram formadas, a exploração da erva mate, sendo um dos percussores Tomas Laranjeiras, que ajudou no desenvolvimento econômico da região, sendo grandemente explorada, por este motivo à cidade de Ponta Porã ganhou o apelido de “Princesinha dos Ervais”, o café também foi muito explorado por longos anos substituído com a mudança climática e econômica do país ao longo dos anos a soja invadiu os campos fronteiriços, à exploração de madeira que proporcionou a criação de centenas de madeireiras em pleno funcionamento até meados da década de 80 a grande maioria sendo afiliado de empresas da Região Sudeste.

Agropecuária e o que atraiu mais os gaúchos a região de fronteira, que mesmo com seus ganhos e com as famílias fixadas sentiam falta, saudade dos pampas rio-grandenses, por tais motivos juntamente com a vontade de vencer trouxe em sua bagagem a cultura o modo de ser e existir, os costumes tradicionalistas. 


Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto da década de 70 do início da formação do CTG Querência da Saudade, membros da diretoria e invernada do clube, neste evento recebendo diplomação do primeiro curso de formação de dança artística cultural promovida para sócios e membros das invernadas do clube.

Uma cultura gaúcha, que se destaca o churrasco que foi brilhantemente narrado por Elpídio Reis.

“Churrasco. Os Pontaporanense são, como poucos, afeiçoados ao churrasco. Tudo é motivo para um bom churrasco. Festa de noivado, de casamento, por exemplo, tem que ter um grande churrasco. Quando o filho completa o primeiro ano, mais outro churrasco. Se um fazendeiro convoca a vizinhança para um mutirão ou “puxirão”, como se diz nas fazendas da fronteira, o almoço churrasco. Se é dia de marcação de bezerrada outro churrasco”. ELPIDIO REIS, Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 63. 


Arquivo pessoal Deidamia Amarilha Godoy: CTG Querência da saudade Ponta Porã grupo xiru década de 80, em destaque Deidamia Amarilha Godoy (Dada) e Godofredo Sady Bueno, de óculos ao fundo da imagem, Ângelo Perin idealizador e primeiro patrão do CTG.

Com um grandioso churrasco e muita festa a primeira reunião oficial dos gaúchos, descendentes e admiradores desta cultura sulista, para abraçar a causa do gaúcho Ângelo Perin, que depois de vir de uma de muitas de suas viagens do Rio Grande do Sul e de ver como estava a formação dos Centros tradicionalistas, os famosos CTG, idealizou a construção de um CTG em suas terras localizadas a aproximadamente 6 km do centro de Ponta Porã, na BR 164 na saída que leva a cidade vizinha Antonio João, para que o mesmo servisse de ponto de encontro para os antigos e novos descendentes de gaúchos da região fronteiriça, um clube de referências às tradições gaúchas, para tal empreitada contou com apoio e ajuda de muitos que dividiram e compartilharam deste ideal tradicionalista, o primeiro encontro oficial foi no salão da igreja matriz São José, localizado na Av. Brasil em 1977, reunindo a sociedade Pontaporanense e futuros sócios fundadores.



Arquivo pessoal do amigo Rodrigo Perin, seu pai Ângelo Perin idealizador e primeiro patrão do CTG Querência da Saudade de Ponta Porã – MS, discursando na sede do clube.

O CTG Querência da Saudade foi percussor na região fronteiriça no tradicionalismo gaúcho, incentivando outros a construir seu CTG, dar seguimento e propagar essa rica tradição, com passar dos anos grandes bailes ocorriam na sede do CTG, eventos que eram apreciados de tal maneira que gaúchos dos quatro cantos do país prestigiavam, convites eram reservados com meses de antecedências, o baile das debutantes fronteiriças de famílias tradicionais de nossa cidade, era um dos eventos mais esperados do ano, onde tantos os tradicionalistas, como a sociedade fronteiriça comparecia enchendo o salão do clube, para apreciar a glamorosa festa, que sempre era brindado com um excelente grupo oriundo do Rio Grande do Sul. 


