segunda-feira, 26 de maio de 2025

 

PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Memória histórica e cultural da região de fronteira, Desfile cívico o amor à pátria que ultrapassa o tempo e marca as gerações

"Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte!". (D. Pedro I em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga)

Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Na imagem 11º RC – Regimento de Cavalaria em desfile na semana de comemoração da independência década de 40.

“Fé esperança e cultura e que ostenta essa rica região” Isaac Borges Capillé

Dois locais importantes na cidade de Ponta Porã foram utilizados para realização do desfile da 7 de setembro, dependendo do governante municipal, ou era a rua Marechal Floriano ou Avenida Brasil. Segue relato de fatos deste eventos em épocas distintas nestes.
Arquivo pessoal Vergínia Cuevas Pereira: Alunas da escola são José Década de 60 com a irmã salesiana, Freira Margarida.

A Escola Paroquial São José fundada na década de 40, foi uma das principais unidades educacionais da fronteira em seu tempo, com sistema privado (particular), escola tradicional primeiramente com educadores eclesiásticos, padres e freiras (irmãs) da ordem redentoristas. 
Arquivo pessoal de Gene Whitmer: desfile cívico década de 60. Avenida Brasil ainda sem pavimentação.

A escola se localizava na Avenida Brasil travessa com a Rua Tiradentes, por décadas formou alunos que se tornaram profissionais nas mais diversas áreas dentro e fora da cidade, dentro de suas atividades extras curriculares de destaque, a sua fanfarra marcou época e fez história dentro e fora do município e estado.
Escola Paroquial São José década de 50 localizada na avenida Brasil - Divulgação

Em 1978, através de apoio e incentivo do Professor Isaac Borges Capillé ocorreu na cidade de Ponta Porã o primeiro concurso oficial de fanfarras, pois anteriormente eram meramente apresentações e desfile. O troféu transitório foi uma doação do Grupo Fazendas Itamarati. 
Arquivo de Marcelo Camburão fanfarra São José se preparando para entrar na avenida sob o comando do maestro Geraldo Portiolli. Década de 80.

O Professor Issac Borges Capillé foi o percussor de fanfarras do município de Ponta Porã, criando a primeira fanfarra do Ginásio São Francisco na década de 60 e incentivando outras unidades escolares a formar suas fanfarras, uma destas a Fanfarra da Escola Paroquial São José, educador, político e desportista que marcou história na fronteira, ele escreveu a letra do Hino do Município de Ponta Porã, um poema a princesinha dos ervais. 
Troféu transitório que ficou de posse definitiva pra Escola Paroquial São José

Muitos acontecimentos anteriores ficaram registrados na memória cultural da Princesinha dos Ervais como é carinhosamente chamada a cidade fronteiriça de Ponta Porã, a população como politicas e empresariais se faziam presentes neste evento, que ficaram congelados no tempo através de registros fotográficos deste período. 
Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem do sobrado, casas Buri de propriedade do senhor Benone, em destaque na imagem de terno preto senhor Benone (tio Benone) os locutores Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva, transmitissem o desfile de uma posição mais privilegiada. Hoje neste local funciona outro estabelecimento comercial de calçados.

A grande maioria da população que todos os anos prestigiam o desfile cívico realizado na Avenida Brasil em Ponta de Porã não imagina de que maneira era feito nem ao menos onde acontecia em outras épocas, este breve relato vem realizar uma retrospectiva deste evento em nossa cidade que atrai tantos fronteiriços a prestigiar o amor à pátria. 
Arquivo pessoal Adão Bueno desfile cívico 1971, imagem das alunas acompanhada com a professora passando pelo palanque oficial.

Avenida Marechal Floriano lotada a população local aguardando com euforia o início do desfile daquele ano, o palco das autoridades já estava montado todo em madeira no centro da avenida a transmissão era realizada do alto do sobrado da loja “Casa Buri” de propriedade o senhor Benoni (Tio Benoni), que sedia o local no andar superior de sua loja para que o mesmo servisse de bancada para os locutores, (atualmente nesse mesmo local funciona a loja de sapatos Genesis). 

Avenida Marechal Floriano toda enfeitada seus paralelepípedos limpos ao longo das calçadas os postes de madeiras também recebiam adornos e fechamento de cordas para segurança da plateia, os locutores da época Srº Adão Bueno e Srº Velocindo da Silva (Velo) transmitiam o desfile através de alto falantes instalados no sobrado e na extensão da Avenida, o desfile começava próximo a Praça Lício Proença Borralho onde hoje se localiza os box das novas lojas dos camelôs na linha internacional, seguindo em direção a parte alta da Avenida.

Segundo relatos do senhor Adão Bueno que transmitiu o desfile por longo tempo, quem teve o privilegio de fazer parte deste período histórico percebe o quanto a cidade de Ponta Porã se desenvolveu, a fronteira em geral progrediu, a juventude de hoje não tem muitas informações, não imaginam que por baixo destes asfaltos da Avenida Marechal Floriano existe blocos de paralelepípedos que foram colocados para modernizar e deixar o centro comercial da cidade mais limpo em outros tempos. 

Buscando em sua memória o senhor Adão Bueno ressalta que esse período era de plena ditadura militar e para que fosse realizada a transmissão do desfile o mesmo deveria ter toda logística e autorização monitorada do 11º Regimento de Cavalaria. 
Arquivo pessoal de Elizabeth Fátima Costa: Desfile cívico, sete de Setembro em Ponta Porã 1975.

Os locutores autorizados nesse período pelo comando militar eram o senhor Adão Bueno e Velocindo Farias da Silva (velo). Vale lembrar que o senhor Velocindo continua transmitindo o desfile, isso ocorre por décadas que neste ano de 2015 completa 50 anos de palanque oficial, voz conhecida nas transições por todos na cidade, como também no cerimonial da Prefeitura Municipal.

Adão Bueno que tinha seus programas de radio nestes tempos, dedicou se mais para politica e ao esporte, dirigindo várias equipes na cidade e em outras regiões do Estado e no país vizinho Paraguai, bicampeão da copa morena de futebol de salão pela equipe da fazenda Itamarati, participando de enumeras copas morenas, campeão regional e estadual por equipes de futebol de gramado, tais como Bota fogo e Operário, dirigente esportivo, membro da liga amadora de futebol e atuando como assessor político e dentro de Ponta Porã como também em outros municípios de Mato Grosso do sul. 

Rememorar é uma forma de manter sempre acesa a memória histórica e cultural de uma nação.
Pesquisador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor da Rede Municipal de Educação, qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor Tutor das Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã.

 

PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Memória histórica e cultural do cotidiano da fronteira de outras épocas. A lenda do Sargento do 4º BPM

História o causo e a lenda, para que os mesmos possam existir, precisa ser feita de pessoas, “homens e mulheres” que se tornam personagens de suas narrativas em seu tempo, de maneira a contribuírem no desenvolvimento social, cultural e político de sua cidade, região e país. Yhulds Bueno

Ao longo dos séculos a forma mais simples de transmitir uma história, seja ela cercada de mistérios ou sobre algum acontecimento, é contando um bom e velho causo que vira lenda, muito praticado pelas gerações mais antigas da região fronteiriça e pelo Brasil.

As lendas fornecem explicação para tudo, até mesmo aquelas que não têm explicação científica para estes fatos fora do comum, como por exemplo, acontecimentos fantasmagóricos que instigam o imaginário de todos. 

Mas o que é uma lenda e como podemos definir? Lenda vem do latim e quer dizer “aquilo que deve ser lido” 

Lendas são narrativas intrigantes transmitidas oralmente pelas pessoas, os famosos causos têm como característica explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais com imaginários de determinada cultura e região, que se modificam através do tempo, e quando se tornam conhecidas vão sendo registradas na linguagem escrita, sendo assim narradas de diversas formas e maneiras por autores que buscam resgatar fatos folclóricos. 

Essa lenda que se tornou um causo é baseado em testemunhos vivos de quem presenciou estes acontecimentos, arquivos vivos que preferem ficar no anonimato. Respeitando os mesmos, será realizado o resgate através de uma narrativa deste fato intrigante, que perpetua na região de fronteira na cidade de Ponta Porã até os dias de hoje.

Foto de Albert Braud 1926. Arquivo pessoal de Luiz Alfredo Marques Magalhães, publicado no livro Um Homem de Seu Tempo 2011. Obra da CIA. Mate Laranjeira, a mesma foi destinada para ser o quartel do corpo Militar de Polícia, que nestes tempos utilizava cavalos.
O 4º BPM – Batalhão da Polícia Militar utilizou por longa data o prédio histórico do castelinho, posteriormente passou para o prédio localizado na Rua Antonio João nº 2244 hoje área central de Ponta Porã. 

Na década de 70 sua localização era considerada afastada do centro da cidade, poucas casas e bairros existam nestes tempos, segundo relato de praças antigos da corporação, que eram efetivos nesses tempos, uma época difícil para fazer o patrulhamento da região de fronteira.

Foto 1945. Arquivo pessoal de Luiz Alfredo Marques Magalhães, publicado no livro Um Homem de Seu Tempo 2011. Membros do Aero Clube de Ponta Porã, ao fundo o castelinho que serviu de sede do Governo do Território Federal ao centro da foto ladeado por autoridades Miliar Ramiro Noronha que foi o governador do território até sua Extinção. Posteriormente por décadas o castelinho foi utilizado como pela\Polícia Militar.
Nesses tempos o exército também fazia sua patrulha a cavalo ou mecanizado com caminhão e jipe (jeep) que tinha uma metralhadora, a patrulha mecanizada do quartel fazia o patrulhamento mais na faixa de fronteira afastada coibindo o contrabando, a patrulha a cavalo ficava na área de periferia e urbana da cidade e às vezes a PE Polícia do Exercito realizava a ronda a pé pela cidade na área central.

O contingente do 4º BPM era de poucos policiais nesses tempos as escalas de serviços eram duras para poder suprir a necessidade da pequena cidade de fronteira, as dobras eram inevitáveis, quem distribuía as escalas era um sargento que realizava os serviços internos gerais, o mesmo utilizava uma máquina de escrever datilografando e registrando todos os acontecimentos vinculados ao Batalhão, o sargento também realizava rondas para auxiliar nas escalas de serviço.

O fato intrigante ocorre com a morte do sargento quando o mesmo se dirigia para atender uma ocorrência na década de 70, segundo relato de quem por longa data prestou serviço no 4º BPM, muitos escutavam o clicar da máquina de escrever no mesmo ritmo que o sargento realizava suas tarefas no batalhão, depois do mesmo já ter falecido e quando o PM (Policial Militar) que estava na escala de serviço se dirigia para observar a origem do barulho o mesmo desaparecia, abrir e fechar de gavetas como se o sargento ainda estivesse realizando seus afazeres era corriqueiro nesses tempos, que os PMs antigos nem se importavam mais com esses acontecimentos sobrenaturais.

Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio). Esta imagem de soldados do destacamento do 11º RC década de 40 com o jeep que fazia neste período histórico o patrulhamento na região de fronteira para desta forma coibir o contrabando na região.
O mesmo perpetuou por anos, mesmo depois da modernização e substituição das maquinas de escrever por computadores, este fato ainda e mencionado nos dias atuais não só por soldados antigos da corporação (praças) já aposentados, mas por muitos que preferem ficar no anonimato, se preservando, mas confirmam a presença de alguém que até acorda com batidas quem esta repousando no dormitório como se estivesse chamando para o serviço, ou acompanha pelos corredores do batalhão. 

Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40. Na imagem cabo Itrio e companheiros soldados do 11º RC PP realizando instrução e treinamento de tiro década de 40.
Verdade ou lenda, muitos afirmam que o sargento que teve seu fim trágico cumprindo seu dever na década de 70, ainda está rondando e realizando seu trabalho, pois seus passos nos corredores e o clicar da máquina de escrever ainda ecoa pala madrugada. Essa é uma homenagem a todos esses valorosos soldados e oficiais que atuaram e atuam no 4º BPM de fronteira, que diuturnamente com toda adversidade não medem esforços para proteger e resguardar a região de fronteira.

Resgatar lendas causos do cotidiano de um povo é perpetuar sua história e valorizar todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram e ainda hoje contribuem para o desenvolvimento sócio econômico e cultural desta rica região de fronteiriça.

Pesquisador: Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor da Rede Municipal de Educação e Faculdades Anhanguera Polo Ponta Porã - MS.

 

Ponta Porã Linha do Tempo: Causos e lendas da região fronteiriça.

“Jaguarete-avá” O índio xamã que se transformava em onça pintada


Como explicar o sobrenatural, algo que foge do que é real, ou subintende ser natural, no decorrer da existência e evolução do ser humano na terra o mesmo navega nas narrativas históricas das mais diversas culturas espalhadas pelo mundo se esforçando para compreender suas místicas (causos e lendas). 

Para obter conhecimento de uma determinada cultura essa pertencente a uma comunidade, isso pode ser realizado através da análise de sua história ou de seus causos e lendas, esses narrados e repassados por gerações. 

Essa mística é muito forte na cultura indígena, que nas suas lendas, mostra a transformação do homem ou da mulher em animal, espirito ou em algo sobrenatural, em outros tempos, esses acontecimentos tem como base a interpretação do seu mundo de sua própria existência, ou explica o surgimento de elementos da natureza. Desta forma surgiu na fronteira há muito tempo atrás, isso na época do desbravamento da região quando tropeiros e viajantes se aventuravam por este vasto rincão cheio de matas cercado de mistérios.

Entre os índios yanomami, a lenda conta que os primeiros
 homens na terra nasceram da união da índia curare que significa
 (veneno) com a yaguaraté ou (onça pintada).
 Imagem divulgação fonte: http://black-jaguar.org


A lenda do “Índio Jaguarete-ava”, que na mitologia guarani é “Yaguareté-abá”, origem do nome está na língua guarani língua onde "yaguareté" ou “jaguarete” é um dos nomes pelo qual é conhecida a onça pintada; e "abá" ou "avá" significa "homem". Também chamado de “homem-onça”, trata-se de um mito comum nos países sul-americanos, que também fez parte das lendas da fronteira do Brasil com Paraguai em outras épocas.

Existiam nestes tempos índios feiticeiros ou (xamã) que tinham a capacidade de se conectar com seres místicos através dos sonhos ou rituais, estes controlavam as matas e os poderes da natureza, invocavam espíritos para conseguir cumprir seus desejos, usando a pele da onça pintada realizavam ritual de andar em cima do couro do felino dentro das mata, com suas rezas antigas o “xamã” conseguiam tomar a forma do “jaguarete-avá” ou “homem-onça”, quando transformado seguia mata adentro para caçar e proteger sua região de outros seres ou qualquer um que tentasse invadir seu território.

Imagem divulgação fonte: http://black-jaguar.org


Na região fronteiriça de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero na época que era conhecida somente com “Punta Porã” que significa (Ponta bonita) existiram o “Jaguarete-avá” que percorria as matas muitos diziam que andava nos galhos das árvores, como nestes tempos muitos tropeiros e viajantes estavam a povoar a região, campesinos os estancieiros destes tempos relataram aos seus amigos e parentes que ocorriam ataques do “jaguarete avá” homem-onça, isso foi repassado por gerações, muitos diziam que os ataques do “jaguarete-avá” o homem onça, era para proteger seu território, pois ele atacava os tropeiros e viajantes, como as estancias da região que estavam invadindo suas terras, mas a relatos que o jaguarete-avá era cruel e muitos morreram tentando se proteger desta fera das matas, meio animal meio homem, por décadas apavorou a região com seus ataques.

Foto de 1919 de Luiz Alfredo M. Magalhães. Publicada no livro um Homem de Seu Tempo, uma biografia de Aral Moreira, “intensa movimentação das carretas ervateiras”. Isso se deu no início do século na região fronteiriça, onde muitos desbravadores oriundos das mais diversas localidades e regiões do Brasil, principalmente do Sul do país, iniciaram seus cultivos e criações, nas estancias (fazendas) que estavam se formando na fronteira.

Com o crescimento e desenvolvimento dos dois países e das duas cidades da região fronteiriça o mito do jaguarete-avá o homem-onça ficou adormecido, os moradores mais antigos da região que vivem nos meios rurais ainda dizem que o jaguarete-avá ainda esta pelas matas e quem se atrever a invadir seu território vai enfrentar sua fúria.

Mitos, lendas viram causos e são repassados por gerações, para desta forma preservar a herança da memória cultural de um povo e manter viva sua história.


“Nós não herdamos a Terra de nossos antecessores, nós pegamos emprestada de nossas crianças”. Proverbio Índio.

 

PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO/YHULDS BUENO:

LENDAS DA REGIÃO FRONTEIRIÇA:  YVOTY-PORÃ A FLOR DO LAGO

Por: Prof. Me. Yhulds Giovani Pereira Bueno

“Rememorar as lendas locais é instigar o imaginário das novas e futuras gerações, mantendo-se viva seus aspectos culturais e sociais vividos em outras épocas”. Prof. Me. Yhulds G. P. Bueno

As Lendas fazem parte do cotidiano de uma região, não diferente, fatos semelhantes ocorrem em outros lugares. Por ser a Laguna Punta Porã que está localizada na Cidade-Capital de Pedro Juan Caballero no Departamento de Amambay-PY um lugar histórico envolto por muitos mistérios, estas lendas locais são repassadas de forma oral, por meio de narrativas por gerações aos moradores fronteiriços.

“Lenda é uma narrativa transmitida oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular”. Fonte: https://www.significados.com.br/lenda/

Segundo narrativas sobre a lenda, antes de ser formada a Laguna Punta Porã neste local existia um poço que era utilizado por povos indígenas da região, mas uma grande estiagem quase secou o poço, sem água em abundância ocorreu um êxodo forçando muitas tribos da região migraram do lugar, os indígenas que restaram na região tentavam sobreviver da pouca água barrenta que o poço produzia, sem mais esperança os indígenas resolveram seguir para outros lugares, somente uma indígena permaneceu, por ser uma anciã e estar adoentada faleceu próxima ao poço barrento.




Imagem web divulgação. Povos nativos. Fonte: https://portaldasmissoes.com.br/

Décadas após está grande seca, as tribos retornaram para região fazendo o uso dos caminhos que passavam pelo local do poço, que mesmo com sua água barrenta servia para saciar a sede, muitos nativos comentaram que o espirito da anciã rondava o poço clamando por água para saciar sua cede.

Certa vez um pequeno grupo passou pelo local do poço uma bela e formosa indígena que era chamada Yvoty-Porã que significa (flor bonita) foi coletar um pouco de água barrenta para dar de beber a sua mãe, para melhorar o gosto ela filtrava a água barrenta derramando em cima de um pano que estava cheio de erva-mate nativa moída que servia de filtro para aparar o barro separando da água que escorria pelo “Porongo”, assim conseguindo água fresca e limpa.

“O Porongo Campero é uma planta vigorosa e trepadeira com folhas grandes e aparência exuberante. Pode ser cultivada sem tutoramento, mas o ideal é cultivá-la de forma que possa crescer sobre cercas e treliças para aumentar a produtividade por área e para que os frutos não fiquem em contato com o solo. Quando o fruto amadurece, a polpa seca e a casca endurecem, tornando-se oco e impermeável. Neste estágio estão prontos para serem utilizados na confecção de artesanato, como instrumentos musicais, cuias de chimarrão, entre outros”

Fonte: https://ervamatesantiago.com.br/beneficios-da-erva-mate/porongos-como-e-produzido-e-cultivado-o-fruto-que-da-origem-as-cuias/

 


YVOTY-PORÃ Imagem ilustrativa: Fonte web. https://br.pinterest.com/pin/486670303461977611/

Quando a indígena Yvoty-Porã se preparava para seguir seu caminho para levar a pequena porção de água que conseguiu para sua mãe, viu que uma indígena anciã aproximando-se pedindo um pouco de água para saciar sua sede, Yvoty-Porã solidária presenteou a indígena anciã com a metade de sua água que estava limpa e filtrada, após beber exclamou que deste dia em diante este poço se fartará de água em abundância e transformará em um belo lago para ninguém mais sofrer e morrer de sede, após bendizer essas palavras sumiu dos olhos da índia Yvoty-Porã, e desta forma surgiu à laguna Punta Porã.

 


Imagem aérea laguna Punta Porã década de 1950: Fonte https://realidad-nacional-amambay.blogspot.com/2013/05/

Com a formação da grande lagoa várias caravanas de tropeiros vindos de todos os lugares utilizavam os caminhos para chegar a laguna Punta Porã que se tornou uma parada obrigatória, estes viajantes faziam seu comércio, de gado e mantimentos, reabasteciam com suprimentos para continuar sua viagem.



Imagem ilustrativa divulgação: Acervo Digital da Biblioteca Nacional.
Autor/Criado: Adam, Albrecht, 1786-1862;
Título: Habitants de Minas.

 Nas rodas de amigos entre os tropeiros sempre tinha um bom violeiro e um contador de causo que narrava aos viajantes à lenda da Flor do lago, o causo de uma bela indígena  conhecida como Yvoty-Porã (flor-bonita) que se apaixonou por um tropeiro que passava com seu cavalo tocando uma viola encantando a bela indígena Yvoty-Porã, sua tribo não concordava com relacionamento dos dois, um dia o tropeiro foi morto ao tentar fugir com Yvoty-Porã, que inconformada com a morte de seu amado tropeiro se atirou no lago e nunca mais foi encontrada.



Imagem: Fonte.https://realidad-nacional-amambay.blogspot.com/2013/05/laguna-punta-pora-pedro-juan-caballero.html

Os antigos estancieiros da região e moradores que rodeavam a Laguna Punta Porã de outras épocas, contavam que em noite de lua cheia e um belo céu estrelado, que refletiam no espelho d’água da Laguna Punta Porã, se escutava o som de uma bela viola e se avistava uma canoa que deslizava lentamente pela laguna, e dentro dela o tropeiro 0apaixonado e a bela Yvoty-Porã, do mesmo jeito que está visão surgia desaparecia na escuridão da noite.



Imagem web publicação: En la década de los años 70 y 80, nuestra querida laguna bautizada por los habitantes actuales como “Laguna Punta Porã”, como una forma de inmortalizar el nombre del paraje que dio início a esta capital departamental, estuvo a punto de sucumbir bajo toneladas de tierra, ripio, cascallo y piedras.

 Fonte: https://m.elnordestino.com/post.php?id=4623

A lenda da Flor do lago Yvoty-Porã e seu amor impossível, que conta uma bela, mas trágica estória de amor que ultrapassa as gerações encantando os fronteiriços, há quem acredite e também quem duvide na atualidade.

 

 


Pesquisa: Prof. Me. Yhulds G. P. Bueno. Desde 1993 auando na docência da Rede Pública e Privada. Formado em Educação Física, Formação Pedagógica e Licenciatura em História. Mestre em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos; Pós-Graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia; Pós-graduado: Docência em Biblioteconomia; Pós-Graduado: Ensino de História. Membro associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero Guarani – Distrito 4470