segunda-feira, 26 de maio de 2025

 

Linha Internacional: Concluída demarcação da fronteira Brasil – Paraguai

Ponta Porã Linha do Tempo - Pesquisa. Prof. Me. Yhulds Giovani P. Bueno
Conteúdo de Marca-

A demarcação da fronteira da linha de limite do Brasil com o Paraguai se inicia no encontro do talvegue do rio Iguaçu com o álveo do rio Paraná, pelo qual sobe até encontrar a barragem da Hidrelétrica de Itaipu. “Neste trecho localizam-se as cidades de Foz do Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai), ligadas pela “Ponte da Amizade” Em ofício de 14 de novembro de 1874, enviado aos seus superiores, o coronel de engenheiros Rufino Enéas Gustavo Galvão comunica a conclusão da obra de delimitação da fronteira Brasil – Paraguai.

“A extensão de 190 léguas da fronteira demarcada, está pouco conhecida, 80 de picadas abertas nas serras de Amambaí e  e nas cabeceiras do Apa para deslindar a questão de Estrela; a custosa navegação daquele rio e a do Alto Paraná, com os riscos que apresenta acima da foz do Iguaçu, podem dar uma ideia da perseverança da comissão e dos trabalhos com que lutou para efetuar esta demarcação”.

Fonte:https://historiasdooeste.blogspot.com/2020/11/concluida-demarcacao-da-fronteira.html?m=1

O Relatório dos Negócio Estrangeiros do Império, publicado em 1874 e que faz referência ao ano de 1872, inicia noticiando que “em janeiro de 1872 foram assignados em Assumpção pelos plenipotenciarios do Brazil e do Paraguay quatro tratados: definitivo de paz, de limites, de criminosos e desertores e de amizade, commercio e navegação” (Relatório, 1874: 1). A nosso ver, o mapa organizado por Duarte da Ponte Ribeiro serve a esses fins, por explicitar em suas linhas, onde começava o território monárquico e acabava o paraguaio. Em nosso entendimento, o mapa acompanhou o controle das águas e das terras, daquelas terras aquosas durante boa parte do ano, muito antes que houvesse um mapa para usos diplomáticos que ajustassem os espólios territoriais da guerra.

Carta da fronteira do Imperio do Brazil com a Republica do Paraguay organizada pelo conselheiro Duarte da Ponte Ribeiro, 1872. Publicado Manoel Fernandes de Sousa Netohttps://doi.org/10.4000/terrabrasilis.4862

A QUESTÃO DA SERRA DO MARACAJU.

A questão da Serra do Maracaju, trecho de cerca de 1300 hectares situado na cabeceira norte da área do reservatório de Itaipu e reivindicado pelo Paraguai, teve início na década de 60, mais precisamente em 1962, quando se iniciavam os trabalhos preliminares, pelo Brasil, para aproveitamento hidrelétrico na região de .

A primeira Nota, M.R.B. nº 94 de 12/03/1962, enviada pela Embaixada do Paraguai no Rio de Janeiro, afirmou que o Paraguai “considera que su domínio territorial y fluvial se extiende sobre el Salto Del Guairá o Salto Grande de las Siete Caídas”, além de atestar que o trecho de 20 km do marco 341/IV a Sete Quedas não estava demarcada.

Seguiu-se Nota da Chancelaria brasileira, AAA/DAM/SDF/DAJ/24/254 (43) de 19/09/1962, que afirmou ser o referido trecho território brasileiro, conforme os Tratado de 1872 e os trabalhos de demarcação realizados de 1872 a 1874.

Carta da fronteira do Imperio do Brazil com a República do Paraguay organizada pelo conselheiro Duarte da Ponte Ribeiro, 1872. Publicado: Manoel Fernandes de Sousa Neto https://doi.org/10.4000/terrabrasilis.4862

A resposta paraguaia, pela Nota de sua Chancelaria D.P.I. nº 368 de 10/06/1963, foi de que o Salto Grande de Sete Quedas não é totalmente brasileiro, e que o Paraguai teria “derechos de soberania y derechos de condomínio sobre las águas, en cuanto puedan ser utilizados cualquiera de sus recursos”. As Notas nada diziam sobre nova linha de limites mais ao norte, o que viria a acontecer somente em 1965, pela Nota D.P.L. nº 712 da Chancelaria paraguaia, de 14/12/1965.