Arquivo CTG Querência da Saudade: FEGAMS 1989 a origem do evento cultural da tradição gaúcha em Mato Grosso do sul.

Nada se faz só, sempre ao lado existem companheiros e companheiras tradicionalistas sempre a postos para dar suporte, esses inúmeros tradicionalistas e admiradores desta cultura, que sempre se fazem presentes quando necessário.

Viver o presente planejar o futuro se faz necessário, mas nunca se esquecer dos pioneiros do passado, como Ângelo Perin gaúcho tradicionalista, que concretizou um ideal, acreditando que era possível realizar esse sonho, de proporcionar uma parada, que a mesma servisse referencia a tantos gaúchos saudosos da sua pátria o Rio Grande do Sul.

Que sirvam de espelho os acontecimentos passados, que esses fatos não se apaguem da memória das novas e futuras gerações, que a história reverencie eternamente estes pioneiros, que proporcionaram a tantos o prazer de viver dentro do tradicionalismo gaúcho, aos futuros patrões que sempre consigam manter viva essa chama da cultura na região fronteiriça. 


Pesquisador e historiador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia Científica em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação, membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS

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domingo, 11 de janeiro de 2015

Ponta Porã Linha do tempo: A formação das fazendas e os bailes, no tempo dos ervais na região fronteiriça.

·         Yhulds Giovani Pereira Bueno.

“A força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável”.  Mahatma Gandhi

O desenvolvimento de uma região se faz necessário para que o progresso chegue, e com ele venha às novidades de novas tecnologias, para seguir amenizando as dificuldades do inicio da colonização, que os pioneiros tiveram que vencer para construir o seu sonho com sangue, suor e lagrimas na formação da região fronteiriça.

No inicio da formação das fazendas na região, nada foi fácil para quem se aventurou por estas terras vastas e misteriosas, que antes da divisão política dos estados brasileiros era composto por onde se localiza os estados de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, essa imensidão territorial estava longe dos grandes centros já em formação no Brasil.

“Começam a chegar a Mato Grosso as comitivas do Rio Grande do sul, as causas dessa epopeia. Terminada a guerra do Paraguai, em 1870, a zona sul de Mato Grosso se tornara conhecida pelos componentes da coluna do general Câmara, que operou nas cordilheiras de Amambaí e Maracaju, na sua fase final. Feita a desmobilização, os que regressaram à sua província natal Rio Grande do Sul levaram a notícia de que aqui existiam campos devolutos, próprios para criação de gado, e imensas matas virgens, onde se encontrava a erva-mate nativa.” ELPIDIO REIS, Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 49.


 Esta região neste período da formação histórica fronteiriça servia como parada de tropeiros e viajantes, esses oriundos principalmente do sul e de outros países que visualizavam oportunidades principalmente na exploração de erva mate entre outras riquezas minerais existentes.  


Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50. Empreitada para formação de novas pastagens na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem da esquerda para direita, Godofredo Sady Bueno, seu pai Gumercindo Bueno (in memoriam) juntamente com os peões e os cachorros perdigueiro que o auxiliavam.

Como eram as fazendas: “As fazendas do meu tempo de menino, na região de ponta Porã, eram semelhantes às outras. O casarão onde morava a família do fazendeiro, o imenso galpão onde se acomodavam os peões e ao lado, a mangueira (curral) para os trabalhos com o gado. Nos Fundos, a “encerra” onde se criavam os porcos. As casas das fazendas eram construídas, quase sempre, à beira do mato, perto de riacho. As roças ficavam perto”. Reis. Elpidio – Ponta Porã polca Churrasco e Chimarrão, p. 78.


Arquivo pessoal de Deidamia Amarilha Godoy: Foto década de 50 na fazenda pertencente na época do Drº Henrique Grion, localizada na região do “guaymbé” próximo a lugar denominado “naranja hai” que quer dizer (laranja azeda). Na imagem Deidamia segurando sua filha Maura Lucia Bueno neste período com poucos meses de vida

Neste período histórico as fazendas da região tinham praticamente produzir quase tudo que necessitavam para o consumo, pois à distância e o difícil acesso dificultava o transporte de condimentos e mantimentos, desta forma se deslocar até o “bolicho” (mercadinho antigo que vendia de tudo) era se não a cada 15 dias, uma vez por mês ou dependendo passava se mais de mês sem sair da fazenda.

“Sal, trigo, tecido, ferramentas para o trabalho na agricultura, metais para uso em montarias, pregos, dobradiças, baldes, roldanas, querosene, arame, eram comprados, açúcar, a maioria dos fazendeiros não comprava, pois o uso do chamado açúcar crioulo era generalizado. Geralmente o que o fazendeiro não produzia recebia em troca de produtos de sua fabricação”. Reis. Elpidio – Ponta Porã polca Churrasco e Chimarrão, p. 78.

Mas nem tudo era somente trabalho neste tempo bailes hora ou outra saia um na região, esse só poderia ser frequentado por convidados, o anfitrião ou dono da festa ditava as regras que dependendo de quem era o estancieiro essas seriam mais severas ou mais brandas, mas dentro da moral e bons costumes da população local, tudo era providenciado e realizado dentro dos galpões ou em baixo das ramas tudo limpo e organizado e bem iluminado, os cavalos ou pingos como eram chamados nesta época eram conduzidos para os estábulos ou curral para lá ficarem até o fim da festança ou o proprietário seguir sua estrada, toda arma seja de fogo, facas, punhal  entre outras eram deixadas na portaria onde o dono da festa guardava para evitar qualquer tipo de transtorno durante o baile, todos os pertences no final eram devolvidos.

Os bailes geralmente eram em comemoração a algo, como foi relatado por Elpídio Reis: “Churrasco. Os Pontaporanense são, como poucos, afeiçoados ao churrasco. Tudo é motivo para um bom churrasco. Festa de noivado, de casamento, por exemplo, tem que ter um grande churrasco. Quando o filho completa o primeiro ano, mais outro churrasco. Se um fazendeiro convoca a vizinhança para um mutirão ou “puxirão”, como se diz nas fazendas da fronteira, o almoço churrasco. Se é dia de marcação de bezerrada outro churrasco”. ELPIDIO REIS, Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 63.

Durante a o baile tudo era monitorado se alguém não cumprisse as regras era convidado para se retirar e assim manter a ordem. “As pistas de danças era ao ar livre, ou melhor, em baixo de uma ramada, com muito lampião dependurado. Muita luz, enfim. Em dado momento um moço beijou a testa da namorada, com quem dançava. O dono da casa, de olhos atentos, viu. Fez o par parar de dançar e ordenou que o rapaz se retirasse do baile e fosse embora e a moça foi para o quarto chorar”. Esse fato foi escrito por ELPÍDIO REIS, no seu livro Ponta Porã Polca, churrasco e chimarrão, Rio, 1981. Pág. 78. Segundo relatado, os pais da moça aprovaram a atitude do dono do baile, pois fora uma atitude em defesa da moral e bons costumes, e desta forma o baile continuou até o sol raiar. Isso em outros tempos em uma época distinta da formação e povoamento da região fronteiriça.

Esta era uma festa, baile considerado de primeira categoria onde eram mantidas as regras e dificilmente sairia um entrevero ou morte, mas como em todo lugar e época existia também os famosos bailes de segunda categoria, ou até os de terceira e assim por diante essas moças e rapazes de família não frequentavam esses bailes.

 Estes bailinhos fora descrito por Reis apud Serejo. 1981. “Arrasta-pé! Bailezito sertanejo, meio musiquiado, meio bochincho; festa de beira-de-mato, improvisado por uma nha ou por um caraí, a fim de vender batida, bolo, doce, bebida, chipa, amendoim torrado, rapadura de leite, churrasco e garapa”. Entreveros (brigas desavenças) ocorriam depois de tudo acertado à festança seguia menos para os valentões, pois um ou outro, sempre saia machucado.

