segunda-feira, 26 de maio de 2025

 

PONTA PORÃ NA LINHA DO TEMPO ERVA-MATE: A HISTORICIDADE CULTURAL KA’A NA FORMAÇÃO REGIONAL

Artigo elaborado por: Prof. Me. Yhulds Giovani Pereira Bueno

RESUMO: A finalidade desta pesquisa documental e de produzir um estudo através de referencial teórico existente sobre o assunto a ser abordado, acerca da influência dentro do desenvolvimento regional da exploração e produção da erva-mate nativa para compreender dentro da historicidade qual foi o seu papel mediante este contexto histórico, que há transformou em uma mercadoria valiosa, para consumo local e exportação considerada pelos primeiros ervateiros uma espécie de ouro verde, pela quantidade e variedade, podendo ser consumida quente ou fria e utilizada para tingimento de tecidos, conhecimentos sobre os usos da erva-mate ka’a em tupi guarani.

PALAVRAS CHAVES: Fronteiras regionais; Identidade territorial; Identificação histórico-cultural.

INTRODUÇÃO:

Antes da chegada dos europeus à América, os índios guaranis já usavam as folhas da erva-mate chamada de ka’a karai, “folha sagrada”, ou côgoi, palavra esta que foi posteriormente adaptada ao idioma português como “congonha” para preparar uma bebida estimulante. Era o chamado ka’a y traduzido do guarani, “água de folha”. As folhas da erva eram colocadas em uma cuia com água e o líquido era então chupado através de uma taquara, caniço ou osso o chamado tacuapi, filtrado através de um trançado de fibras vegetais.

    


FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=QdugD5ob5hU Processo Histórico da Erva Mate

Segundo o mito guarani, a bebida foi descoberta quando um velho índio não conseguiu mais acompanhar as andanças da tribo devido à sua idade avançada e teve que ficar para trás. Sua filha decidiu ficar com ele, mas ele queria que ela fosse com a tribo, então o deus Tupã (ou então São Tomé) lhe ensinou a preparar uma bebida com as folhas da erva-mate, bebida esta que lhe daria forças e que permitiria a ele e a sua filha acompanharem a tribo. Os índios guaranis costumavam armazenar as folhas de erva-mate em cestas de taquara

Os primeiros achados de erva-mate segundo estudos têm como data aproximada de mil a.C. Foram encontrados vestígios de material, sendo estes, moída com outros objetos em oferendas funerárias de sepulturas de povos no Peru, segundo estudo publicado por SOUZA (1969) em seu livro “A origem do chimarrão”. Não existem dúvidas de que tribos indígenas faziam uso da erva-mate. Sabe-se que ela era consumida, em infusão ou mascada, em diversas outras tribos além dos Guaranis, como pelos ameríndios (Incas e Quíchuas) e também por Caingangues que estavam na região onde hoje é o Paraná.

Através do contato do branco europeu com os índios nativos locais que o costume de beber mate se propagou. Essa interação entre os dois povos e culturas, pode explicar a origem de algumas palavras: dentro da língua guarani surgiu expressões como congonha (de caá, depois congoin [em tupi], que significa erva-mate, mato); cuia (de caigua); carijo (de cari, local onde se colocam os galhos da erva para secar ao calor do fogo) e tererê (do guarani jacubi, que era mate de água fria). Do tupi surgiu a palavra barbaquá (buraco onde a erva era colocada para secagem). Do quíchua foi herdado o nome mate (era mati, porongo onde colocavam a erva para beber).

O ERRO DE PESQUISA CIENTÍFICA DE CAMPO

Segundo SOUZA (1969) foi por um erro de percurso que a erva-mate ganhou o nome científico, em 1820, de Ilex paraguariensis, dado pelo botânico francês August de Saint-Hilaire. Ele teve contato com a árvore primeiramente no Paraguai, mas depois se retratou em um livro, hoje guardado em uma biblioteca de Paris. O naturalista reconheceu que seria mais adequado tê-la chamado de Ilex brasiliensis. Pois descobriu, posteriormente, que era no Brasil, em grande parte no território hoje do Paraná, que a erva-mate era nativa em maior quantidade e melhor qualidade. É debaixo dos galhos das araucárias que os ervais se desenvolvem.

A vastidão da planta de erva–mate, que chamou a atenção do botânico francês, já havia atraído os olhares de outros visionários. O ouvidor Rafael Pires Pardinho, que estava em Curitiba por volta de 1721 para criar um código de posturas para a cidade, registrou em seus diários, com um século de antecipação, o que seria a grande possibilidade econômica da região.



FONTE: http://www.apremavi.org.br/erva-mate-uma-arvore-de-tradicao/

De acordo com fontes e publicações os europeus que introduziram o metal nos apetrechos do mate: a bomba passou a ser feita de prata (abundante na região na época, oriunda das minas de Potosí, na atual Bolívia), com detalhes em ouro. A bomba passou a contar com um pequeno adorno colorido perto do bocal chamado “pitanga” (uma referência à pequena fruta vermelha homônima de aspecto semelhante), que tem a função prática de indicar o lado da bomba que deve ficar voltado para cima. A cuia passou a ter o bocal revestido de prata. E foi criada uma armação de metal para sustentar a cuia, quando ela não estivesse sendo usada. Para os menos abastados, em vez da prata era utilizado outro metal branco menos valioso, como a alpaca ou o alumínio. A água usada no preparo do mate pelos índios guaranis era, inicialmente, fria. Foram os europeus que passaram a utilizar água quente no preparo da bebida, muito provavelmente para evitar doenças oriundas de água contaminada não fervida. “Os europeus também passaram a armazenar a erva-mate em bolsas impermeáveis de couro, os chamados surrões”.

A palavra castelhana cimarrón, que significa “selvagem” e que era utilizada para se referir ao gado bovino que havia sido introduzido pelos espanhóis na América do Sul e que havia se dispersado, tornando-se selvagem, foi usada pelos luso-brasileiros do Rio Grande do Sul para designar a bebida, que passou a ser conhecida como chimarrão.

 


Fonte:imagem https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gauchos_mateando.jpg

Outro fato histórico evidencia que os índios da atual região sudeste dos Estados Unidos utilizavam uma planta aparentada à erva-mate para produzir um chá que tinha supostos efeitos purificadores. A planta era a (Ilex vomitória) e o chá era chamado de “bebida negra”, “bebida branca”, “cassina” ou yaupon. O chá era consumido em uma grande concha ornamentada. Muitas vezes, seu uso era seguido de vômito, também, com efeito, supostamente purificador. Com a expulsão dos índios da região para o interior dos Estados Unidos, onde não existia a Ilex vomitoria, o uso do chá desapareceu, permanecendo somente na região costeira do atual estado da Carolina do Norte.

OS GUARANIS DA ARGENTINA

Por volta de 1690, Anton Sepp, jesuíta austríaco, ao encontrar índios na Banda dos Charruas, conta: “(…) um deles pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem (…)” sabe-se assim que para além da utilização da erva-mate em folha também existe a sua utilização em pó (resultado da moagem da folha). FONTE:http://www.escoladochimarrao.com.br/curiosidades-inf.php?cod=8

 

 

Os guaranis da região nordeste da Argentina parecem ter sido os descobridores do uso da erva-mate. No século 16, os guaranis passaram este conhecimento aos colonizadores espanhóis, que o disseminaram por todo o Vice-Reino do Rio da Prata. A erva-mate chegou a ser proibida no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerada “erva do diabo” pelos padres jesuítas das reduções do Guayrá. A partir do século XVII, no entanto, os jesuítas passaram a incentivar o seu uso pelos índios com o objetivo de afastá-los das bebidas austríaco, ao encontrar índios na Banda dos Charruas, conta: “(…) um deles pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem (…)” sabe-se assim que para além da utilização da erva-mate em folha também existe a sua utilização em pó (resultado da moagem da folha).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

No século XVIII, com a expulsão dos jesuítas da América, ocorreu uma desorganização no setor produtivo da erva-mate. Isto estimulou o crescimento da extração de erva-mate na região dos atuais estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. O primeiro engenho brasileiro de erva-mate a obter autorização de funcionamento foi o de Domingos Alzagaray, argentino residente na cidade de Paranaguá, no ano de 1808.

A indústria da erva-mate passou a movimentar toda a economia do litoral e do planalto paranaense (na época, ainda pertencentes à Capitania de São Paulo). Os engenhos eram, inicialmente, movidos à energia hidráulica, a qual movimentava rodas que, por sua vez, movimentavam os pilões que batiam e reduziam a pó os ramos de erva-mate. Posteriormente, a energia hidráulica dos engenhos foi substituída por energia a vapor. O pó de erva-mate produzido pelos engenhos era acondicionado em sacos feitos de bexiga de boi costurada chamados surrões. Datam, dessa época, os “homens verdes”, como eram chamados os operários dos engenhos de erva-mate, que ficavam cobertos pelo pó verde resultante do processamento da erva-mate.



FONTE: https://www.viajarcorrendo.com.br/2018/04/casa-da-erva-mate.html

Em viagem ao sul do Brasil, o viajante e médico alemão Roberto Avé-Lallemant relatou, em meados de 1858: “É o mate a saudação da chegada, o símbolo da hospitalidade, o sinal da reconciliação. Tudo o que em nossa civilização se compreende como amor, amizade, estima e sacrifício, tudo o que é elevado e bom impulso da alma humana, do coração, tudo está entretecido e entrelaçado com o ato de preparar o mate, servi-lo e tomá-lo em comum.”

Após a Guerra Guaçu, e com derrota do Paraguai, o nordeste paraguaio foi anexado definitivamente pelo Brasil e o sudeste paraguaio, pela Argentina. Ambas as regiões anexadas eram grandes produtoras de erva-mate, que passaram a abastecer os seus respectivos mercados nacionais. O imperador brasileiro dom Pedro II concedeu ao comerciante Thomas Larangeira o direito de exploração de erva-mate no território paraguaio anexado, como recompensa por sua atuação na guerra. A primeira sede da Empresa Matte Larangeira, depois Companhia Matte Larangeira, foi, no entanto, a cidade paraguaia de Concepción, a partir de 1877. Posteriormente, a companhia se mudou para as cidades brasileiras de Porto Murtinho (no atual estado de Mato Grosso do Sul) e Guaíra (no estado do Paraná).

A partir do final do século XIX, o transporte da erva-mate, que era feito através de mulas, passou a ser feito por carroças, que foram introduzidas pelos imigrantes alemães, poloneses e ucranianos. Logo em seguida, passou a ser utilizado o transporte fluvial através do Rio Iguaçu e o transporte ferroviário, através da recém-construída estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, que facilitou o escoamento da erva-mate produzida no planalto paranaense para os portos no litoral. Nessa época, os surrões (sacos de bexiga de boi costurada) que acondicionavam a erva-mate passaram a ser substituídos por barris de madeira, gerando um novo ciclo econômico na região: o Ciclo da Madeira.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

Aspectos Fitoquímicos da Ilex paraguariensis Universidade Federal do Paraná – acessado em junho de 2018

Erva-mate Santo Antônio. Disponível em http://www.ervamatesantoantonio.com.br/museu/. Acesso em agosto 2018

GIL, Felipe. No rastro de Afrodite: plantas afrodisíacas e culinária. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. ISBN 85-7480-232-8.

____https://ojoioeotrigo.com.br/2023/08/mate-origem-indigena-guarani/

___ http://pantaneirissimo.blogspot.com/2012/08/terere-pantaneiro-uma-cultura-no.html Acesso setembro 2018.

¬¬¬___ https://pt.wikipedia.org/wiki/Erva-mate Acesso outubro 2018

___ http://www.escoladochimarrao.com.br/curiosidades-inf.php?cod=8 Acesso novembro de 2018

___https://www.viajarcorrendo.com.br/2018/04/casa-da-erva-mate.html Acesso novembro de 2018
LINHARES, Temístocles. História econômica do mate. Rio de Janeiro: 1969;.
MARÉS DE SOUZA, Fredericindo. A origem do Chimarrão. Boletim do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense. Curitiba, v.10, p.32-39, 1969

_____https://www.sindimate.org.br/processo-historico

____https://apremavi.org.br/erva-mate-uma-arvore-de-tradicao/

 

Pesquisa: Prof. Me. Yhulds G. P. Bueno. Desde 1993 auando na docência da Rede Pública e Privada. Formado em Educação Física, Formação Pedagógica e Licenciatura em História. Mestre em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos; Pós-Graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia; Pós-graduado: Docência em Biblioteconomia; Pós-Graduado: Ensino de História. Membro associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero Guarani – Distrito 4470  

 

Lendas dos tesouros de Lopes da guerra da “Tríplice Aliança”. A Plata Yvyguy e seus mistérios



 

A Guerra do Paraguai também conhecida como “Guerra da Tríplice Aliança”, na história da América Latina foi o maior conflito armado envolvendo quatro grandes nações sul-americanas, existem muitas narrativas históricas de ambos os lados sobre fatos ocorridos durante esse conflito, esses fatos estão cercados de mistérios até os dias atuais.

 

 

Ilustração tipo de Acampamento. Lobo Viana, A Epopeia da Laguna, 1938. Fonte: https://guerradoparaguaimatogrossodosul.blogspot.com/

Esse conflito ocorreu no período de 1864 a 1870 principalmente na região da província de Mato Grosso no século XIX, neste período histórico, a região de Ponta Porã Brasil e Pedro Juan Caballero Paraguai, como um dos principais pontos do desfecho deste conflito.

Figura 14 Soldados brasileiros ajoelham-se ante a estátua de Nossa Senhora da Conceição

Não vamos abordar o conflito armado, e sim rememorar as histórias sobre os tesouros das ricas famílias paraguaias, histórias essas que se tornaram causos, e se espalhou pela região de fronteira, todo esse mistério e histórias surgiram após o fim deste conflito que ficou gravado na memória histórica cultural das Américas.

Foto Arquivo da Família Rodrigues (Francisco Rodrigues in memoriam). Acervo de Carlos Morel. Dom Rodrigues uruguaio trajado com vestimentas típicas da época (pilcha), patriarca da família Rodrigues pioneira na formação de fazendas estâncias ervateiras na região fronteiriça na virada do século XIX.



Durante a guerra muitas famílias tentaram se refugiar longe dos confrontos entre as tropas, levando com elas tudo que podiam e deixando para traz sua história, casas, fazendas e vendo seus parentes e filhos irem ao combate famílias inteiras acompanhou até o fim Francisco Solano Lopes.

Cada pátria defendendo seus ideais, esses foram tempos difíceis de escassez, privações e doenças a morte pairava no ar, cada família seguia com sua comitiva e escolta, uma maneira de ter proteção contra  ataques de saqueadores e quatreiros (bandidos, ladrões), com o passar dos anos e a dificuldade por alimento e transporte, situações pertinentes, que forçaram as famílias e também o próprio Lopes a esconder seus tesouros, o método utilizado era semelhante à dos piratas, escavavam buracos profundos para guardar com segurança seus tesouros sua riqueza e história, joias das mais variadas espécies, ouro, prata e pedras preciosas.

Cercado de lendas e contado através de causos pelos antigos, que repassaram de geração em geração esses acontecimentos, e toda crença que o rodeia, sobre os enterros de Lopes e das ricas famílias paraguaias, possuíam uma grande riqueza, influenciadas pelo estilo de vida europeu, principalmente da França. Riquezas enterradas e protegidas por décadas pós guerra, mas despertam curiosidade de muitos da região fronteiriça e de outras localidades, que vinham em busca dos tesouros épicos, a Plata Yvyguy que significa Prata enterrada, escondida.


Notícias de caçadores de tesouros se espalharam pela região de fronteira em busca dos enterros do Solano Lopes, cercados de crenças e com um lado oculto, rememorar estas histórias que viraram lendas sobre esses tesouros, que despertam cobiças até ao mais cético dos homens na atualidade.

”as notícias se preocupam mais em explicar cientificamente tais fatos e amenizar os efeitos do fantástico. No máximo dedicam tempo ou espaço às repercussões sociais que certos acontecimentos causam não aos fenômenos sem si mesmos ou às experiências decorrentes de tais acontecimentos”. (COSTA, Andreolli de Brites apud MOTTA, 2006, p. 9).

Ocorreu em décadas passadas, no século XX (vinte), uma intensa caça ao tesouro na região fronteiriça, circulavam histórias de aparições, clarões de fogo e fantasmas que reclamavam seu descanso, segundo a história, soldados eram mortos após enterrar o tesouro, isso para nunca tentar desenterrar e ficar com o tesouro a Plata Yvyguy, este fato resultou em causos, relatos que tais almas servem de guardião dos tesouros e afugentam qualquer que queira desenterra-los.

O escolhido conseguirá desenterrar a Plata Yvyguy, isso se o mesmo tiver coragem para, pois será testado durante o ato de cavar, se resistir conseguira ser o dono do tesouro.
Um entre muitos causos sobre a Plata Yvyguy, que ocorreu na região próxima a Pousada do Bosque, antes era uma região de vasta mata, muitas chácaras e poucas casas, conforme o tempo foi passando casas foram surgindo nesta localidade, muitos moradores de outras regiões do país, atraídos pelo trabalho de exploração de erva mate e madeira na fronteira fixavam moradia em Ponta Porã.

Conta o causo que existia uma casa de madeira na avenida principal que raramente famílias conseguiam permanecer por muito tempo, segundo história padres, pastores eram chamados para tentar afastar os espíritos que rodeavam esta moradia, quem morou neste local, relatava que abrir e fechar de porta, quebrar pratos e copos, bater de palmas, chamados, eram comuns, conversas e gritos acordavam os moradores, mas nada era achado dentro da casa quebrado e ninguém era avistado, somente um clarão no fundo do quintal que do mesmo jeito que surgia desaparecia rapidamente, este fato da casa assombrada durou por anos.


Quando uma família vinda da Bahia morou na casa tudo parecia se repetir, mas com os passar das semanas e meses, intrigado com os relatos dos fronteiriços, e com tudo que ocorria na casa, essa família se arriscou a escavar a Plata Yvyguy, se encontraram algo, isso ficou no imaginário dos fronteiriços, pois a família desapareceu deixando para trás seus pertences o buraco ficou por tempos no fundo do quintal, quem conhecia a família na época do ocorrido, relatava que todos saíram às pressas na penumbra da noite, ou como dito popular anoiteceram, mas não amanheceram.

“Cuando los Padres Jesuítas se retiraron de la Misiones escondieron en um lugar desierto todos sus tesoros, dinero, alhajas y los libros de su sabiduría. Para ello construyeron edificios con profundos y largos subterrâneos entregados a la protección de indios malos o espíritus y monstruos”. (COSTA, Andreolli de Brites apud GONZALES TORRES. 1995, p.97).

Há quem diga que ficaram ricos voltaram para Bahia, outros já são mais céticos e falam que foram os espíritos que espantaram a família, pois violaram o que não eram para eles, esse mistério ficou adormecido, mas vivo na memória da região fronteiriça.


Existe outro causo que é desconhecido na atualidade, desta região da Pousada Bosque que em determinado local um ponto luminoso acompanhava quem passava pelo corredor que ligava as chácaras que existiam ao centro da cidade, esta luz forte era avistada sempre, tarde da noite, muitos moradores antigos falam de um espirito de outros tempos que vaga pelo local, outros falam que são os guardiões a procura do merecedor de encontrar a Plata Yvyguy que está enterrada no local.

“O reflexo da transformação social manifesta-se nas readequações dos meios de transmissão às novas necessidades, por exemplo, na readequação dos mitos de origem, na reformulação das genealogias, na inserção de novas passagens, e assim em diante”. (COSTA, Andreolli de Brites apud NETTO, 2008, p.24).

 

Ponta Porã Linha do Tempo: A Origem histórica do Tereré, bebida símbolo da região fronteiriça do Brasil e Paraguai.

 

Por: Prof. Me. Yhulds Giovani Pereira Bueno.

 

 

“Fronteira querida do meu coração, fronteira amada, desejada e cobiçada, fronteira sem fronteiras e sem portão, fronteira aberta uma só nação, bom ser fronteiriço cheio de paixão”.

Fonte: http://pensador.uol.com.br/autor/yhulds_bueno/4/

 

Bebida símbolo da região de fronteira, todo fronteiriço, brasileiro, brasiguaio, paraguaio e tantos outros que pela região passam, não dispensam um bom tereré gelado com os remédios (“jujos” raízes, folhas plantas nativas terapêuticas da região de fronteira), mas de onde veio essa bebida, essa tradição? Segundo fontes de pesquisadores e historiadores que buscam informações sobre o assunto e publicam nas redes on line (internet) ou em livros, existem várias versões sobre a proveniência do tereré, entre muitas vamos abordar a e suas curiosidades.

Fonte:https://ervamatesantiago.com.br/curiosidades-sobre-a-santiago/terere-origens-receitas-erva-mate

História do chá mate no Paraná - Chás Real

De acordo com estudos, os povos indígenas foram os primeiros consumidores da erva-mate. Eles utilizavam como bebida e alimentação e a consideravam como uma planta sagrada. As maiores tribos eram os Guaranis, Kaingangs e Xetás, que moravam na região dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai.

 

Fonte: https://matereal.com.br/historia-do-cha-mate.

 

A origem do tereré segundo historiadores e pesquisadores, data da invasão e colonização europeia por castelhanos e portugueses, quando era usado pelas tribos guarani, nhandeva, kaiowá e outra etnias chaquenhas, isso muito antes da Guerra do Paraguai. Diz à lenda que durante a Guerra do Paraguai, os soldados de ambos os lados (Brasil e Paraguai), durante os tempos de folga entre um combate e outro, ou às vezes até mesmo em pleno combate, gostavam de tomar um chimarrão para repor os ânimos. Buscando em memórias perdidas no tempo, mas reavivadas quando se reuniam os velhos amigos no fim de tarde, depois da lida no campo, dos afazeres diários sentados formando as rodas de “proza”, conversando, relembrando o passado quando tudo aqui era nada, e o nada virou tudo, comentando dos bravos corajosos que lutaram para defender sua bandeira sua honra, muitos tombaram lavando o chão de vermelho, marcando a terra, uns que passaram, mas não permaneceram, outros que vieram somente de passagem e aqui moraram até o fim.

Fonte: https://ihgms.org.br/vc-sabia/qual-a-origem-do-uso-do-terere-63

Assim foi a formação da região sul de Mato Grosso, marcada por guerras, conflitos e exploração, que suas histórias viraram causos e até lendas, de desbravadores que tiveram coragem, pois aqui formaram as estancias, construíram suas moradas e famílias, muitos causos perdidos no tempo, de muitas histórias adormecidas, mas graças a famílias que guardam com carinho essas memórias, que as mesmas podem ser no imaginário de cada fronteiriço revivido, através das narrativas destes feitos de outros tempos desta fronteira querida deste povo hospitaleiro.

Fonte:https://aguasdebonito.com.br/blog/outros/terere-bebida-do-mato-grosso-do-sul

Quando se ouve falar em exploração de erva mate na região fronteiriça do grande Mato Grosso de outros tempos, épocas distintas da formação de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, logo vem à mente a figura de Thomaz Laranjeiras, mas no tempo que foi criado a companhia foi registrado como:  (Laranjeira), que foi um dos percursores, se não o principal no pós-guerra da “Tríplice Aliança” a explorar o potencial do cultivo da erva nativa, expandindo e exportando aos quatro cantos das Américas, principalmente para Argentina que posteriormente se tornou um grande país produtor de erva mate.

Fonte: https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/v03n02/article/view/336

Segundo informações e relatos de fontes e registros históricos. Thomaz Laranjeiras criou inicialmente a “Empresa Matte Laranjeira”, que posteriormente ficou denominada “Companhia Matte Laranjeira” esta surgiu de uma concessão imperial ao comerciante Thomaz Laranjeiras Registrado como: (Laranjeira). Que conseguiu por serviços prestados na “Guerra do Paraguai” sendo ele um colaborador fiel do império brasileiro fornecendo mantimentos entre outros itens para o exército da “Tríplice Aliança” durante o conflito armado, com a vitória do Brasil e seus aliados o mesmo obteve certas regalias uma delas a criação de sua companhia ervateira.

Fonte: https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/v03n02/article/view/336.

Thomaz Laranjeiras com registro de: (Larangeira) desempenhou um papel importante na exploração de erva-mate no sul do Mato Grosso, mas sua primeira sede foi em Concepción, cidade do país vizinho Paraguai, onde sua Companhia, em meados de 1877, iniciava a exploração de erva-mate, mas com o passar dos anos ouve a necessidade de sua sede ser transferida para Porto Murtinho, com ampliação e a grande demanda, anos mais tarde foi transferida a sede para Guaíra (Paraná).

Fonte: https://blog.cowboystore.com.br/cultura-raiz/voce-sabe-onde-surgiu-o-terere-conheca-a-historia-dessa-bebida/

A Companhia foi a responsável pela fundação das cidades de Porto Murtinho-MS e Guaíra-PR, pois contribuiu para o desenvolvimento sócio econômico, gerando emprego e renda para tais localidades, tudo isso aconteceu em meios a críticas de fieis opositores da companhia e de Thomaz Laranjeiras registrado nestes tempos como: (Laranjeira), um dos motivos era por ele manter o monopólio em trono da exploração de erva mate, e muitas vezes acusado de impedir o real desenvolvimento da região, mas sendo ele a colaborar através de sua Companhia de erva-mate, com a modernização das cidades uma delas podendo ser citada Ponta Porã, principalmente construindo prédios e escolas para uso público neste período histórico da formação da região sul de Mato Grosso.

Fonte: https://apremavi.org.br/erva-mate-uma-arvore-de-tradicao/

Fonte: https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/v03n02/article/view/336

 

Como o intervalo entre esses combates era muito curto, não havia tempo para esquentar a água, assim eles começaram a tomar frio e gostaram do sabor. Existe outra versão que durante a Guerra do Chaco (entre Paraguai e Bolívia, 1932-1935), quando as tropas começaram a beber mate frio para não acender fogos que denunciariam sua posição, isso possivelmente ocorreu na região de fronteira em especial na cidade de Ponta Porã de (Mato Grosso do Sul), que na época da guerra da Tríplice aliança pertencia ao Paraguai. Já em uma versão paraguaia da origem do tereré, é a mesma diz respeito à mensú (escravos ervateiros do nordeste do Paraguai e da Argentina, até meados do século XX). Segundo a história de tal fato, eles foram surpreendidos pelos capangas (guarda costas seguidor leal) fazendo fogo para tomar mate e seriam brutalmente torturados, por isso escolheram se alistar em fileiras do exército paraguaio, introduzindo este costume.

Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/12/qual-e-a-origem-da-erva-mate-segundo-a-historia

Outra versão da origem é que os indígenas ao levarem o gado de um lugar para outro em comitivas, usavam aerva para coar a água dos rios, evitando, assim a doença barriga d’água. No entanto, crê-se que o tereré/têrere desde a invasão e colonização da América do Sul já era ingerido pelos índios Guarani e que por volta do século XVII os jesuítas aprenderam com eles as virtudes desta bebida refrescante e revigorante o mate (ka’a em guarani). Os jesuítas elogiavam os efeitos da erva, que dava segundo relatos históricos dava muita força e vigor e matava a sede mais do que a água pura. A infusão é riquíssima em cafeína, daí o poder revigorante. Segundo alguns, os índios Guarani, além de tomar mate (ou tereré) usando como bombilho (canudo para chupar a infusão) ossos de pássaros e finas taquaras (pois ainda não existiam as bombas de metal), segundo historiadores os índios também fumavam a folha bruta da erva-mate e usavam-na como rapé.

 

Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/12/qual-e-a-origem-da-erva-mate-segundo-a-historia

Ponta Porã linha do tempo: Matias Tataty, o bruxo dos ervais

Pesquisa: Prof. Me. Yhulds G. P. Bueno. Desde 1993 atuando na docência da Rede Pública e Privada. Formado em Educação Física, Formação Pedagógica e Licenciatura em História. Mestre em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos; Pós Graduado em Metodologia do Ensino de História e Geografia; Pós graduado: Docência em Biblioteconomia; Pós Graduado: Ensino de História. Membro associado do Rotary Club Ponta Porã Pedro Juan Caballero Guarani – Distrito 4470

 

quinta-feira, 26 de julho de 2018

PONTA PORÃ NA LINHA DO TEMPO/YHULDS BUENO: TERRITÓRIO IDENTIDADE: CONHECENDO A HISTÓRIA DE PONTA PORÃ ATRAVÉS DAS IMAGENS. A CRIAÇÃO DO 11º REGIMENTO DE CAVALARIA INDEPENDENTE O GUARDIÃO DA FRONTEIRA.


Yhulds Giovani Pereira Bueno

RESUMO. A pesquisa tem como objetivo análise historiográfico da criação do 11º RCI Regimento de Cavalaria Independente que posteriormente foi denominado 11º RC Mec. Regimento de Cavalaria Mecanizado. Não serão abordados os conflitos armados que ocorreram anteriormente e os desfechos pós-guerra da durante essa narrativa, ficam estes especificamente como um ponto de entendimento para compreensão da necessidade de criação e construção do 11º RC na fronteira. O Regimento de Cavalaria Mecanizado esta localizado no município de Pota Porã - MS, no estado de Mato Grosso do Sul,  é uma das dezenas de unidades existentes do Exercito Brasileiro. Subordinada a logística organizacional do Comando Militar do Oeste, que subsequentemente pertence à 9ª Região Militar e orgânica da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, com sede em Dourados.

PALAVRAS-CHAVE: Território Identidade; Regimento; Sentinela Avançada; Memória histórica Regional.

INTRODUÇÃO HISTÓRICA.

A história do Exército Brasileiro começa oficialmente com o surgimento do Estado brasileiro, ou seja, com a independência do Brasil. Mobilizações de brasileiros para guerra  existem desde a colonização do Brasil, sendo as primeiras dignas de nota, as efetuadas contra as tentativas de colonização francesa no Brasil, nas décadas de 1550 e  de 1610. Ainda durante o período colonial, na Batalha de Guararapes, no contexto das invasões neerlandesas do Brasil, os efetivos portugueses eram formados majoritariamente por brasileiros (brancos, negros e ameríndios).
Após o golpe de Estado que instaurou a forma de governo republicano ao país, foi-se prometido aos militares o aumento em seus salários, assim como a instituição da reforma compulsória, alteração dos planos de organização do Exército, a reforma do ensino militar e a regulamentação de promoções visando aperfeiçoar a instituição. Entretanto, a reorganização do Exército limitou-se a aumentar o número de batalhões e regimentos, sem que fosse modificada a quantidade de militares. As promoções que foram concedidas pelo novo governo desrespeitaram a hierarquia, antiguidade e competência, tendo-se como critério apenas interesses políticos.  
11º RCI REGIMENTO DE CAVALARIA INDEPENDENTE

Imagem creditada a Albert Braud. Construção do pavilhão principal do 11º RC.



O presidente da República Epitácio Pessoa sanciona em 1919 o Decreto número 13.916 de 11 de dezembro, criando em Ponta Porã o 11º RCI (Regimento de Cavalaria Independente) é instalado no ano seguinte, sendo seu primeiro Comandante o Capitão Hipólito Paes Campos, construído a partir de 1921 na cidade de Ponta Porã. Sua missão, proteger a fronteira oeste do Brasil. A finalização da sua estrutura ocorreu anos mais tarde na década de 40.

Acervo Albertino Fachin. Foto créditos Albert Braud. Área do 11º RCI Regimento de Cavalaria Independente com estrutura e pavilhões de madeira foto década de 20.

Toda princesa precisa ser protegida não diferente a cidade fronteiriça Ponta Porã carinhosamente apelidada de “Princesinha dos Ervais” tem no 11º RC MEC, seu guardião sempre a postos para defender a honra desta região, há 99 anos protegendo a região de fronteira de qualquer invasão. 


Acervo Albertino Fachin. Foto créditos Albert Braud. Área do 11º RCI Regimento de Cavalaria Independente. observa se na imagem carros antigos Ford modelo T soldados e autoridades na área que seria as futuras instalações e construção dos pavilhões do 11 RCI com estrutura e pavilhões de madeira foto década de 20.


Acervo Albertino Fachin. Foto créditos Albert Braud. Área do 11º RCI Regimento de Cavalaria Independente, área localizada na Avenida Brasil onde se localiza o CIMPORÃ Clube de Oficiais e a extensão do Buracão (erosão).

Na década de 40 a fronteira inaugura a estrutura existente até os dias atuais do 11º RC, imponente e soberba com suas linhas arquitetônicas clássicas, mas acolhedora a todos os filhos desta terra que a ela irão servir. Desde sua criação ao longo das décadas muitos foram os valorosos soldados que serviram nesta unidade militar, o 11º RC MEC tem em sua história a participação de praças na segunda Guerra Mundial, como em várias colaborações em conjunto com a (ONU-Organizações das Nações Unidas), sendo as mais recentes no Haiti.
O Regimento recebe anualmente integrantes da EsSA, AMAN, EsAO, ECEME e do Centro de Instrução Paraquedista  Gen Penha Brasil, para a realização de diversos PCI (Pedido de Cooperação de Instrução). Devemos destacar, também, a participação do “Onze” nas Temporadas Hípicas do Troféu Guaicurus, onde o Regimento sempre se destaca, vencendo diversas provas. O Regimento Marechal Dutra vem se destacando, desde sua instalação em Ponta Porã - MS, cumprindo suas missões regulamentares e preparando seus homens para a defesa de nosso território. Seus integrantes, com grande espírito de vibração, continuam mantendo as tradições de seu passado histórico, honrando o “Sentinela Avançada da Fronteira”.
ACONTECIMENTOS ANTERIORES A CRIAÇÃO DO 11º RCI.
Anterior ao povoamento da região fronteiriça estes oriundos dos mais diversos lugares do país e do mundo, em especial de sulistas e paulistas. Os primeiros a se aventurar pelas vastas terras da região Oeste e Sul do Brasil, citados em arquivos históricos, pois tinham como objetivo desbravar a grande imensidão de terras da região de Mato Grosso, onde hoje é o Estado de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do sul, foram os bandeirantes: Antônio Castanho da Silva, Jerônimo Bueno e Jerônimo da silva no período 1622, Francisco Pedroso Xavier em 1638, Antônio Pereira de Azevedo e Raposo Tavares em 1648, Campos Bicudo 1691, Pascoal Moreira Cabral Leme 1718.
Buscando em memórias passadas, estas registradas em documentos, ou na grande maioria de forma oral, histórias repassadas de geração em geração sobre como iniciou o povoamento da fronteira é mencionado que, um dos primeiros fatos histórico registrado ocorreu no ano de 1777 quando uma expedição militar chegou a esta região fronteiriça, tendo como objetivo de explorar o solo, conhecer e mapear de forma mais precisa a extensão e todas as riquezas que aqui existiam, assim poderiam ver sua dimensão com uma maior precisão, sem contar que o fator que chamava a atenção seria o potencial na quantidade de matas e futuras terras para expansão, exploração e cultivo que esta região teria.
Passados quase um século depois no ano de 1862 chegou o grupo do tenente militar Antônio João Ribeiro que tinha como objetivo fixar um forte na cabeceira do rio Dourados, onde hoje é o município de Antônio João, erguendo ali a famosa Colônia Militar dos Dourados que foi destruída durante a guerra da tríplice aliança ficando este fato marcado na história, este local um ponto estratégico por ser uma cabeceira e ponto de parada a viajantes, tropeiros e utilizado pelo próprio exercito para reabastecimento e descanso, uma rota cobiçada na época que gerou um dos estopins do conflito armado que se seguiu.
A Guerra do Paraguai também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, na história da América Latina foi o maior conflito armado envolvendo quatro grandes nações sul-americanas, existem publicações históricas de ambos os lados sobre fatos ocorridos. Esse conflito ocorreu no período de 1864 a 1870 principalmente na região da província de Mato Grosso nessa época, tendo a região de Ponta Porã Brasil e Pedro Juan Caballero Paraguai, sendo a fronteira um dos principais pontos do desfecho deste conflito.
Segundo registros históricos nacionais na década 1930, assumiu o comando do 11º RC Regimento de Cavalaria neste período histórico o Tenente-coronel Eurico Gaspar Dutra, nascido em Cuiabá, 18 de maio de 1883, falecendo na cidade do Rio de Janeiro, 11 de junho de 1974, foi o décimo sexto Presidente do Brasil, em 1902 ingressou na Escola Preparatória e Tática do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, e, depois, na Escola Militar de Realengo e na Escola de Guerra de Porto Alegre, em 1922 formou-se na Escola de Estado-Maior. Dutra foi ministro da guerra de 1936 a 1945. Desta forma para homenagear tal celebre figura o 11º RC adotou o nome de Eurico Gaspar Dutra.

Segundo Acyr Vaz Guimarães, em seu livro "História dos Municípios (1992)", Pandiá Calógeras nessa época ministro da guerra, nomeou como diretor de engenharia da construção da organização militar, o major Cândido Rondom que já estivera em 1905 em Ponta Porã, ficando esse encarregado pela construção do quartel em 1921. Em 20 de março de 1991, através da Portaria Ministerial Nº 148, de 14 de março de 1991, o Regimento recebeu a denominação histórica de “Regimento Marechal Dutra”, o Marechal Eurico Gaspar Dutra, que comandou, como Tenente-Coronel, o 11º RCI no período de 16 de dezembro de 1930 a 11 de junho de 1931.

Na década de 40 a fronteira inaugura com muita festa e presença de autoridades locais a estrutura existente até os dias atuas do 11º RC imponente e soberba com suas linhas arquitetônicas clássicas, eis que surge como um “príncipe” que irá servir de guardião para a “Princesinha dos Ervais” Ponta Porã.


Ponta Porã Linha do tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio). Nesta foto autoridades políticas e do exercito brasileiro em um dos muitos eventos e solenidades cívicas realizadas desde sua criação década de 40.  . 


A formação de soldados de excelência era a marca do regimento, fundamentalmente para que isso ocorresse constantemente eram realizadas instruções de tiro para capacitar os soldados, preparando os mesmos para um eventual combate se necessário.


Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), Na imagem cabo Itrio e companheiros soldados do 11º RC PP realizando instrução e treinamento de tiro década de 40.  

Por ser um quartel de referencia e seus solados terem um bom curriculum, levou o 11º RCI ser convocado a enviar durante a 2ª Guerra Mundial, aos campos de batalha da Itália vários militares. Neste conflito armado do grupo de soldados enviados para a linha de frente do combate, infelizmente os soldados (Sebastião Ribeiro e Tomas Antônio Machado in memoriam) tombaram no cumprimento do dever, neste período histórico. Com o desfecho da guerra e seu término em 1946 o Regimento alterou sua denominação para 11º Regimento de Cavalaria o mesmo ficaria subordinado à 4ª Divisão de Cavalaria, então localizada na cidade de Campo Grande.


Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), Imagem de soldados do 11º RC realizando instrução e treinamento de sobrevivência na selva década de 40.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na tradição do Exército Brasileiro considera-se o dia 19 de abril de 1648 como aquele em que simbolicamente foram constituídas as raízes da mais antiga das três forças armadas nacionais. A data faz referência à Batalha dos Guararapes, envolvendo holandeses e luso-brasileiros e onde se reconhece que pela primeira vez, indígenas brasileiros, africanos escravos e brancos portugueses e brasileiros se uniram para reconquistar o território há anos ocupado pelos holandeses no nordeste do Brasil. Por isso mesmo, no dia 19 de abril comemora-se o Dia do Exército.
Na prática, a história do Exército brasileiro tem início, assim como a história da Marinha, com a independência do país. A separação do Brasil de sua metrópole não se deu de modo pacífico, houve resistência concreta nas províncias Cisplatina, Bahia, Maranhão e Pará, sendo necessária a atuação do exército, com destaque para Maria Quitéria, baiano que se disfarçara como homem para participar da luta, tendo se destacado no campo de batalha.
Conquistada a independência, o exército logo irá intervir na Guerra Cisplatina, que resulta na independência do Uruguai. O revés faz com que a diplomacia brasileira busque uma posição de não intervenção nos assuntos dos países vizinhos ao sul. Somente vinte anos depois o Brasil sente-se impelido a enviar tropas à região, ante a política expansionista de Juan Manuel de Rosas e Manuel Oribe, ditadores argentino e uruguaio, respectivamente.
Ainda no século XIX, os soldados do Exército tiveram a primeira grande experiência internacional, participando da Guerra do Paraguai. No conflito, a instituição se consolidou e reorganizou sob o comando de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que é considerado por isso mesmo o patrono do Exército Brasileiro. O exército somente voltaria a se envolver em algum conflito na Segunda Guerra Mundial, organizando a FEB (Força Expedicionária Brasileira), onde, ao lado da Força Aérea teve uma participação importante na tomada da Itália Fascista pelos Aliados.
Atualmente, o Exercito Brasileiro tem a missão de defender o território e a soberania brasileira, garantir a manutenção da Lei e da Ordem, e ajudar a população em caso de calamidades. Importante também é ressaltar a participação do Exército na política brasileira desde a Proclamação da República, em 1889. Os dois primeiros presidentes vinham das fileiras do exército, e mais tarde, também teriam papel importante nos golpes de 1930 e 1964. Com a redemocratização em 1985, os militares voltaram aos quartéis e restringiram sua participação na vida nacional às suas funções constitucionais. Em nível internacional, entre os anos 1980 e a década inicial do século XXI, a participação do Exército na tarefa de reorganização do Haiti, país que passou por um colapso institucional, vivendo um período caótico.
Na década de 80 com a modernização dos contingentes militares no Brasil, ocorreu que no ano de 1985 com a vinda de diverso equipamento bélico moderno para a corporação, o Regimento novamente alterou sua denominação para 11º Regimento de Cavalaria Mecanizado 11º RC MEC, subordinado à 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, Brigada Guaicurus, já sediada na cidade de Dourados.
Segundo Amarilha 2012. De 1964 a 1985 o Brasil foi governado pelos militares, período conhecido como ditadura militar. Nessa ocasião, o Brasil viveu a mais dura, fechada, arbitrária, rigorosa e totalitária ditadura já implantada em terras brasileiras. O governo militar fechou sindicatos e entidades civis. Proibiu as greves e cassou mandatos de políticos da oposição. Perseguiu intelectuais e profissionais liberais, que se mostravam contrários ao novo regime. Nesse período, estabeleceu-se na política brasileira o autoritarismo, a supressão dos direitos constitucionais, a perseguição, a prisão e a tortura dos opositores, além da imposição de censura prévia aos meios de comunicação.

Esta é uma homenagem ao 11º RC MEC, que sua história, seja reverenciada no presente e no futuro. O 11º RC MEC está localizado na Avenida Brasil na área central ponto de entrada da cidade, desta forma vigilante, recebe os visitantes dando boas vindas a quem chega, protegendo Ponta Porã a “Princesinha dos Ervais”.

Analisar através de relatos e fontes históricas o cotidiano de um povo é perpetuar sua memória através da história e desta forma valorizar todos aqueles que direta ou indiretamente sempre contribuíram e ainda hoje contribuem para o desenvolvimento sócio econômico e cultural desta rica região de fronteiriça.

 


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Pesquisador: Prof. Yhulds Giovani Bueno. Pós Graduado em Ensino de História e Geografia. UNIVALE Fac. Integradas do Vale do Ivaí. Mestrando do PPGDRS - Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos – UEMS yhuldsbueno@gmail.com