Ao revisar os fatos anteriores aduzidos pelo Paraguai, deve-se realizar uma análise sobre os fatos anteriores, sendo estes segundo fontes bibliográficas: “recordar que havia situação delicada na região. O Porto Coronel Renato, situada no trecho em “litígio”, foi ocupada por destacamento militar brasileiro em 1965. A Comissão Mista de Limites e de Caracterização da Fronteira Brasil-Paraguai realizava trabalhos na região. A Delegação paraguaia desta Comissão questionou a ocupação da cidade por brasileiros, tendo em vista que aquele trecho ainda não fora demarcado e, consequentemente, não haveria como definir os limites entre os dois países.

Os militares, munidos de mapas confeccionados após o trabalho demarcatório de 1874, indicaram ser o território, de fato, brasileiro. Alguns meses depois, a Nota nº 712 foi recebida pelo Governo brasileiro”. Fonte: http://info.lncc.br/pedro.html

Fonte: Bilbioteca Nacional. O mapa geral do Império de 1873 O mapa geral do Império de 1873

ARGUMENTOS APRESENTADOS PELO PARAGUAI.

Os argumentos essenciais apresentados pelo Paraguai segundo fontes de arquivos documentais são os seguintes: O Tratado de Limites de 1872 afirma, em seu artigo 1º: “O território do Império do Brasil divide-se com a República do Paraguay pelo álveo do rio Paraná, desde onde começam as possessões brasileiras na foz do Iguassú até o Salto Grande das Sete Quedas do mesmo rio Paraná; Do Salto Grande das Sete Quedas continua a linha divisória pelo mais alto da Serra de Maracaju até onde ela finda; (…)”. Segundo o Governo paraguaio, a demarcação realizada entre 1872 e 1874 “fue parcial y no está concluída aún, faltando poner hitos em los veinte kilómetros de ‘linea divisoria por la cumbre de la sierra del Mbaracayú’ próximos al Salto del Guairá, recientemente ocupada por el Brasil com fuerzas militares”. Para sustentar seus argumentos, afirmou:

A Comissão Mista, com instruções pelo Protocolo de 1930, que a instituiu, realizou trabalho ingente ao colocar 846 marcos ao longo da fronteira seca. Isto não foi uma demarcação completa, tendo em vista que os 6 marcos colocados no século XIX seriam insuficientes.

No IV setor da fronteira seca, que vai do marco do Ibicuí ao Salto Grande das Sete Quedas, conforme definido pela Ata da Décima Segunda Conferência (junho de 1940), os 341 marcos colocados demarcaram o trecho, enquanto os 20 km até as Quedas ainda estavam por demarcar (recordando que, na 5ª Queda, não havia marco, já que os demarcadores consideraram o acidente geográfico “natural e imutável”). Tanto não estava demarcada, que houve até novo Tratado de limites entre os dois países, o de 1927, denotando que o próprio Governo brasileiro partilhava da opinião paraguaia.

Citou diversas Atas das Conferências da Comissão Mista onde a palavra “demarcação” aparece. São elas a 2ª (julho de 1933), a 11ª (agosto de 1939), a 13ª (maio de 1941), a 15ª (maio de 1945), a 16ª (julho de 1949), a 19ª (julho de 1954), a 21ª (21 de dezembro de 1955), a 22ª (27 de dezembro de 1955) e a 25ª (novembro de 1961). Como a Comissão Mista realizara, na década de 60, levantamento topográfico do trecho em questão, o Paraguai afirmou que os mapas apresentados pelos militares eram insuficientes por apresentar erros. Devido a isso, deveriam ser desprezados em favor do que afirmam os Tratados.

Segundo o Governo paraguaio, com base no trabalho topográfico altimétrico da serra, o “mais alto da Serra do Maracaju” seria o ramal setentrional do trecho, e não o meridional reivindicado pelo Brasil: “Estos trabajos realizados por la Comisión Mixta [o levantamento] demuestran acabadamente que la línea divisoria en la cumbre de la Sierra de Mbaracayú es la del ramal norte correspondiendo al Paraguay, por consiguiente, todo território situado al sur e dicha línea”.

RESPOSTA DO BRASIL

O Brasil respondeu pela Nota nº 92, de 25/03/1966, elaborada pelo então Chefe da Divisão de Fronteiras, Embaixador João Guimarães Rosa. Sigo o esquema elaborado para apresentar a argumentação paraguaia, com as respectivas respostas.

Os trabalhos realizados pela Comissão Mista são de caracterização da fronteira, não de demarcação. O que foi feito de 1872 a 1874 é plenamente válido e a colocação de novos marcos serviu tão-somente para melhor identificar a linha de limite, tendo em vista que, na fase demarcatória, foram colocados somente 6 marcos principais para indicar os pontos notáveis da fronteira. As razões aduzidas são as seguintes:

A indecisão das fronteiras no século CIC, e a contribuição do Barão de Ponte Ribeiro. Na Secretaria de Relações Exteriores, os documentos cartográficos reunidos ajudaram a guiar a assinatura progressiva de vários tratados com os países vizinhos (ver figura 2). Em 1851, Ponte Ribeiro participa a assinatura de um acordo com o Peru, definindo como fronteira a cidade de Tabatinga, a partir da qual uma linha reta direto ao norte deveria encontrar ao rio Japurá, enquanto ao sul o rio Javari marcaria os limites. As diversas vantagens territoriais obtidas pelo Brasil neste tratado estão profundamente baseadas no argumento do uti possidetis, embora fosse dado um direito de navegação aos peruanos, em troca. Este mesmo tipo de transação seria utilizado nos tratados com a Venezuela e a Bolívia, realizadas respectivamente em 1859 e 1867 pelo mesmo Ponte Ribeiro, graças à sua “diplomacia cartográfica”.

Os marcos colocados pela Comissão Mista caracterizaram a fronteira, conforme afirma o Preâmbulo do Protocolo de Instruções para a Demarcação e Caracterização da Fronteira Brasil-Paraguai: “ (…) Os Governos da República dos Estados Unidos do Brasil e da República do Paraguai, no intuito e dar cumprimento ao estipulado no parágrafo único do artigo terceiro do tratado de limites, complementar do de 1872, firmado no Rio de Janeiro a 21 de maio de 1927, e, por outro lado, no de ATENDER A NECESSIDADE DE SEREM REPARADOS ALGUNS DOS MARCOS DA FRONTEIRA ENTRE OS DOIS PAÍSES, DEMARCADA DE 1872 A 1874, POR UMA COMISSÃO MISTA BRASILEIRO-PARAGUAIA, de serem substituídos os marcos da mesma fronteira, que hajam desaparecido, e de serem colocados marcos INTERMEDIÁRIOS nos pontos QUE FOREM JULGADOS CONVENIENTES, resolveram celebrar o presente ajuste, no qual todas essas providências se acham indicadas” (realce no original). Como se percebe, ambos países já haviam acordado que a fronteira estava demarcada desde 1874. Mais: segundo o artigo 2º do Protocolo, foi constituída uma Comissão Mista de Limites e de Caracterização da Fronteira Brasil-Paraguai.

Mappa Geographico de huma parte do Imperio do Brazil – 1863

Carta Geographica de Uma Parte do Império do Brasil organizada por Duarte Ribeiro e o Capitão de Estado Maior Izaltino José Mendonça de Carvalho [1856]

Ao longo da Nota nº 712, principalmente no § 8º, o Governo paraguaio denominou-a “Comisión Mixta de Demarcación y Caracterización de la Frontera”, de modo sub-reptício. O Tratado de 1927 nem cita o trecho da fronteira da seca. Foi elaborado em 1927 devido aos problemas de delimitação do Chaco entre o Paraguai e a Bolívia. Resolvida a pendência, o Brasil e o Paraguai assinaram o Tratado, que trata do trecho da foz do rio Apa até a Baía Negra, ao longo do rio Paraguai.

A palavra “demarcação” é utilizada, muitas vezes, de forma aleatória. O Protocolo de 1930 é bastante claro. Inclusive, em seu artigo 10º, afirma, novamente, de forma explícita: a finalidade da caracterização seria proceder “à reparação ou substituição dos marcos da fronteira comum, DEMARCADA DE 1872 a 1874, que estiverem danificados ou destruídos, mantendo suas respectivas situações.

Além disto, observadas as prescrições do tratado de limites de 9 de janeiro de 1872, e o que se contém na ata da 18ª e última conferência da comissão mista executora do dito tratado de 1872, assinada em Assunção a 24 de outubro de 1874, construirá novos marcos entre os já existentes, nas terras altas da referida fronteira refere-se à fronteira seca, indicadas naquele tratado de modo que cada trecho da linha divisória fique definido por uma poligonal retilínea, caracterizados seus vértices pelos marcos existentes e pelos que forem construídos, cumprindo que de qualquer deles se possam avistar, diretamente e a olhos desarmados, os dois contíguos” (realce no original). A Nota nº 92 afirma que, se o Brasil acatar a posição paraguaia, de que não houve demarcação no terreno, irá contra as disposições dos Tratados de 1927 e o Protocolo de 1930, além do Tratado de 1872, que afirma ser o ponto final da fronteira no Salto Grande das Sete Quedas.

ANALISES FINAIS

Após esses argumentos, não houve resposta paraguaia. Em 22 de junho de 1966, assinou-se a “Ata de Iguaçu”, que acordou em aproveitar o potencial hidrelétrico da região de forma bilateral. Ademais, no parágrafo VII, afirma-se que “em relação aos trabalhos da Comissão Mista de Limites e Caracterização da Fronteira Brasil – Paraguai, convieram os dois Chanceleres em que tais trabalhos prosseguirão na data que ambos os Governos estimarem conveniente”.

Em 1973, assina-se o Tratado de Itaipu. O artigo VII deste instrumento é de extrema relevância para a questão em apreço: “As instalações destinadas à produção de energia elétrica e obras auxiliares não produzirão variação alguma nos limites entre os dois países estabelecidos nos Tratados vigentes até os dias atuais.  

Pesquisa historiográfica. Prof. Me. Yhulds Giovani P. Bueno. Formação: Pedagógica e história. Pós Graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia, Pós Graduado no Ensino da História e Biblioteconomia.  Mestre em Desenvolvimento Regional e Sistemas Produtivos. Membro do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero – Guarani distrito 4470.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

CARVALHO D. de (1939) “As fronteiras do Brasil no regime colonial” in Revista de Geografia, Rio de Janeiro, ano I, n° 4, out. 1939, p. 91-109.

CASTRO N.W. (1994) Missão na selva : Emil Oderbrecht – 1835-1912: um prussiano no Brasil. Rio de Janeiro, AC &M.

CORTESAO J. (1965/1966) História do Brasil nos velhos mapas. Rio de Janeiro, Instituto Rio Branco, tomos I e II.

HARLEY B. (1991) “A nova história da cartografia” in Correio da UNESCO, agosto 1991, ano 19, n°8 Brasil, p. 4-9.

MAGNOLI D. (1997) O corpo da pátria : imaginação geográfica e política externa no Brasil (1808-1912). São Paulo, Ed. UNESP/Moderna.

MOTA C.G.& LOPEZ (1989) Brasil revisitado – palavras e imagens. São Paulo, Editora Rios

https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio2016/pdf/Anais_3SBCH_2016_final.pdf. Acesso 2023

Virgílio Correa Filho, História de Mato Grosso, Fundação Júlio Campos, Várzea Grande, 1994, página 575

http://info.lncc.br/pedro.html?fbclid=IwAR2SGovwsBt0iGeFLN_r6a9GMr7sUWoMa5scfRok5THzaxiNfr28fEEHZQ4. Acesso 2023

Dossiê “Geografia Histórica em questão”. Journals.openedition.org/terrabrasilis/4862. Acesso 2023

 

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Imagem: Carga de Cavalaria Guaicuru, de Jean Baptiste Debret. Por 300 anos, os extintos cavaleiros Guaicurus furtaram toda tentativa europeia de conquista do pantanal. Fonte: https://incrivelhistoria.com.br/guaicurus-indios

“A preservação da história de uma região, surge do resgate da memória cultural do seu povo”. Porf. Me. Yhulds Bueno

Os Guaicurus eram índios muito valentes que habitavam os estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e no Paraguai, na região do Chaco. Ficaram conhecidos como índios cavaleiros que além de cavalgar se aperfeiçoaram na caça. Fontes históricas divergem sobre como os guaicurus tiveram acesso aos cavalos, mas alguns relatos historiográficos alegam que foi por volta de 1542, após entrarem em conflito com o espanhol Álvar Nunez Cabeza de Vaca. A partir de então, eles se apropriaram de algumas espécies e começaram a criá-las, tornando-se excelentes cavaleiros.

Entre os séculos XVII e XVIII, os europeus tentaram invadir a Bacia do Paraguai. Os ligeiros cavaleiros guaicurus e os habilidosos canoeiros Paiaguás se uniram contra os colonos e dominaram a região, protegendo seus territórios dos Bandeirantes e, principalmente, de Raposo Tavares, que também tentava invadir Assunção em meados de 1648.

A LENDA:

Há muito tempo, nas densas matas da fronteira do Brasil com o Paraguai, existiam os Guaicurus, um povo indígena feroz e destemido. Eles viviam em harmonia com a natureza, mas sua paz foi ameaçada quando os colonizadores europeus chegaram em busca de riquezas e terras.

Os Guaicurus eram conhecidos por sua habilidade com arco e flecha, e suas lanças eram afiadas como presas de onça. Quando os colonizadores começaram a invadir suas terras, os Guaicurus se uniram sob a liderança do jovem guerreiro Tupã. Ele sonhava com uma terra livre, onde seu povo pudesse viver sem medo.

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Guerreiro Guaicuru. Fonte imagem: https://www.terra.com.br/amp/story/nos/conheca-os-temidos-indigenas-guaicurus,86b46191cc72850aaf9a245a6c87edc8xfkoz5wr.html

Tupã buscou aliados entre os espíritos da mata. Em uma noite de lua cheia, ele fez um pacto com os Cavaleiros Fantasmas, guerreiros ancestrais que habitavam as matas, estes bravos guerreiros haviam perdido suas vidas em uma guerra conhecida pelos nativos como Mará-t-ekó T-ûguy batalha de Sangue. Os Cavaleiros Fantasmas concordaram em ajudar os Guaicurus e ensinar os seus segredos em troca de justiça para suas almas perdidas que aguardavam o descanso, eles foram mortos por seus inimigos colonizadores europeus, que haviam feito uma aliança com outras tribos para derrota-los. Uma centena de guerreiros montados em seus cavalos contra milhares de guerreiros de outras tribos, uma batalha desigual sangrenta que ficou perdida no tempo.

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Imagem: Carga de Cavalaria Guaicuru, de Jean Baptiste Debret. Por 300 anos, os extintos cavaleiros Guaicurus furtaram toda tentativa europeia de conquista do pantanal. Fonte: https://incrivelhistoria.com.br/guaicurus-indios

Os colonizadores avançaram, mas os Guaicurus estavam preparados. Centenas de cavalos surgiram em disparada e os inimigos não compreendiam, não existia ninguém conduzindo os animais, os cavaleiros fantasmas ensinaram a técnica de montaria da invisibilidade, montando na lateral dos cavalos se escondendo do inimigo. Os Cavaleiros Fantasmas surgiram das sombras das árvores, com lanças flamejantes a mata estremeceu. A batalha foi feroz, com sangue derramado e gritos ecoando pelas árvores. Os Guaicurus lutaram com coragem, protegendo suas terras sagradas.

Durante a guerra, Tupã conheceu Anahí, uma jovem guerreira dos Guaicurus. Seus olhos se encontraram em meio ao caos, e eles se apaixonaram. Mas o destino era cruel: Anahí era prometida ao chefe da tribo. Seu amor era proibido, mas eles continuaram a se encontrar secretamente.

Um traidor surgiu entre os Guaicurus. O xamã, movido pela ganância e inveja do guerreiro Tupã, revelou os segredos dos Cavaleiros Fantasmas aos colonizadores e do amor entre Anahí e Tupã para o chefe da tribo. Uma emboscada foi preparada, e os Cavaleiros foram encurralados. Tupã e Anahí lutaram lado a lado, conseguiram novamente afastar seus inimigos, mas por vingança o chefe da tribo golpeou Tupã, foi travado um duelo mortal. Ele sabia que a única maneira de salvar sua amada era se sacrificar. Com sua última flecha, ele atingiu o coração do chefe, mas também foi ferido mortalmente. Anahí correu para seus braços enquanto ele partia desta vida.

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Imagem Gravura Mulher Guaicurus. Fonte: https://historianovest.blogspot.com/2009/06/os-irredutiveis-guaicurus.html

Os Cavaleiros Fantasmas se ergueram novamente. Com a força de Tupã em suas almas, eles varreram os colonizadores e os traidores. A floresta tremeu com a fúria dos espíritos. Anahí chorou por seu amor perdido, mas sabia que ele havia se tornado parte da lenda.

Os Guaicurus retomaram suas terras, e os Cavaleiros Fantasmas desapareceram nas sombras das matas, os antigos acreditavam que o Guerreiro Tupã lidera os cavaleiros fantasmas e no cair da noite no silêncio das matas pode escutar o cavalgar dos cavalos. Anahí plantou uma árvore em memória de Tupã, que floresceu no meio da mata. Dizem que, em noites de lua cheia, os espíritos dos amantes se encontram sob a copa da árvore.

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Fonte: Gravura domínio público:  Museudeimagens.com.br. «Guaicurus, os invencíveis índios sul-americanos

A lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas e a Batalha dos Guaicurus vive até hoje na memória cultural da região. Ela nos ensina sobre coragem, sacrifício e o poder do amor em tempos de guerra. Que os ventos sussurrem essa história aos nossos corações, para que nunca esqueçamos daqueles que lutaram por suas terras e seus sonhos.

Lenda dos Cavaleiros Fantasmas das Florestas: A Batalha dos Guaicurus

Pesquisa: Prof. Me. Yhulds G. P. Bueno. 31 anos de atuação na docência da Rede Pública e Privada. Formado em Educação Física, Formação Pedagógica e Licenciatura em História. Mestre em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos; Pós Graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia; Pós graduado: Docência em Biblioteconomia; Pós Graduado: Ensino de História. Membro associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero Guarani – Distrito 4470

 

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

ARTIGO: 1946 – PORTÃO DA GRANJA O PORTAL PARA O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL E REGIONAL.

O Território de Ponta Porã foi constituído por sete municípios desmembrado do sul de Mato Grosso, são eles: Bela Vista, Dourados, Maracaju, Miranda, Nioaque, Ponta Porã (capital) e Porto Murtinho. Esses municípios eram áreas de fronteiras e algumas delas compreendiam o extremo das possessões político-administrativas do Brasil. Esta unidade administrativa foi instalada no ano de 1944 com um formato paralelogramo entre os rios Paraná e Paraguai, rios de importante circulação fluvial na região sul de Mato Grosso. O Território Federal de Ponta Porã, ao longo de sua existência, foi administrado por três governadores: Coronel Ramiro Noronha, Major José Guiomard dos Santos e José Alves de Albuquerque. Segundo Centeno (2007)

“O Coronel Ramiro Noronha foi o primeiro Governador do Território Federal de Ponta Porã, tendo sido nomeado em Janeiro de 1944. Com a deposição de Vargas, Noronha exonerou-se em novembro de 1945 e o cargo foi assumido interinamente por Leônidas Horta, diretor da Divisão de Educação e Cultura. Ainda no mês de novembro o Major José Guiomar dos Santos, foi nomeado para substituir. Mas exerceu o cargo por dois meses apenas, em razão de sua nomeação para assumir o governo do Território do Acre. Para substituí-lo foi nomeado o Dr. José Alves de Albuquerque, médico da Comissão de Limites, que exerceu o cargo por 9 meses, em razão da extinção do Território, em setembro de 1946”. Rocha (2019, p. 87)

O Território Federal de Ponta Porã de 1943 a 1946 não tinha somente objetivo principal trazer segurança a região de fronteira, mas propiciar desenvolvimento através de modernas construções e instalações de programas com apoio do Governo Federal neste período historiográfico. Uma das construções mais icônicas da época que por muitos anos foi considerada o símbolo monumental, por estar na entrada sul da cidade, conhecida por todos como o Portão da Granja, um grande portal de tijolos que posteriormente foi demolido em meados da década de 1970, para construção da rotatória de acesso ao Aeroporto Internacional e ao empreendimento habitacional (Bairro Aeroporto) que ficou conhecido como Bairro da Granja e adjacências e reordenação do fluxo de entrada ao centro de Ponta Porã neste período histórico.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira
Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

GRANJA MODELO ASSIS BRASIL.

No que é descrito no relatório a preocupação principal em trazer modernas instalações para região com núcleo central na cidade de Ponta Porã, tinha como base os relatórios encaminhados das atividades agropecuárias na região, descrita da seguinte forma: “Em ambiente tão impróprio às atividades agrícolas e pecuárias sub-bases técnicas, improdutivo, seria, de logo, cuidar-se de instalações suntuosas, campos experimentais, etc, sem que antes se preparasse o fator homem, até então desajustado completamente, como alavanca proporcionadora do progresso, em colaboração com o poder público”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P., 1946, p. 60 a 69)

Uma destas instalações ocorreu por meio do projeto Granja Modelo denominada “Assis Brasil”, que tinha como objetivo a construção de galpões, incluindo casas de maquinas, construção de um açudo para piscicultura, aviários para reprodução, estabulo para ordenha, uma área destina para o cultivo de parreiral, casas e alojamentos para os trabalhadores e um centro de defesa animal sanitária, que seria criado segundo o relatório com a incumbência de:

  1. Cumprir o Regulamento do S.D.S.A,  aprovado pelo Decreto-Lei n.º  24,548, de 3-7- 34;
  2. Distribuir aos fazendeiros, ao preço do custo, artigos e produtos biológicos de uso veterinário, fazendo a vacinação gratuita nos rebanhos;
  3. Expedir certificados sanitários para embarque de animais e produtos de origem animal; d) denunciar as epizootias, avisando imediatamente ao Veterinário, sobre qualquer surto de que houvesse conhecimento; e) colher material de animais suspeitos e remetê-lo ao Laboratório, na sede, para o necessário exame; caso veículos motorizados, muito embora, em algumas vezes, se tenha empregado até o caminhão, posto à disposição daquele Serviço.

MEMÓRIA E CULTURA: IMAGENS DAS CONSTRUÇÕES DA GRANJA MODELO ASSIS BRASIL EM PONTA PORÃ, MEADOS DA DÉCADA DE 1940.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira
Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.
Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

O relatório para o ano em curso 1946 descreve: “Se dará o início da compra de reprodutores, instalando pelo menos três estações de monta, nos municípios de Maracaju, Ponta, Porã e Bela Vista. Se dará início em conjunto com a instalação de uma fazenda modelo, em Nestor Cué, para entrar em pleno funcionamento até princípios de 1949”. No decorrer deste mesmo relatório é informado o preenchimento do quadro de veterinários para o setor de defesa animal.  “De imediato seriam preenchidos os quadro de veterinários, de maneira que fosse possível distribuí-los pelo interior do território, ampliando a assistência direta aos criadores. Na granja modelo já instalada em Ponta Porã, funcionará a Seção do Fomento da Produção Animal”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P. 1946, p. 60 a 69.)

A preocupação fundamentava-se em problemas de produção agropecuária neste período histórico no país, sendo um deles segundo relato: “Somos uma Nação que se diz essencialmente agrícola e que, entretanto, ainda importa produtos de primeira necessidade, como a batata holandesa, por exemplo, que veio concorrer com a nacional, no preço e na qualidade. Isto é exemplo frisante do quanto ainda teremos que fazer no setor da produção, até certo ponto prejudicada peles arcaicos princípios burocráticos adotado na administração pública, aos quais não escapou o Ministério da Agricultura, hoje felizmente sob ação renovadora, orientando a sua política econômica, rumo ao campo, única solução aos problemas que nos afligem, quanto ao abastecimento da população”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P., 1946, p. 60 a 69.)

O relatório rico em informações de época retrata uma Ponta Porã cidade do sul do antigo grande Mato Grosso anterior à divisão do Estado, região que com a criação do Território Federal no Governo de Getúlio Vargas proporcionou certo desenvolvimento para o momento historiográfico relatado, enumeras foram as benfeitorias neste período construções de pontes, estradas e escolas.

O portão da Granja ficou na memória dos cidadãos mais antigos da cidade de Ponta Porã, principalmente dos habitantes da região sul do município, mas através da memória fotográfica e relatos documentais seguirá vívido este período histórico na memória sócio cultural da região de fronteira.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:

CENTENO, Carla Villamaina. Educação e fronteira com o Paraguai na historiografia matogrossense (1870-1950). 2007. 257f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.

ROCHA, Marcelo Pereira. AS INSTITUIÇÕES ESCOLARES NO PROJETO DE OCUPAÇÃO DA FRONTEIRA DO BRASIL COM O PARAGUAI: TERRITÓRIO FEDERAL DE PONTA PORÃ (1943 -1946). 2019. 250f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2019.

TERRITÓRIO FEDERAL DE PONTA PORÃ (EXTINTO) – RELATÓRIO Apresentado ao Exmo. Sr. Presidente da República, pelo Governador Dr. José Alves de Albuquerque. 1944-1945-1946. Ponta Porã 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Pesquisa: Prof.  Historiador Yhulds G. P. Bueno mestre Em desenvolvimento Regional e de sistemas Produtivos/UEMS. Membro Associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero – Guarani Distrito 4470