E desta forma seguiu o crescimento e formação de novas fazendas estâncias, que dentro da evolução e povoamento da região onde pouco a pouco novos moradores e nascidos se fixaram na região,  contribuindo com o desenvolvimento desta vasta terra de histórias épicas que ficaram marcadas na memória nacional e no coração do povo fronteiriço.

Dificuldades e problemas no cotidiano de uma população existem, e sempre irá existir, o que devemos aprender com os pioneiros do passado, que dentro de suas lutas, ter a sabedoria de criar soluções práticas para superar os empecilhos que prejudiquem o desenvolvimento e o crescimento de uma cidade e região.

Viver o presente pensar no futuro, mas nunca se esquecer do passado assim se faz uma nação forte, pois um povo sem memória é um povo sem história. 


Pesquisador: Prof. Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Ponta Porã Linha do Tempo: Narrativas de fatos históricos culturais. Causos e lendas da região fronteiriça.

A lenda do piano da madame Lynch, a primeira dama a eterna companheira de López.

"As mulheres são os arquitetos reais da sociedade." (Harriet Beecher Stowe).

*Yhulds Giovani Pereira Bueno.

Ao lado de um grande homem sempre terá uma grande mulher, não diferente dos grandes estadistas e imperadores López escolheu para sua companheira uma guerreira que o acompanharia até seus últimos dias nos campos de batalha.

Muitas histórias e lendas cercam a vida épica da madame Lynch amada e rejeitada por muitos em seu tempo.


Vamos fazer uma breve analogia de Elisa Alicia Lynch, pois segundo fontes históricas nasceu em Cork cidade localizada na Irlanda, em 1834. Depois de ter um breve casamento, isso ocorreu quando ela tinha 15 anos, seu primeiro marido fora um renomado cirurgião francês. Lynch era uma bela irlandesa sua origem se mostrou latente em suas atitudes firmes sempre apoiando López nos campos de batalha.


“Madame Lynch le dio a Solano López cinco hijos. Se transformó en la hacendada más importante del país cuando Solano López le transfirió buenas partes del Paraguay y porciones de Brasil a su nombre durante la guerra pero no retuvo nada cuando la guerra terminó”. Fonte e imagem, http://narraciones.tripod.com/paraguay/cap07.html

Lynch conheceria Solano López o herdeiro da dinastia “López” segundo relatos de pesquisadores, historiadores e escritores em janeiro de 1854, em Paris, pois ambos frequentavam a corte de Napoleão III, já neste período histórico foi feito general e presidente, após a consolidação destes poderes López fora à Europa para através de apoio adquirir barcos e armas. Lynch e López jamais se casariam isso se deu devido a seu matrimônio anterior, mas juntos teriam cinco filhos.

Desta maneira se tornou conhecida como "madame (senhora)" e muitas vezes apontada como "cortesã" pelos opositores de López, esses críticos ferrenhos (inflexíveis) nesse período histórico do estilo parisiense que López impôs ao seu país, mas através deste estilo refinado de vida, ele foi incentivando a música e a arte e concentrando enorme poder, o que fez acumular muitos inimigos e também centenas admiradores fieis que o apoiariam até a sua morte.

Não vamos nos aprofundar nos eventos que culminaram na guerra da “tríplice aliança a Guerra do Paraguay” ou as circunstancias de acontecimentos épicos, e sim uam narrativa histórica cercada de mistérios, que até os dias atuais ainda paira no ar da região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, fronteira essa que faz parte do desfecho final da “Guerra do Paraguay”.

Segue fato transmitido de forma “oral” por gerações, contado por quem conviveu e cresceu escutando as histórias e lendas da região de fronteira, principalmente dos tesouros escondidos durante a guerra, os famosos (achados ou enterros de López), que antes da ”Retirada da Laguna”, evento esse que foi narrado e retratado no livro de Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, primeiro e único visconde de Taunay, este fora um nobre aristocrata brasileiro, que também em seu tempo exercia as profissões de: escritor, artista plástico, professor, engenheiro, militar, historiador e sociólogo.

Muitas das comitivas que acompanhavam López no período da guerra transportavam seus “tesouros” dos mais variados e valiosos, madame Lynch também tinha os seus valiosos pertences, entres esses um lindo piano de estilo europeu, que segundo a lenda (causo) contada ecoava pelos campos e pelas serras quando tocado por ela, o som era tão lindo que até os inimigos paravam para escutar. 

“Nacido en 1826, Francisco Solano López fue el segundo y último gobernante de la dinastía López”.  Fonte e imagem, http://narraciones.tripod.com/paraguay/cap07.html

Segundo lenda (causo) quando ouve a “Retirada da Laguna”, para proteger seus pertences, muitos enterraram, outros enviaram a diferentes locais, mas madame Lynch segundo lenda contada juntou todas suas joias como também ouro e prata, guardando tudo que conseguia dentro de seu piano, segue história que durante a “Retirada da Laguna” e o confronto final na região do “Cerro Corá”, o piano de madame Lynch desapareceu, muito mistério e lendas cercam este fato da historia da guerra, que não consta nos registros históricos ou nas enumeras bibliografias editadas dentro e fora do continente, sobre o maior confronto armado da América do Sul, pois é relatado pelos fronteiriços que contam suas histórias e lendas repassando de geração em geração.

A lenda do piano de madame Lynch e seus tesouros são rodeados de muitas histórias cheias de mistérios. Uns dizem que o piano fora enterrado próximo da “Laguna”, outros que fora levado junto com López para “Cerro Corá” e ainda esta escondido naquela região, pois muitos que por ali passam, escutam o som do piano nas matas e cerros, tem aqueles que contam através de seus causos da guerra, que fora enterrado pela própria madame Lynch junto ao corpo de López, mas a maioria defende que achado pelos soldados da “Tríplice Aliança”, o fato é que suas riquezas despertam até hoje a cobiça de muitos que se pudessem, se aventurariam para achar o piano de madame Lynch e todas suas riquezas épicas.

Mas alguns fatos foram levantados por um historiador conterrâneo de madame Lynch o Irlandês Michael Lillis, desde que o seu trabalho de investigação se intensificou, em 1999, alguns dos mitos em torno de "madame Lynch" caíram, como a história de que teria morrido na miséria e sepultada como indigente. Segundo Lillis, isso faz parte da mitologia positiva do sobre o assunto.

Lillis em visita a casa em que ela morreu, em 1886 relata que fora uma das melhores casas de Paris em sua época, pesquisando sobre a história da bela casa, segundo relatos repassados por gerações sobre casa Parisiense onde madame Lynch morou até sua morte, que todos que passavam pela rua naqueles tempos escutavam um lindo som de piano que saia de dentro da casa se misturando com o vento. 

Outro ponto levantado pelo pesquisador Lillis, é que madame Lynch fora sepultada em um cemitério reservado somente as elites daquele período em Paris.

Hoje sua bravura é respeitada, seus feitos heroicos e o fato de nunca ter abandonado Lopez, fez com que todos de forma direta e indireta a reconheçam como heroína em seu tempo.

Respeitar o passado é reverenciar a todos aqueles que de alguma maneira contribuíram para a evolução história cultural de uma nação, pois história vira lenda e lenda vira causo na região fronteiriça. 

Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Soldados do destacamento do 11º RC década de 40 em patrulhamento.

Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem de soldados do destacamento do 11º RC década de 40 com o jeep que fazia neste período histórico o patrulhamento na região de fronteira para desta forma coibir o contrabando na região.

Soldados do destacamento do 11º RC década de 40 Ponta Porã MS


Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem de soldados do destacamento do 11º RC década de 40 no primeiros nos de formação do Regimento de Cavalaria em Ponta Porã.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ponta Porã linha do tempo: Causos da região fronteiriça. Bandoleiro “BARULHO” o terror das patrulhas volantes

·         Yhulds Giovani Pereira Bueno.

“Quando cubro um macaco na mira do meu rifle, ele morre porque Deus quer; se Ele não quisesse, eu errava o alvo.” Virgulino Ferreira da Silva. “Lampião”. Rei do cangaço (BANDOLEIRO) nordestino no início do século XX.

Desde que o mundo existe, os conflitos e a violência fizeram e continuam a fazer parte do povoamento e desenvolvimento, durante a expansão territorial no contexto sociocultural do ser humano, isso registrado em documentos, escrituras inseridas nas mais diversas civilizações e religiões, não que isso seja certo, longe de se fazer uma apologia à violência ou reverencia-la, mas infelizmente faz parte do cotidiano histórico da população no passado e presente, não diferente na fronteira os entreveros que no dicionário informal significa: (brigas, discussão, confusão, desavenças etc...), sempre foram marcas desta região.

            Em certo dia lá pelos idos de 1930 apareceu na região fronteiriça um viajante, pelas vestimentas só podia ser mais um do Rio Grande do Sul, este veio a se aventurar por estas terras, pela maneira de falar e de se portar logo ficou conhecido como “Barulho” um típico bandoleiro, mas o que é bandoleiro? Definido no dicionário sendo uma pessoa que não para em lugar nenhum anda de um lugar para o outro a procura de diversão.

            Neste período histórico muitos viajantes passavam pela região, como as comitivas e tropeiros para aqui fazer sua parada e negociar terras e suas mercadorias, a compra e venda era algo corriqueiro, principalmente de gado e cavalos, isso ocorria nos dois lados da fronteira.


“Nem todos os integrantes das comitivas que vinham do Rio Grande do Sul, via Argentina e Paraguai, se dirigiam, logo de chegada, para os campos mato-grossenses, visando à fundação de fazendas. Muitos, pelos mais variados motivos, preferiam acampar no vilarejo de (Punta Porã) Ponta Porã”. Elpídio Reis.


Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto década de 40. Acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem da fazenda de criação de gado na região do Maemi próximo a Rincão de Julho.   

No inicio Barulho” ficou conhecido na região como negociante de gado, cavalo e mercadorias, pegava empreitadas e sempre estava viajando, visto aqui ali como se diz na fronteira, hora ou outra tinha no lombo do cavalo um volume grande bem enrolado, mas com o passar do tempo descobriu que o mesmo vitimava os viajantes e tropeiros da região, e que os volumes que carregava no lombo do cavalo eram os corpos de suas vitimas.
Os corpos eram levados ao um poço localizado na região do “Rincão de Julho”, este poço ninguém ao certo sabe quem teria feito se o próprio “Barulho” ou se esse já existia, o fato que o poço era utilizado para ser depositado às vitima. Por anos “Barulho” estava realizando tal façanha trágica, envolvido em roubo de gado e cavalo, logo a fama de quatreiro (na língua espanhola se lê cuatrero, bandido, assaltante) se espalhou e o mesmo começou a ser perseguido pelas “Patrulhas volantes” da região fronteiriça.

Os estancieiros da região já algum tempo estavam desconfiados das atitudes de “Barulho”, que já começara a vitimar pessoas próximas do seu convívio dentro do seu circulo de conhecidos e amizades, como não existe crime perfeito um dos ataques de “Barulho” fracassou, pois foi recebido a tiros na pequena estância que era do seu compadre, o mesmo alegou que estava de visita, em uma hora meio estranha, por ser de madrugada, na calada da noite sem avisar e direcionada aos gados da estância.

Sem sucesso e para complicar mais a vida de “Barulho” este quatreiro, o famoso poço com os corpos fora achado por nativos (índios) da região, o alvoroço estava feito algumas dúzias de corpos, alguns a mais de anos, nem todos os corpos foram retirados pelo estado que se encontravam, o poço foi lacrado sendo este o tumulo para as vitimas, muitas delas desconhecidas, pois poderiam ser viajantes e tropeiros, que passavam pela região. A revolta tomou conta dos valentes da região, os estancieiros e a peonada juntaram forças e  formaram as “Patrulhas Volantes” para fazer a varredura e captura do “Barulho”, agora conhecido como bandoleiro e quatreiro sanguinário.

“Entre os ervateiros paraguaios sempre foi conhecida como patrulha bolante, Tanto do lado brasileiro como no lado paraguaio a sua missão era esta: prender se possível, ou matar, na fuga”. SEREJO, Hélio. Pialando... No Mas, p. 81.

Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), o mesmo era um admirador da arte de tirar fotos. Esta imagem estancieiros que formavam as famosas “Patrulhas Volantes” da região do Maemi nas proximidades de Rincão de Julho década de 40.

“Barulho” agora tinha ao seu encalço as “Patrulhas volantes” que certo dia reuniu mais de 200 homens valentes da região para realizar a caçada final ao temido “Barulho” o cerco se estendeu por toda região, a caçada foi árdua, pois quando avistava alguma “Patrulha Volante”, “Barulho” trocava tiros e conseguia se esgueirando escapar, (esgueirar é definido no dicionário como sair às escondidas sorrateiramente).

O desfecho da perseguição se deu perto da fronteira próximo a região de Potrero Ortiz. (Potrero definição dentro da língua espanhola El que cuida de los potros dehesa, lugar destinado a la cria y pasto de ganado cabalar), na região conhecida como “cipoal” (cipó nativo), segundo relato de quem sabe de tal história, já cansado pela fuga e praticamente cercado “Barulho” se enterrou em um lamaçal próximo a um alagado, deixando somente o nariz para fora assim poderia respirar, quando os volantes se aproximavam ele se enterrava mais para não ser notado e só tirava o nariz para fora quando percebia que a Patrulha já estava longe.

Achando que todas as “Patrulhas Volantes” já haviam passado, ele não imaginava que um dos volantes ficou para traz arrumando os arreios do cavalo já cansado de tanto cavalgar na captura do quatrero, “Barulho” se desenterrou da lama e se deparou com o volanteiro na sua frente ao tentar sacar seu revolver o mesmo sujo de lama falhou, algo que não aconteceu com arma do volanteiro que sem piedade ou remorso descarregou a munição no quatreiro que tombou no lamaçal, agora para nunca mais tirar o nariz ou se levantar da lama.

Com os pipocos que ecoaram por campo aberto os outros membros das Patrulhas volantes foram chegando, ao se depararem com o bandoleiro caído morto na lama, muitos tiros foram dados de aviso chamando as outras Patrulhas volantes, mas conta o causo que não eram dados somente tiros ao alto, mas no quatreiro agora sem mais esboçar reação.

Esse foi o fim do “Barulho” bandoleiro, quatreiro sanguinário, que como suas vitimas foi enterrado em algum lugar deste rincão, ali tombou e ficou sua história não é bonita de se contar, por décadas ficou adormecida, pois herói ele não foi, seu erro foi cobiçar o que não lhe pertencia e matar para conseguir seu objetivo, duvidou da bravura dos valentes da região dos filhos e pioneiros desta terra, que recebe quem chega de braços abertos, mas não tolera desaforo.

“Aos bravos pioneiros que desbravaram florestas e campos das terras que construíram o outrora extenso Município de Ponta Porã, aos que ali lutaram como autênticos heróis dos sertões contra todas as dificuldades e infortúnios, aos que não estudaram e aos que morreram de doenças comuns, porque nas lonjuras onde moravam não havia escolas nem médicos, aos que cruzaram campinas e matas abrindo trilhas que depois se transformaram em estradas para o progresso, aos que trabalharam muitas vezes em condições desumanas em ranchadas ervaterias, em fazendas sem conforto, para o enriquecimento da região e do Brasil”. Reis. Elpidio – Ponta Porã polca Churrasco e Chimarrão, p. 13.

Coragem marca dos bravos pioneiros da região fronteiriça de outros tempos, onde o respeito e a palavra empenhada eram marca do sobre nome de uma família, o fio do bigode valia mais que assinatura de pena e tinta, e o aperto de mão selavam os negócios da região e desonestidade e desonra era lavada com sangue.
Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Pós-graduado em Metodologia do Ensino em História e Geografia. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Municipais, Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação