segunda-feira, 26 de maio de 2025

 

Memória histórica política da fronteira: 1915 Levatam-se coluna das Loja Maçônica “Estrela do Sul” no decorrer da emancipação de Ponta Porã

Prof. Historiador e pesquisador investigativo Yhulds Giovani Pereira Bueno. Mestre em Desenvolvimento Regional e Sistemas Produtivos UEMS - Pós Graduado: Ensino em História e Geografia. UNIVALE – Pós Graduado: Ensino da História UNIBF – Pós Graduado Docência em Biblioteconomia UNIBF. Membro do Rotary Club Ponta Porã/Pedro Juan Caballero – Guarani - Distrito 4470.

| DO AUTOR


Prof. Pesquisador investigativo Me. Yhulds Giovani Pereira Bueno. Foto: Arquivo

INTRODUÇÃO:

 

Para compreender o importante processo da criação da primeira Loja Maçônica em Ponta Porã no ano de 1915, ressalta-se que neste mesmo ano o município foi elevado à categoria de comarca pela Leia n˚ 721 de 23 de setembro, sancionada pelo General Doutor Caetano Manoel de Faria Albuquerque Presidente do Estado de Mato Grosso. “Faço saber todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa decretou e eu assino a presente lei: Art. 1º Fica elevado à categoria de Comarca o município de Ponta Porã, com sede na vila de mesmo nome”. Despacho realizado de seu gabinete na Capital Cuiabá. 

Imagem1: Arquivo pessoal do autor, resolução Lei nº 721 de 23 de setembro de 1915. Fonte cópia publicada no livro do Drº João Portela Freira Terra, Gente e Fronteira.

CONTEXTO HISTORIOGRÁFICO DA MAÇONARIA NO BRASIL

Segundo o historiador e maçom Borges de Barros que foi segundo fontes historiográficas diretor do Arquivo Público da Bahia, o início da Maçonaria em terras brasileiras tem como gênese a povoação da Barra em Salvador Bahia no ano de 1797 com a criação da “Loja Maçônica Cavaleiros da Luz” sendo esta para Borges a chama principal da Conjuração Baiana. “Apesar dos esforços de muitos autores maçons em negar isso o pioneirismo maçônico brasileiro nasceu no Nordeste” Fonte: (https://folhadolitoral.com.br/maconaria/a-loja-maconica-mais-antiga-do-brasil).

De acordo com registros na página do GOB – Grande Oriente do Brasil embora tenha a Maçonaria brasileira tenha seu início no ano de 1797 com a “Loja Maçônica Cavaleiros da Luz”, que foi no ano de 1802, sucedida pela Loja Reunião no Rio de Janeiro, somente em 1822, quando desperta a campanha pela independência do Brasil por D. Pedro I nas margens do Ipiranga, que fora criada a “primeira Obediência, sendo esta com Jurisdição nacional”, com a incumbência de apoiar o processo de emancipação política, no qual o Brasil passaria de colônia do Império Português para uma nação independente sul-americana.

Semelhante ocorrido nas guerras de independência na América espanhola narrados na historiografia, decorrente dos numerosos conflitos das colônias hispânicas contra a subjugação do Império Espanhol circunstanciado na América do Sul decorrentes no início do século XIX, a partir do ano de 1808 até meados do ano de 1829. O conflito que começou nas colônias finalizou com a independência: Equador 1809, Colômbia 1810, Paraguai em 1811, Venezuela 1811, Argentina em 1816, Chile em 1817-1818, Peru em 1921 e posteriormente: Bolívia em 1925. O Brasil Império que neste período histórico era colônia portuguesa e havia ocupado a área do Uruguai em 1811 anexando aos seus domínios em 1821 denominando de Província de Cisplatina, mas a revolta que começou em 25 de agosto de 1825, finalizou com o Uruguai conquistando após muita luta sua independente com o Tratado de Montevidéu em1828.

Fonte: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/independencia-da-america-espanhola.htm

Izautonio da Silva Machado Junior em seu artigo A MAÇONARIA NAS AMÉRICAS: Influência na emancipação das colônias espanholas referencia que “Os principais líderes que atuaram pela independência desses países foram os venezuelanos Francisco Miranda e Simon Bolívar e o argentino José De San Martín. O autor descreve que segundo José Castelani - A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial, a Independência dos países latino-americanos é uma das maiores ações políticas já realizadas pela maçonaria da história. Izautonio da Silva Machado Junior indica eu seu texto que: “Embora não haja comprovação de que MIRANDA tenha sido iniciado maçom, criou com o apoio da Maçonaria Inglesa denominada Grande Reunião Americana, entidade política que tinha por escopo promover a Independência dos países americanos subjugados pelos espanhóis”. Bolivar e San Martin eram maçons, e de acordo com sua textualização encontravam-se ao lado de outros Irmãos ilustres da Ordem, aderindo ao projeto da Grande Reunião Americana. Em sua explanação Izautonio da Silva Machado Junior ressalta que desta entidade nasceu uma Loja denominada “Lantauro” na Argentina, a qual deu origem a diversas outras com mesmo nome espalhadas pelas colônias, e que tinha por finalidade implantar os ideais libertadores planejados pelos seus líderes. Izautonio da Silva Machado Junior destaca que o nome Lantauro “se refere ao nome de um guerreiro araucano morto no sul do Chile por defender suas terras dos espanhóis”. Em sua analogia Izautonio da Silva Machado Junior menciona que: “Paralelamente, a própria Grande Reunião Americana instalou sucursais em França e Espanha, recebendo apoio da Maçonaria Regular da Espanha e também dos Carbonários espanhóis”. Por meio deste artigo fica nítido que o inicio das revoltas das colônias hispânicas se deu por intermédio das “Lojas e entidade acima descritas, que foram organizados os movimentos de insurreição que desencadearam nas guerras de independência, e que, portanto são as responsáveis pela atual configuração política das Américas”. Fonte: https://fn.mvu.com.br/site/a-maconaria-nas-americas--influencia-na-emancipacao-das-colonias-espanholas-/twn0kPj4SZI-3/nta.aspx

FUNDAÇÃO DA LOJA MAÇÔNICA: “ESTRELA DO SUL 5ͣ”

De acordo com a narrativa de Pedro Angelo da Rosa em seu livro ANNAES PONTA-PORENSES 1865-1922, no ano de 1915 ocorreu à fundação da Loja Maçônica Estrela do Sul 5ͣ , sendo eleita a seguinte diretoria: “Presidente, Alvaro Brandão; primeiro vice-presidente; Antonio Machado salgueiro; segundo vice-presidente, Alvaro José Brandão; orador, Callyope Nazareth, secretário Francisco Faustino de Mecenas”. (ROSA, 1922, p. 35).

Figura 2: Imagem do Livro: Annaes Ponta-Porenses edição de 1865 – 1922 de Pedro Angelo da Rosa.

Segundo Rosa (1922) o mesmo descreve que: Após a formação da diretoria iniciaram-se as obras para construção do edifício “num sítio junto à intendência Municipal [...] Porém, precária foi à duração da loja; os tijolos do edifício foram mal assentados, e quando o mesmo estava a ficar pronto, notou-se pronunciada inclinação, ameaçando o desabamento, e o edifício teve de ser demolido [...] No seio da irmandade, penetraram as prevenções da política, e a mesma teve de adormecer”. (ROSA, 1922, p. 35). Desta maneira a primeira Loja maçônica de Ponta Porã que neste período histórico pertencia ao estado de Mato Grosso, “Estrela do Sul 5ͣ” apagou seu brilho na fronteira.

Figura 3: Imagem do Livro: Annaes Ponta-Porenses edição de 1865 – 1922 de Pedro Angelo da Rosa.

BREVE HISTÓRICO DA MAÇONARIA EM MATO GROSSO

Para compreender a fundação da loja “Estrela do Sul 5ͣ” quando Ponta Porã pertencia ao Estado de Mato Grosso é necessário analisar explanação de Antônio Horácio da Silva Neto que publicou matéria À LUZ: Um passeio pela história da maçonaria em Mato Grosso neste artigo o mesmo descreve que:

“A História da Maçonaria em Mato Grosso na sua atual conformação geográfica tem estreita e umbilical ligação com a História da Benemérita Augusta Respeitável e Centenária Loja Simbólica Acácia Cuiabana. Não há como se fazer qualquer estudo histórico desse tema que não passe pelo estudo da centenária Oficina Maçônica cuiabana, razão pela qual é obrigatório neste singelo artigo que se busca iniciar uma passagem em revista sobre um pouco de sua longa e profícua história. Digo um pouco porque o espaço num artigo jornalístico não permite detalhar com minudência os multivariados acontecimentos históricos dos quais participou nos rincões mato-grossenses”. Antônio Horácio da Silva Neto fonte: http://circuitomt.com.br/editorias/cidades/120559-um-passeio-pela-historia-da-maconaria-em-mato-grosso.html Acesso Julho de 2021

No ano que a matéria foi publicada comemorava-se o aniversário de 117 anos da loja maçônica mais antiga em funcionamento em MT e os 45 anos de instalação do Grande Oriente do Estado (GOE). A interessante analogia sobre o GOE vem da necessidade de:

“Criação de uma Loja Maçônica para congregar os maçons que viviam dispersos em Cuiabá/MT, uma vez que por volta de 1895/96 às colunas da Loja “Estrela do Ocidente” tinham se abatido e deixados os maçons que por aqui perambulavam sem um local para a prática de seus trabalhos ritualísticos. Contatos foram realizados e no dia 18 de maio de 1900 houve a reunião no Salão da Sociedade da Escola Dramática, situada na Rua Barão de Melgaço nº 05. Na reunião para a regularização e instalação da Loja Maçônica Acácia Cuiabana, ocorrida no dia de 12 de outubro de 1900. Com essas rápidas pinceladas, é que se pode dizer ter sido assim criada a Benemérita Augusta Respeitável e Centenária Loja Simbólica Acácia Cuiabana”. Antônio Horácio da Silva Neto fonte: http://circuitomt.com.br/editorias/cidades/120559-um-passeio-pela-historia-da-maconaria-em-mato-grosso.html  Acesso Julho de 2021

Neto (2017) apresenta períodos que foram se suma importância para a consolidação das colunas no grande Estado de Mato Grosso, destaco em sua narrativa o 2˚ Período para compreender a fundação da Loja “Estrela do Sul 5ͣ” em ponta Porã no ano de 1915.

De acordo com Antônio Horácio da Silva Neto, o 2º Período de 24/02/1907 a 28/08/1928: “Foi o da consolidação política e social da Loja Acácia Cuiabana, o que se dá com a nova Constituição Maçônica do Grande Oriente do Brasil, promulgada em 24 de fevereiro de 1907, e a nomeação do Primeiro Delegado do Grão-Mestre Geral, demonstrando o relacionamento com o Poder Central situado no Rio de Janeiro/RJ. A nomeação desse primeiro Delegado do Grão-Mestre Geral recaiu na pessoa de Generoso Paes Lemes de Souza Ponce (grau 33), que era também o Presidente do Estado e para ser o seu Secretário na Delegacia foi nomeado Antonio Fernandes Trigo de Loureiro. A nova Constituição Maçônica do Grande Oriente do Brasil de 24 de fevereiro de 1907 veio com algumas inovações, inclusive com a extinção dos Capítulos das Lojas, dos Conselhos de Kadosh, dos Consistórios e da Grande Loja Central. Mas ainda não se tratava da separação esperada dos graus simbólicos com os graus filosóficos”.  Antônio Horácio da Silva Neto fonte: http://circuitomt.com.br/editorias/cidades/120559-um-passeio-pela-historia-da-maconaria-em-mato-grosso.html Acesso Julho de 2021

A consolidação da GOE tinha como intenção reagrupar os maçons que estavam dispersos neste período histórico e levantar novas colunas, com a fundação de novas Lojas na Capital e no Estado de Mato Grosso, sendo assim no ano de 1915 ocorre à fundação da primeira Loja Maçônica em Ponta Porã descrita por Pedro Angelo da Rosa em seu livro ANNAES PONTA-PORENSES 1865-1922 que foi publicado no ano de 1922.

HISTORIOGRAFIA DE PONTA PORÃ DE VILA À EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.

 1915 foi um ano impar para o município de Ponta Porã com sua elevação para categoria de comarca, mas anteriormente sua emancipação foi publicada através da resolução nº 617, de 18 de Julho de 1912. Oficializada através da assinatura do Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, Presidente do Estado de Mato Grosso. “Artigo 1º - Fica criado o Município de Ponta Porã, com sede no povoado de mesmo nome, que será desde logo elevada à categoria de Villa”.

Imagem 4: Arquivo pessoal do autor resolução de 1912, fonte cópia publicada no livro do Drº João Portela Freira Terra, Gente e Fronteira.

No ano de 1913 é registrada à ata de Instalação, segue o registro de abertura: “Aos vinte e cinco dias do mês de Março de 1913 as 10h00min da manhã do mesmo dia, neste mesmo dia no povoado de Ponta Porã, comarca de Bela Vista, Estado de mato Grosso, republica dos Estados unidos do Brasil, em casa previamente alugada para nela funcionar a Intendência Municipal. Nesta ata consta assinatura de pessoas importantes da época que se fizeram presente no referido ato”.

Imagem 5: Arquivo pessoal do autor, Ata de Instalação. Fonte cópia publicada no livro do Drº João Portela Freira Terra, Gente e Fronteira.

Seguindo a cronologia histórica da emancipação de Ponta Porã, é publicado o ato que define a criação do Município de Ponta Porã, neste ato também e mencionado a emancipação da cidade de Três Lagoas, através da Resolução Nº 820, de 1920, assinada por D. Francisco de Aquino Corrêa, Bispo de Prusiado, Presidente do Estado de Mato Grosso. “Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa decretou e eu assinei a seguinte Resolução”.  Artigo Único – Ficam elevados a categoria de cidade as Villas de Três Lagoas e Ponta Porã, sede dos municípios e comarcas dos mesmos; revogada as disposições ao contrário”.

A conquista da emancipação foi o primeiro passo de muitos que ainda estariam por vir para a histórica cidade de fronteira, obstáculos estruturais a serem vencidos. Dificuldades que ao longo das décadas ainda persistem, mas algumas foram superadas, por todos aqueles que são filhos desta terra ou adotaram como sua morada investindo acreditando no seu potencial.

Imagem 6:Arquivo pessoal do autor, resolução nº 820, de 1920. Fonte cópia publicada no livro do Drº João Portela Freira Terra, Gente e Fronteira.            

A importância destes registros memoriais em livros e documentos oficiais de época proporciona um entendimento dos motivos da emancipação política de Ponta Porã. Além disto, rememorar fatos históricos de eventos que marcaram o povoamento da região fronteiriça em especial Ponta Porã no final do século do XIX e inicio do século XX, proporciona conhecimento para todos aqueles que buscam informações sobre suas raízes socioculturais, pois um povo sem memória e um povo sem história. 

FONTES PARA PESQUISA:

ADES, H. and Graham, M. (2010) The Rough Guide to Ecuador, Rough Guides

ACTA de la independencia de Venezuela de 1811» (PDF). Universidad Central de Venezuela.

BECKER, M. (2008) Indians and Leftists in the Making of Ecuador's Modern Indigenous .

CASTELLANI, José. A ação secreta da Maçonaria na política mundial. 2. ed. São Paulo: Editora Landmark, 2007.Movements, Duke University Press Books.

COLUSSI, Eliane Lúcia. A Maçonaria brasileira no século XIX. São Paulo: Saraiva, 2002.

BENITEZ, Luis G. Reseña de historia del Paraguay. Asunción: Editorial Histórica, 1993.

LA INDIAS no era colonias, Ed. Espasa-Calpe, México, 1951. Ver também Los orígenes del gobierno REPRESENTATIVO EN EL PERÚ: las elecciones (1809-1826), Valentín Paniagua, Fondo Editorial PUCP, Lima, 2003.

FIGUEIRA, José Joaquín. Breviario de Etnología y Arqueología del Uruguay. Montevidéu: Imprenta Gaceta Comercial, 1965.

FERREIRA, Fábio. O general Lecor, os Voluntários Reais, e os conflitos pela independência do Brasil na Província Cisplatina: 1822-1824. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade Federal Fluminense (UFF): Niterói, 2012.

https://brasilescola.uol.com.br/guerras/guerra-independencia-chile.htm. Acesso em 09 de julho de 2021.

https://brasilescola.uol.com.br/guerras/guerra-independencia-chile.htm

https://www.corumba.ms.gov.br/2008/08/a-independencia-da-bolivia-e-os-avancos-na-fronteira/

https://folhadolitoral.com.br/maconaria/a-loja-maconica-mais-antiga-do-brasil

https://www.gob.org.br/historia-do-gob/

PRADO, Maria Lígia Coelho. Esperança radical e desencanto conservador na Independência da América Espanhola. História, São Paulo, 2003.

 

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

ARTIGO: 1946 – PORTÃO DA GRANJA O PORTAL PARA O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL E REGIONAL.

O Território de Ponta Porã foi constituído por sete municípios desmembrado do sul de Mato Grosso, são eles: Bela Vista, Dourados, Maracaju, Miranda, Nioaque, Ponta Porã (capital) e Porto Murtinho. Esses municípios eram áreas de fronteiras e algumas delas compreendiam o extremo das possessões político-administrativas do Brasil. Esta unidade administrativa foi instalada no ano de 1944 com um formato paralelogramo entre os rios Paraná e Paraguai, rios de importante circulação fluvial na região sul de Mato Grosso. O Território Federal de Ponta Porã, ao longo de sua existência, foi administrado por três governadores: Coronel Ramiro Noronha, Major José Guiomard dos Santos e José Alves de Albuquerque. Segundo Centeno (2007)

“O Coronel Ramiro Noronha foi o primeiro Governador do Território Federal de Ponta Porã, tendo sido nomeado em Janeiro de 1944. Com a deposição de Vargas, Noronha exonerou-se em novembro de 1945 e o cargo foi assumido interinamente por Leônidas Horta, diretor da Divisão de Educação e Cultura. Ainda no mês de novembro o Major José Guiomar dos Santos, foi nomeado para substituir. Mas exerceu o cargo por dois meses apenas, em razão de sua nomeação para assumir o governo do Território do Acre. Para substituí-lo foi nomeado o Dr. José Alves de Albuquerque, médico da Comissão de Limites, que exerceu o cargo por 9 meses, em razão da extinção do Território, em setembro de 1946”. Rocha (2019, p. 87)

O Território Federal de Ponta Porã de 1943 a 1946 não tinha somente objetivo principal trazer segurança a região de fronteira, mas propiciar desenvolvimento através de modernas construções e instalações de programas com apoio do Governo Federal neste período historiográfico. Uma das construções mais icônicas da época que por muitos anos foi considerada o símbolo monumental, por estar na entrada sul da cidade, conhecida por todos como o Portão da Granja, um grande portal de tijolos que posteriormente foi demolido em meados da década de 1970, para construção da rotatória de acesso ao Aeroporto Internacional e ao empreendimento habitacional (Bairro Aeroporto) que ficou conhecido como Bairro da Granja e adjacências e reordenação do fluxo de entrada ao centro de Ponta Porã neste período histórico.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira
Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

GRANJA MODELO ASSIS BRASIL.

No que é descrito no relatório a preocupação principal em trazer modernas instalações para região com núcleo central na cidade de Ponta Porã, tinha como base os relatórios encaminhados das atividades agropecuárias na região, descrita da seguinte forma: “Em ambiente tão impróprio às atividades agrícolas e pecuárias sub-bases técnicas, improdutivo, seria, de logo, cuidar-se de instalações suntuosas, campos experimentais, etc, sem que antes se preparasse o fator homem, até então desajustado completamente, como alavanca proporcionadora do progresso, em colaboração com o poder público”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P., 1946, p. 60 a 69)

Uma destas instalações ocorreu por meio do projeto Granja Modelo denominada “Assis Brasil”, que tinha como objetivo a construção de galpões, incluindo casas de maquinas, construção de um açudo para piscicultura, aviários para reprodução, estabulo para ordenha, uma área destina para o cultivo de parreiral, casas e alojamentos para os trabalhadores e um centro de defesa animal sanitária, que seria criado segundo o relatório com a incumbência de:

  1. Cumprir o Regulamento do S.D.S.A,  aprovado pelo Decreto-Lei n.º  24,548, de 3-7- 34;
  2. Distribuir aos fazendeiros, ao preço do custo, artigos e produtos biológicos de uso veterinário, fazendo a vacinação gratuita nos rebanhos;
  3. Expedir certificados sanitários para embarque de animais e produtos de origem animal; d) denunciar as epizootias, avisando imediatamente ao Veterinário, sobre qualquer surto de que houvesse conhecimento; e) colher material de animais suspeitos e remetê-lo ao Laboratório, na sede, para o necessário exame; caso veículos motorizados, muito embora, em algumas vezes, se tenha empregado até o caminhão, posto à disposição daquele Serviço.

MEMÓRIA E CULTURA: IMAGENS DAS CONSTRUÇÕES DA GRANJA MODELO ASSIS BRASIL EM PONTA PORÃ, MEADOS DA DÉCADA DE 1940.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira
Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.
Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Imagem acervo: Prof. Yhulds Bueno. Arquivo: BIBLIOTECA DE AMAMBAI – RELATÓRIO TER. FED. de P. P. 1946.

O relatório para o ano em curso 1946 descreve: “Se dará o início da compra de reprodutores, instalando pelo menos três estações de monta, nos municípios de Maracaju, Ponta, Porã e Bela Vista. Se dará início em conjunto com a instalação de uma fazenda modelo, em Nestor Cué, para entrar em pleno funcionamento até princípios de 1949”. No decorrer deste mesmo relatório é informado o preenchimento do quadro de veterinários para o setor de defesa animal.  “De imediato seriam preenchidos os quadro de veterinários, de maneira que fosse possível distribuí-los pelo interior do território, ampliando a assistência direta aos criadores. Na granja modelo já instalada em Ponta Porã, funcionará a Seção do Fomento da Produção Animal”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P. 1946, p. 60 a 69.)

A preocupação fundamentava-se em problemas de produção agropecuária neste período histórico no país, sendo um deles segundo relato: “Somos uma Nação que se diz essencialmente agrícola e que, entretanto, ainda importa produtos de primeira necessidade, como a batata holandesa, por exemplo, que veio concorrer com a nacional, no preço e na qualidade. Isto é exemplo frisante do quanto ainda teremos que fazer no setor da produção, até certo ponto prejudicada peles arcaicos princípios burocráticos adotado na administração pública, aos quais não escapou o Ministério da Agricultura, hoje felizmente sob ação renovadora, orientando a sua política econômica, rumo ao campo, única solução aos problemas que nos afligem, quanto ao abastecimento da população”. (RELATÓRIO TER. FED. De P. P., 1946, p. 60 a 69.)

O relatório rico em informações de época retrata uma Ponta Porã cidade do sul do antigo grande Mato Grosso anterior à divisão do Estado, região que com a criação do Território Federal no Governo de Getúlio Vargas proporcionou certo desenvolvimento para o momento historiográfico relatado, enumeras foram as benfeitorias neste período construções de pontes, estradas e escolas.

O portão da Granja ficou na memória dos cidadãos mais antigos da cidade de Ponta Porã, principalmente dos habitantes da região sul do município, mas através da memória fotográfica e relatos documentais seguirá vívido este período histórico na memória sócio cultural da região de fronteira.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:

CENTENO, Carla Villamaina. Educação e fronteira com o Paraguai na historiografia matogrossense (1870-1950). 2007. 257f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.

ROCHA, Marcelo Pereira. AS INSTITUIÇÕES ESCOLARES NO PROJETO DE OCUPAÇÃO DA FRONTEIRA DO BRASIL COM O PARAGUAI: TERRITÓRIO FEDERAL DE PONTA PORÃ (1943 -1946). 2019. 250f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2019.

TERRITÓRIO FEDERAL DE PONTA PORÃ (EXTINTO) – RELATÓRIO Apresentado ao Exmo. Sr. Presidente da República, pelo Governador Dr. José Alves de Albuquerque. 1944-1945-1946. Ponta Porã 1946.

Ponta Porã Na Linha Do Tempo: Imagens Historiográficas Da Região De Fronteira

Pesquisa: Prof.  Historiador Yhulds G. P. Bueno mestre Em desenvolvimento Regional e de sistemas Produtivos/UEMS. Membro Associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero – Guarani Distrito 4470.

 

PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Memória histórica e cultural da região de fronteira, Desfile cívico o amor à pátria que ultrapassa o tempo e marca as gerações

"Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte!". (D. Pedro I em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga)

Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Na imagem 11º RC – Regimento de Cavalaria em desfile na semana de comemoração da independência década de 40.

“Fé esperança e cultura e que ostenta essa rica região” Isaac Borges Capillé

Dois locais importantes na cidade de Ponta Porã foram utilizados para realização do desfile da 7 de setembro, dependendo do governante municipal, ou era a rua Marechal Floriano ou Avenida Brasil. Segue relato de fatos deste eventos em épocas distintas nestes.
Arquivo pessoal Vergínia Cuevas Pereira: Alunas da escola são José Década de 60 com a irmã salesiana, Freira Margarida.

A Escola Paroquial São José fundada na década de 40, foi uma das principais unidades educacionais da fronteira em seu tempo, com sistema privado (particular), escola tradicional primeiramente com educadores eclesiásticos, padres e freiras (irmãs) da ordem redentoristas. 
Arquivo pessoal de Gene Whitmer: desfile cívico década de 60. Avenida Brasil ainda sem pavimentação.

A escola se localizava na Avenida Brasil travessa com a Rua Tiradentes, por décadas formou alunos que se tornaram profissionais nas mais diversas áreas dentro e fora da cidade, dentro de suas atividades extras curriculares de destaque, a sua fanfarra marcou época e fez história dentro e fora do município e estado.
Escola Paroquial São José década de 50 localizada na avenida Brasil - Divulgação

Em 1978, através de apoio e incentivo do Professor Isaac Borges Capillé ocorreu na cidade de Ponta Porã o primeiro concurso oficial de fanfarras, pois anteriormente eram meramente apresentações e desfile. O troféu transitório foi uma doação do Grupo Fazendas Itamarati. 
Arquivo de Marcelo Camburão fanfarra São José se preparando para entrar na avenida sob o comando do maestro Geraldo Portiolli. Década de 80.

O Professor Issac Borges Capillé foi o percussor de fanfarras do município de Ponta Porã, criando a primeira fanfarra do Ginásio São Francisco na década de 60 e incentivando outras unidades escolares a formar suas fanfarras, uma destas a Fanfarra da Escola Paroquial São José, educador, político e desportista que marcou história na fronteira, ele escreveu a letra do Hino do Município de Ponta Porã, um poema a princesinha dos ervais. 
Troféu transitório que ficou de posse definitiva pra Escola Paroquial São José

Muitos acontecimentos anteriores ficaram registrados na memória cultural da Princesinha dos Ervais como é carinhosamente chamada a cidade fronteiriça de Ponta Porã, a população como politicas e empresariais se faziam presentes neste evento, que ficaram congelados no tempo através de registros fotográficos deste período. 
Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem do sobrado, casas Buri de propriedade do senhor Benone, em destaque na imagem de terno preto senhor Benone (tio Benone) os locutores Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva, transmitissem o desfile de uma posição mais privilegiada. Hoje neste local funciona outro estabelecimento comercial de calçados.

A grande maioria da população que todos os anos prestigiam o desfile cívico realizado na Avenida Brasil em Ponta de Porã não imagina de que maneira era feito nem ao menos onde acontecia em outras épocas, este breve relato vem realizar uma retrospectiva deste evento em nossa cidade que atrai tantos fronteiriços a prestigiar o amor à pátria. 
Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem das alunas acompanhada com a professora passando pelo palanque oficial.

Avenida Marechal Floriano lotada a população local aguardando com euforia o início do desfile daquele ano, o palco das autoridades já estava montado todo em madeira no centro da avenida a transmissão era realizada do alto do sobrado da loja “Casa Buri” de propriedade o senhor Benoni (Tio Benoni), que sedia o local no andar superior de sua loja para que o mesmo servisse de bancada para os locutores, (atualmente nesse mesmo local funciona a loja de sapatos Genesis). 

Avenida Marechal Floriano toda enfeitada seus paralelepípedos limpos ao longo das calçadas os postes de madeiras também recebiam adornos e fechamento de cordas para segurança da plateia, os locutores da época Srº Adão Bueno e Srº Velocindo da Silva (Velo) transmitiam o desfile através de alto falantes instalados no sobrado e na extensão da Avenida, o desfile começava próximo a Praça Lício Proença Borralho onde hoje se localiza os box das novas lojas dos camelôs na linha internacional, seguindo em direção a parte alta da Avenida.

Segundo relatos do senhor Adão Bueno que transmitiu o desfile por longo tempo, quem teve o privilegio de fazer parte deste período histórico percebe o quanto a cidade de Ponta Porã se desenvolveu, a fronteira em geral progrediu, a juventude de hoje não tem muitas informações, não imaginam que por baixo destes asfaltos da Avenida Marechal Floriano existe blocos de paralelepípedos que foram colocados para modernizar e deixar o centro comercial da cidade mais limpo em outros tempos. 

Buscando em sua memória o senhor Adão Bueno ressalta que esse período era de plena ditadura militar e para que fosse realizada a transmissão do desfile o mesmo deveria ter toda logística e autorização monitorada do 11º Regimento de Cavalaria. 
Arquivo pessoal de Elizabeth Fátima Costa: Desfile cívico, sete de Setembro em Ponta Porã 1975.

Os locutores autorizados nesse período pelo comando militar eram o senhor Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva (velo). Vale lembrar que o senhor Velocindo continua transmitindo o desfile, isso ocorre por décadas que neste ano de 2015 completa 50 anos de palanque oficial, voz conhecida nas transições por todos na cidade, como também no cerimonial da Prefeitura Municipal.

Adão Bueno que tinha seus programas de radio nestes tempos, dedicou se mais para politica e ao esporte, dirigindo várias equipes na cidade e em outras regiões do Estado e no país vizinho Paraguai, bicampeão da copa morena de futebol de salão pela equipe da fazenda Itamarati, participando de enumeras copas morenas, campeão regional e estadual por equipes de futebol de gramado, tais como Bota fogo e Operário, dirigente esportivo, membro da liga amadora de futebol e atuando como assessor político e dentro de Ponta Porã como também em outros municípios de Mato Grosso do sul. 

Rememorar é uma forma de manter sempre acesa a memória histórica e cultural de uma nação.
Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor da Rede Municipal de Educação, qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor Tutor das Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã.